domingo, junho 26, 2011

uma carpa gorda
flutuante
que rompe a água turva do lago
deslidançando seu corpo a rir de quem a


homens à procura de cargas tombadas
dos acidentes mortais
nas vias

estão todos suspensos
nas filas dos caixas a

transpor o ar com dificuldade

enquanto erguem-se da terra
seus ossos em erpuções
concretas, como o riso da carpa

ou a fome do homem

ou a ilusão nas filas

ou a carreta morta.

sábado, junho 18, 2011

Olho uma montanha,
O que vejo:
Ossos erguidos da terra.
Olho uma mãe:
O que vejo:
Ossos erguidos da terra.
Olho o céu,
O que vejo:
O oco do osso universal.

Vejo pelo buraco ósseo,
Cavidades circulares,
Rodopios de vento,
Dobras seculares,
Tigelas de ar,
Sonhos.

segunda-feira, junho 06, 2011

quando o cordão umbilical...
é o primeiro rio da criança,
quando a mãe mija no parto...
é a primeira corredeira da criança,
quando o peito da mãe...
é a primeira cachoeira da criança,

depois, quando a vida...
é o sereno,
é a brisa,
é o vento,
é a chuva fina,
...
as pancadas,
os granizos,
a pedra,
o ferro,

aprisionada, a criança.
Ai,
que saudade de um vagalume!

domingo, junho 05, 2011

Eis que abre caminhos a flor do tempo
Expande, aprofunda na carne
Toma minhas costas
Abraça-me.

segunda-feira, maio 30, 2011

Ontem, no futuro, eu pensaria que amanhã já não serei
Mar é essência e superfície
Mar é consistência
Tempo é deslocamento de espaço
Tempo é inconsistência

sábado, maio 28, 2011

Habito o mecanismo da cidade
Antes, porém, manuseio o meu próprio,
O da linguagem, dos olhares, do toque, da respiração,
Aqueles inomináveis, manejo.

Manuseio também o outro, a mim
Na ilusão de seguir a linha reta do tempo.

No difícil ritual de estar, antes mesmo de ser,
Fora mesmo da linguagem, na carne que respira,
Na ficção primeira, onde supõe-se que o real
É apenas uma canoa que transpõe as margens.

sexta-feira, maio 27, 2011

A ti, inevitável, com o carinho que se deve ter.
Todos os encontros foram, na bem da verdade,
Um ritual à morte.

segunda-feira, maio 16, 2011

Pensa a pedra

ali está a pedra
tranquila

meditando sobre
sua própria morte

pesando sobre si
seu próprio castigo
porém serena

e eterna.

Pela pedra
vejo que pensa
a pedra.

Penso eu

frente a pedra
só me resta a festa e o choro.

segunda-feira, maio 02, 2011

Todo povo tem sua guerra
Todos corpo tem sua terra
Toda guerra tem seu povo
Toda terra me há de ver de novo

sexta-feira, abril 29, 2011

vida

somos uma sequência enlouquecida de outrens.
é preciso recuperar as memórias de cada partícula, cada elemento químico que nos compõe.
a outra memória cristaliza-se na alma? é preciso criá-la.

o que já sonharam meus ossos?
se minha cabeça extremesse com todo o esquecimento,

é preciso que ela exploda,
tomar o esquecimento como memória buraco e assossegar,
assos segar
a sós cegar.

quem foram, milhares de outros seres, alguns sonhadores, as partes que me revestem?

esse jogo é interessantíssimo e
devastador,
de vasta dor.

sexta-feira, março 04, 2011

minhas mãos bem fechadas
fermenta ali um pensamento
pingam sementes
enquanto mofam umidecências
nas dobras.

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Nos teus sonhos


Foi que você deu conta do tempo.

Da irrealidade das matérias, da presenças, dos passados.
E agora, meu filho, me vem perguntar dos seus
pátios internos, ques pátios? Já não há mais.



Essa loucura dos olhares infantis.
Onde se esconde os pátios pueris das minhas avós?
Como aquelas mulheres tão férteis vivem, mãe?
Ques sentimentos brotam em pensar que se viveu tanto?
Quanta marca, quanta memória e lembranças enfraquecidas dos abraços
dos abraços das suas mães, dos gritos... essas pegadas sujas pela casa da alma...
Eu sei que elas enloqueceram... eu sinto o pavor no sabor da comida.
Fitas de couve entre os dedos tortos, entortados pelo tempo.




Essas dores não são suas, meu filho
Então por que nas noites, quando me adentra a maravilha dos sonhos
É numa corredeira turbulenta de leite grosso, gorduroso, que caio
E sou dragado, como o mundo puxa o filho da irrealidade da barriga
Materna? Se não é minha, que líquido branco é aquele que me lava com a força
Das colisões galáxicas? Se não é nossa, como me explica guardarmos em funcionamento e
Tanto zelo
O relógio bicentenário da família. Somos devotos do tempo
Como as cascas das árvores são as preocupações das unhas de um gato.

Essas dores não são suas, meu filho
Calma, que o tempo se encarregará
em carregará
carregará
cá regará
nessa lisidão dos seus cabelos
como se chora sobre um peixe
como chora o peixe até encher o mar
como chora o mar de peixe
das tuas mãos forçando um filete de carvão nos lábios roxosos
Essas dores não são suas, meu filho,
São dores

De todos nós.

sábado, janeiro 22, 2011

Eu vi as folhas da sua árvore caindo,
os traços se abrindo no teu couro e mente.
Você, sem saber, fazia o papel do guia
de um trem fantasma maravilhoso,
que não parecia ter fim na minha angústia,
o seu corpo rijo em meus braços tentando
conter seus vômitos e seu grito que era o
sentindo da vida vazando pelo ar seco dos
meus sonhos. O meu caminho da escrita se dava
ali, na confusão das realidades que tanto
me assustaram e me fizeram acordar
com medo, temor e amor a ti, pai.

quarta-feira, janeiro 12, 2011

uma vez eu fui dormir, como todos os outros dias,
e sonhei, deitei nos lençóis macios
do berço das minhas ilusões
e nunca mais parei de sonhar

desconfio de que tenha morrido
é isso a morte?

domingo, janeiro 09, 2011

a ficção entre a tesoura e
meus olhos impede que eu ande

o carinho fino pelas mãos da Angústia
é meu refúgio na cicatriz da noite

o peito estriado [da mãe] me força
a escolher um caminho do rasgo na pele

tiro da boca uma lesma cascuda que não se dissolve
nunca se dissolverá
tiro dos braços, das fendas do corpo
tiro da mão feroz
tiro do prato a cartilagem da sobra

tiro você
ah, tiro você
há tiro, você

voam muitos insetos
um deles quem mata
é você
que mato

"as ficções", comentaram rindo, em zomba


por que estas costas infinita?
para que eu caia sem fim cortando
o ar com essas
tesouras desafio

por isso
há ficção entre meus olhos e a lâmina
e você ainda me vem falar de realidade!
Eu me desejei
Eu me desertei

segunda-feira, dezembro 27, 2010

tem que deixar a janela aberta, pelo menos um pouco, assim, uma gretinha já está bom. Mesmo nos dias de chuva.
é que é muito perigoso dormir assim com o quarto fechado, se tiver planta então...você pode morrer, morrer de sufoco, sufocado. Quando a gente dorme a cabeça dá vasão aos sonhos, e sonho é tudo aquilo que a gente não tem coragem nunca de fazer, e também, sonho é pra ganhar a imensidão do céu,  pra ir pra bem longe mesmo, porque é tão absurdo que se fosse verdade ainda sim seria mentira
lá em camaçari teve um homem que morreu sufocado pelos sonhos, a greta na janela é pra dar vasão a eles.
De noite, quando a gente tá descansando, tá bem desprevinido os sonhos crescem de uma tal forma, que se bobear mata, se a gente vive muito ele, aí ó, não tem jeito, a gente passa pro lado de lá, pro lado dos sonhos.

Ah, e as plantas, é que planta também respira, mas não sonha, e pode ser dela roubar os sonhos da gente, aí é melhor que morrer de tanto sonhar, mas muito pior é viver na dureza da cabeça e nunca mais sonhar

nunca sonhar
nunca sonhar
nunsonhar
. . . |

segunda-feira, novembro 08, 2010

essa legião de mortos, viver está encerrado enquanto se acredita

me acerco, uma individualidade, forço a penetrar naquilo que não logro, onde não é meu, porque meu não há, não houve, viver está fadado a crer e Eu não cri

fingi, nesses mortos, forjei vê-los, com eles convivi, conversei, comemoramos, confraternizamos datas e fotografias, tive meus filhos, viemos ao hoje, ao agora
e continuamos
ao agora
agora
a este agora
agora

a fresta da minha alma sopra portas esquecidas entreabertas
as palavras estão muito velhas

quem poda a vida
quem pode a vida

Eu limpo essa cas(c)a para que ela re-produza excrementos, por e para isso eu me alimento, eu me banho, eu te beijo

Tu, eu te beijo. Eu tu beijo agora, para que esteja claro, há uma legião de mortos à frente

eu tu beijo em silêncio, sem as palavras cansadas dos séculos, velhas
tu ainda me lês, com essas palavras podres na boca, não menos apodrecida
tu que me tens agora, respira firme comigo
eu tubeijo para que tubeijar possa ser, talvez
um estilhaço da janela quebrada
o refúgio dos viventes

eu tubeijo a cada manhã como quem crê, como recolho meias sujas pelo chão, aceio os objetos dispostos, saio a caminhar, com a fidelidade do tempo, com a certeza desses homens que crêem que
vivos estamos

tubeijo, recolho as meias, deito meu corpo na cama como deito o resto da casa na lixeira, a zelar por palavras mais vivas, por algum sentido, tubeijo

e grito à voz das palavras

nesta  casa  há dança
nesta  casa a dança
nesta casadança
acasadança
casadança


sexta-feira, outubro 15, 2010

Por la carretera




 Me entrego a viver

Passam crianças
Me sorriem gentes
Corre a água

Enquanto sou olhos,
intacto, festejam
encontros por la
Carretera
Atrás das câmeras
lentas dos rostos
gritam os ossos
escondidos, forçando a
pele plena de saudades



Por que me beijam?
E por que eu os beijo?
Minha boca seca como
se ali estivera uma rocha
da carretera onde
pisam há tempos com
seus pés envelhecidos
despontam os ossos
aparecidos


Vejo que vivem
Com que me quedo yo?
Minhas mãos endurecidas
forçando um papel,
uma carretera.

sexta-feira, setembro 10, 2010

trouxe as trouxas embrulhadas
silenciosamente as deposito
sobre o cimento seco da sala

ouço os gritos da rua
olho lento o espelho
observo tudo que a mim se dirige

em silêncio magistral me recolho
o sangue pontua nas minhas artérias
como se escrevesse

em algum lugar

sei que mexem no meu sexo de ser

e, depois, com muita dificuldade
tento me movimentar
trouxe as trouxas embrulhadas

quinta-feira, setembro 09, 2010

domingo, julho 18, 2010

TROTO a pequenas mãos
um amor sem limites
a saber a diferença
da vida vida e
a escrita viva

e porque o fungo
escreve a mancha
bebo a sujar o virol
o papelençol que guarda
o risco do teu corpo nu

domingo, novembro 08, 2009

tu a implorar-me o teu pelocanto

ao lado, o teu sexo confuso

mesclado entre a mesa e o café.

domingo, julho 05, 2009

em estanque!

o que mesmo sempre pedia, a mãe,
afiando a faca?

o som afinado em indas e vindas e
o paradeiro nos meus olhossurpresa
o sol a pino a queimar-me no canto de fora,
no jardim das minhas pernas.

a mãe tocando seu violino e
a galinha em asassufoco
a faca aguçada,
na orquestra de talheres à mesa.

em estaca!

o que mesmo sempre pedia, eu,
brotando em lágrimas?

sexta-feira, maio 29, 2009

Querosene

Esquálida esquírola no prato e flores à mesa
terremoto, minhas auto-mãos em auto-prazer
tomando uísque nem era noite
fumando presa de portas abertas.

Inútil caixa de fósforos com em média quarenta possibilidades
cabeça vermelha, calor, peitu nu
suor que escorre pelas pernassufoco:
grito e fuga e melaço.

Um sexo em esperafúria
a caixa vazia
a decisão.

Mas por minutos, instantes
estáticos
troco de drink.

Depois livre.

quarta-feira, maio 20, 2009

sin titulo - Lima, Perú

[ Me lembrei de uma coisa: tenho me tornado mais velho]
[Digo, mais velho que o tempo permite]

.
.
.
.
.

O tempo vai passando e sempre pensamos ter a mesma idade. Não damos conta e... Me escuta, Pedro? e não importa a ninguém cabelos brancos. Se tivesse chegado uns poucos minutos antes daquela chuva, aí sim, ia perceber que as casas tinham cor de lágrima. Há as vezes em que eu nao acredito em mim mesma. Está me ouvindo? Sim.
Lá dentro daquela casa estavam seu pai e eu, eu rio, diga com quem andas que te direi quem és, é desespero, estavámos na cama. Mas não era amor, era prestação de contas. Mesmo assim, penso como tudo teria sido diferente se você pudesse ter visto, ou eu tivesse tido coragem de falar com você. Depois que você foi embora pintei a casa toda de vermelho, mas foi com meu sangue.
Dali em diante, em todos os anos que se seguiram, nos aniversários de seu pai, eu ficava te olhando de longe, olhava todos com asco, menos a você, como era gorda sua mãe, parecia um porco. Para mim era impossível ser feliz, era a data do ano mais terrível. E ainda insistia o motivo dos meus suspiros... um dia vi na televisão uma coisa incrível, sabia que as abelhas machos morrem fazendo amor?

terça-feira, maio 19, 2009

:: distância:::...

"Guillermo! Guillermo! Ayudame!"

Grita, em pouca voz, uma senhora do quarto andar.
Mas Guillermo está sempre aqui por baixo.
Disse que a mulher não chama por ele, mas por um Guillermo lejano.

___________ :: ____________

E por cada canto, mais que distante de tudo
revejo o amor.

Reamor.

sexta-feira, maio 08, 2009

Escombros

inútil bicho a percevejar sobre folhas verdes, a gente rindo e rindo muito: olha a maria mijona! fede! fede! mata! mata! e mata e chora e chora e chora manso suado no chão simples de uma sala de ensaio onde acreditei temer a um deus que pela sua onipotência me consumia o espaço e
meus passos cambados porém suaves me faziam entrar em casa com uma simplicidade extrema que
só um sonhador
seria capaz enquanto trama palavras e estórias bonitas de chorar, mata! mata! maria mijona! mata! e chora e chora no corpo suado do chão________ e o meu deus eram olhares dispersos em pessoas cambadas a dizer inúteis.

meu medo sempre foi o de acordar e acordar ouvindo longe risos e risos muito: olha a maria mijona! fede! fede! mata! mata! e mata e chora e chora e chora mansa a mãe do mundo, do meu mundo.

sexta-feira, abril 24, 2009

escreve um livro, pai.


mas te digo, depois, do depois, é o mesmo. igual. o depois é antes, um pouco, bem pouco antes da gente. é uma fresta, uma fenda, uma fisga, e é lá que está nosso depois.

excreve um livro, pai.

escrava um livro, pai.um livro raquítico de memórias mal consumadas.um livrolembrança.

um lembrático.uma azáfana de nossas vidas.

subtil, ______ , um livro, pai.


quarta-feira, abril 15, 2009

Com todo sufoco aparente,
um homem decide
abolir seus fatos.

E, por ao menos um poema na vida foi ser feliz:

Que roupa usar?
O que dizer?
A quem amar?
O de comer?
Poder chorar?
Onde descer?
Com que limpar?
Seria viver?
Sair do lugar?

E o tempo a correr
não conseguiu ao menos se deitar.

Já pela noite, quando nada poderia estar aberto, o homem se deu por derrotado. Sem direção qualquer, bêbado transtornado, atarantado o homem olhou a lua cheia e aos gritos colocou-se a desvairar:


Um dia eu vou te explodir!
Eu vou te rebentar!
e vai ser tanta luz tombando do céu e
se antes eu não me matar
e você de tanto cair
a gente vai se apaixonar!


Mas, que o homem tirou somente um poema pra felicidade
e ela sabendo não se, por pouco, bastar
nessa hora, então, depois do moço espernear,
o que lhe explodiu foram suas veias
e as horas que não sabem se quietar
fizeram passar de noite branca ao sol chegar
a lua cheia saía rápido parecia despistar
e o comércio que devia cedo por-se a trabalhar
vendo um corpo besta já morto a pouco estatelar,
decidiu que por um dia, que felicidade!, a cidade devia parar.
em todos lugaras a casa vazia
meu harakiri poético
do que eu preciso.
Dá-me agora uma bacia repleta de água

um quase poema.

sexta-feira, abril 10, 2009

Feriar
verbo interno a dizer costumbres.

antes não tivesse saído a lutar com talheres

e foi por curiosidade desmedida que
minhas armas passaram a chavelhos e
eu mastigando giletes.


agora,
lá fora uma chuvalinha
e aqui dentro...

e aqui dentro?

e aqui, dentro.

sábado, abril 04, 2009

em dança com minhas verduras
estupidamente em dança

a cozinhar poáceas.

errôneo como um riscador
a verter resquícios de beleza
em peles passadas.

degustando sozinho a espera
a triturar
pedaço de gente
picada enquanto danço com minhas verduras.

quarta-feira, abril 01, 2009

se me custuram os verbos.
resquíceo liláceo
pedaço de carne preta:

Á_________tátátá.

o que invento me traz
consequências.

sexta-feira, março 27, 2009

um ralado

doce como deve ser doce um
estupro,
um soco em rocha,
um afundar com profunda força em travisseiros de hotel,

um dente de leão quebrado,
sem voar, que ventado
sai rodando o chão
sem vingar alturas
como um ralado
pedaço de pele
rabiscado de sangue

ou um dente de sangue
rabiscado de leão,
um estupro doce,
um planejar a vida,
um corte de faca cega,
uma blusa no varal,

um filho distoante.

Parece assim,
pareço.

segunda-feira, março 16, 2009

esquírola,

essa abstração na garganta.
lasca de osso,
esse entendimento poético.


---------------------------------------

incompreensões à parte,
me fura novamente, não sopra e sai,
desde muy pequeña descobri morrer.

estilha de gente, na rua, na cama, no quentecalor e sol.
cavaco de mãe, de vó, de gente doente na rua, na cama, no quentecalor e sol.
sopapo no queixo, armábrindo gente na rua, na cama, no quentecalor e sol.
meus dedos dormentes, é gente sem dente, estupro nem tentecalor e sol.

não tenho papel, não tenho caneta, não sei escrever nem calor nem sol.
se rabisco a parede, vem da esquírola no meio das pernas, me sai pela pele:

calor e sol
calor e sol
calor e sol
calor e sol

domingo, março 01, 2009

Haveria traço minha ingenuidade.

Um dia passeava com sal dentro do olhar
e o sol queimando nas mãos.
Como um traçotudo.
Era meu projétil, o peito.
Uma valquíria aberta no canto.

Quase. Era quase.

Deitado nu, de lado,
coberto por estilhaços de unhas roídas.
Meu sol,
haveria traço minha ingenuidade?

[roo as unhas como se te planejasse]

Mãos de amor, manufatura.
Pensar com ferocidade. Agir com a delicadeza do fogo.
Amor ódio e aço.

É como o simples, o respirar.
Seria?

Haveria traço minha ingenuidade correndo solta.

Quase. Um dia quase. Passava.
Haveria quase traço. Quase ingenuidade.
Quase haveria.
Houve. Houve. Houve. Ouve essa valquíria aberta, a unha roendo no canto da sala.
Ouve esse som. Ouve esse som. Ouve esse som. Ouve esse som. Ouve esse som. Ouve esse som. Ouve esse som. Ouve esse som. Ouve esse som. Ouve esse som. Ouve esse som. Ouve esse som:
Respirar com ferocidade.

Um dia sem que chovesse e chovia.
Sem que andasse e movia.
Sem que respirasse e vivia.
Sem que amasse e quase.
Um dia e sempre:

Haveria traço minha ingenuidade.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

minha música interna
você, meu inteiriço sonoro
que quando a gente acorda pela preguiça da manhã

infiltra som pelas paredes do quarto,
amolece e trinca minhinfelicidade, em mim a felicidade, sobra sonhos pela cama enquanto canta minha janela.

roo as unhas como se te planejasse.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

vento tudo
não logro nada nas mãos
meus lampejos de inconsciência
me desvendam a morte


mas hoje, a noite vai ser mais clara
espero dormir initerrupto
porque eu vou sonhar em voo
e quando voar nesta noite, será minha casa interna

minha caligrafia

que em cada tropeço me traduz viver.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

imaginei a morte.
imaginei um filho que gritava seco dentro do meu ventre de homem e acabei dando a luz.
a morte é bem diferente do que já havia imaginado uma vez quando era tolo.
e este sofá imaginei pra você.

terça-feira, janeiro 27, 2009

se me escapa a faca.

sempre,
os bolsos em vômito,
os buchos.

essa capa se me abarca,
anjos de ruas escuras e sujas,
dessas asas impossíveis.

e tudo se me acalma ao
prostrar-me em tuas costelas,
essa armadilha.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

terça-feira, janeiro 20, 2009

para que - se um dia eu me esconder - você possa me encontrar...

...tolerando memórias,
e futuros.
a cada vez que conheço o mundo
acabo

esmiuçado


[Ontem contei,
Contei tudo que via pela frente
cheguei a contar areia, contei também os pêlos do tapete, depois as letras de um livro grosso, fui contando, os cabelos caídos no chão, contei números decifrados, contei as miligramas das coisas - minha habilidade era tamanha que não perdi e nem errei uma conta - e na hora de dormir contei escuridões a cada vez que cerrava os olhos, muitas.
De nada adiantou,
parecia haver em mim uma tromba d´água. Não, era maior, devia ser um mar revoltado, ou talver fosse maior, era uma catástrofe. E ainda não era aquilo, era deveras muito maior, uma hora achei que fosse Deus zangado]

debaixo da mesa.

sábado, janeiro 17, 2009

Interno
eu cantarolava
aquele tipo de música assim
bonitatriste
e revivia ardente - enquanto -
lugares:
e pensar que se me passeiam os pés!

que me entorno mais
se me passeiam os pés

e se me passeio enquanto
uma menina me pede dinheiro
um velho tosco se insinua pra mim
do outro lado das mesas
e quase chovia.

se me passeio?
chovia.

sábado, janeiro 03, 2009

me parece difícil

do outro lado, era ali, e nao havia ninguém
de onde dormia uma semi voz,
uma quase palavra,

seria o meu erro nascido.

letras forçadas num lugar distante

Budapeste.

terça-feira, novembro 11, 2008

se disperde
meus pêlos, as unhas, olhares
meus respiros,
o contato, o auto contato.
a linhapele.

o sabor franjo dum guaraná e
as tantas escadas duma cidade que me alucinam.

eu se me disperco.
rogado, acerca, suportado,
em tempos, dissabor.

no entanto


por outro lado
se me a faca.

se me habito,
cadê meu cada qual?

domingo, outubro 26, 2008

quinta-feira, outubro 16, 2008

Sublime

há horas que o desejo se
basta nisso que
a lentidão dum respiro

sentado domino em inocente o espaço


vivo eterno meio-dia
e que chova sobre meu mar.

sábado, setembro 27, 2008

eram correntes brancas seus pés.
todavia.

tenia huecos mi cuerpo
quando a ameaça.

desmanchado na parede
em músicasons
estabilizado na queda
soube que poderia cair ainda mais.

mas o que cabe dentro de mim.

não existe tradução.

sexta-feira, setembro 19, 2008

115

era eu tumultuado
tomado d'escuridão.

não saberia dizer

sublevado
das pedras filamentos
chão sujo
e derramado em mescla podre
eu via o singelo de uma telha.

quantos mexilhões!

nas noites seguintes
corri
consumindo lágrimas em externo,
voei organizado.

era eu divulgado
na beleza aparente das coisas.
mas a nota deve voltar
inchando a música com ascendentes e descendentes.
Alto grau meu bem, alto grau.

Quem se move frente a mim?

Ah!, entrega recorrente!

sofro palavras na sua nuca,
sofro salivas,
sofro translúcido,
sofro correr o infinito em brandos ventos no rosto
menino que corre sem pés.

sofro não sofro e pleno.

aquilo era apenas eu tumultuado
fazendo a entrega,
voltando à tona como um carteiro.

Depositando na caixa 115
um amor sem abreviaturas,
amor por extenso.

terça-feira, setembro 09, 2008

minhas extensões

[ma memoire sale]

e vem AnaC, Mansfield, Plath, Pizarnik, Rimbaud, e tantos gestos quebradiços,
estruturas passageiras
no corpo dum poema
minha monocromania dispersa nas
flores tão pouco flores que insisto
no quarto.

Minhas extensões extremas derramam


vai bem devagarinho e psiu... delicadamente
deliberadamente tirando a febre,
os livros suicídio empilhados,
segurando o que dizem - olho no olho

rememorando todos os risos e sorrisos de uma vez...
os vinhos, as cervejas, os cigarros, os sons tão perversamente felizes
as vozes confusas, os apertados abraços, as texturas, pequenas coisas salgadas, vai, vai desfazendo, e haviam olhares, proximidades

nossas proximidades quentes
- o vício -

o fazer diário que me leva aos papéis de mentira
às pilhas imaginativamente altas
de onde eu um dia ei de pular.

segunda-feira, setembro 01, 2008

em todos lugaras a casa vazia
meu harakiri poético
do que eu preciso
Dá-me agora uma bacia repleta de água

um quase poema

sexta-feira, agosto 29, 2008

tudo está calmo e suspenso

aquilo molhando meu rosto
era o texto que não consegui lhe escrever

o rabisco e todas minhas calamidades

Freqüentemente as pombas deixam de existir

sábado, agosto 23, 2008

Reminiscências

brota do ventre da minha cama
seu cheiroflor

carcome em seguidas dores
minhas valas
manifestação violenta
broca de amor

amor de aço
amor odio e aço
amoraço

onde o teu verso?
o reverso
o dorso largo
o chão em que trabalho árduo em respirações sufocantes
abafadiças

hoje meu ventre escreve em vão.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Oh minha poesia vazia

o que eu canto?
por quem eu canto?

que cor tem na minha pele
pra qual lugar devo voltar
meu boi não passa de ornamento
em que ritmo batem minhas mãos

já não são interrogações
mas procura dos pés

O meu rito solitário
reinicia.

amor
o que me mata me move.

sábado, agosto 16, 2008

suas anti-mãos me florescem casas maiores
internas
farfalha a cortina da boca

as formigas invadem a madrugada
divagam pelo assoalho

a voz do piano saindo e
teus dedos quentes a me dizer
amores

domingo, agosto 10, 2008

epítome de quem sempre desejou o vôo

dá-se no meu ao longo
instantes entumecidos.

monomanias
de amor

a reicidência do meu reflexo
só me faz assusto

o afeto em casa parece estar
alojado
onde não se vê
a casador

.de mim para o outro.

No banho um flash,
ao entrelaçar dos braços, quatro, e um parabéns
olhos entumecidos e
aluo.

Até quando?
Quando o menino sairá do canto debaixo da mesa redonda?
e de lá um país novo
e quem são seus pais
e o que

.meus imprevistos tristes.

escritos internos

sexta-feira, agosto 01, 2008

Sobretudo aos temporais

sua chuva fina debastada

mantenho firme o pau da escrita, assim tosco, e
você a me rasurar.

lava! chuvisco teu
sou em tombos
um tropeço
de poça

estaca!

sobretudo aos temporais
que emprego minha escrita

suster com estacas um amor

quarta-feira, julho 30, 2008

para que quando a chuva caia e sem meu regaço eu possa ao menos ter forças para ir além da cozinha

Expulsa!

Eu te debrucei meus líquidos,
os ossos laterais.

Quando você me vinha abrir portas - e era concreto armado o que eu mastigava com tão pouca clareza - eu me vestia toda a casa.

Esfarinho sentimentos pelo muro de espaldas!

Cascalha pelo chão remorso teus socorros
e esfrega amor pelas frestas
para que retorne sem esforço
aquilo de te ter não ter e ter.

sexta-feira, julho 25, 2008

do Lat. adorare

Ama-me longo
rabisca minhas costas mais
toda minha extensão
meus braços que duram muito
rabisca-me.
suja meus rios com tuas mãos
em negrito.

Roçaga-me o sol das tuas pernas
e brada noites.

ocorre que minhas águas
transtornam em abundância
e turvo fico eu.

Rabisca mais, que meu corpo é
muita página e quando chegares
ao homem debruçado
intacto em pleno silêncio
Beija! Beija!

Dê a si o direito a morte
Ama em extremo!

quinta-feira, julho 24, 2008

suas mãos máquina
de ação e calor
nosso firme olhar e
dentes afora
possibilidades de prazer
o que grita na minha pele
se lança longe
quando a velocidade
das suas mãos fogem
do cotidiano
o que jorra em êxtase
é meu estrondo interno
meu ôco.

segunda-feira, julho 14, 2008

compondo
intempestuoso amor
e o sol queimando tarde
pergunto a mim se um dia tudo se tornará comum
e peço que não
que o adocicado do seu corpo,
didascália perversa,
neve no andino ponto da minha carne.

mas se por acaso enlutar

de toda a raiva e ódio
um grito seco
cu
pedaço de boca na bunda
estremecidos lábios e veias luminosas

esse amar em extremo
esse estiolar de si para o outro.

prelúdios infinitos
e o cerne no oposto
das suas costas
sempre a me implorar escaladas

a noite gélida a queimar
os dedos frágeis do amor
nada mais: poucas notas

acabo como os peixes estripados pelo amor humano

quinta-feira, junho 26, 2008

onde nossas vozes leves
o contínuo dos nossos contornos
e a velocidade rara na sua voz.

onde nossas promessas
na perfurada memória
e os rastros dilacerados em nossas visões.

aqui em mim querido
infernofogo amordetarde
e a vida toda em surpresas
ou se morre ou se dura muito.

terça-feira, junho 17, 2008

me fura e fecha

Por onde andam os velhos? nossos mendigos? os desdentados, os depressivos, os cegos, os de boca torta, os mudos, onde os siameses? porque nascem siameses... os deformados, os amputados, ah! as putas, os deficientes, os estrangeiros, deus, e deus por onde anda? os perdidos, os paralíticos, os hermafroditas, os cancerosos, os talidomidas, os esquisofrênicos

o que te falta?

o que te falta?

o que te falta?

me fura! me fura com uma faca!

por onde andam?
estão escondidos dentro das casas? mas casa não é algo bonito? não é amor?

o que te falta?

já existiu beleza dentro de casa? qual é lugar da sujeira? onde eu escondo a dor? em casa? sob as unhas ruídas? onde eu guardo a vergonha?
quem te pede licença?

onde eu peço perdão?

Seu filho não te carinha porque não tem mãos. por onde ele anda? não faltam braços em seus abraços.

amor fábrica do inferno. quem te morde? quem te assopra?

o que te falta sobra em mim e mofa.

rútilo! rútilo! rútilo!
me fura e fecha!

domingo, junho 15, 2008

El intento del olvido

Meus dedos declinam em desparo.
A filha que me escorre baixo às mãos
todos os dias em pedir-me trocados:
emoção a memória curta

saio com
um piano cravado no tórax
um tapa de reviravolta
susto, mortes instantâneas:

não te enxergar mais,
você coberto de nuvens
a mesma cegueira
que me encobre
pinta meu país.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
"El presidente parecía sincero, pero hay sinceridades que tienen memoria corta, nacen de la emoción sin radicar en la ética. Duran el tiempo en que cae una lágrima. Y luego se olvidan." (César Brie, En un Sol Amarillo)

quarta-feira, junho 11, 2008

Sentir seu espaço onde minhas pétalas frias se escondem na turbulência incompleta dos afazeres domésticos e os sonhos silêncios que te imponho em sorrisos alongados e memórias matutinas de nossos corpos nus pedindo afago e não a dor__ninguém seria capaz de deitar o mundo todo em prazeres tão tênues como tenho arriscado__

----------

nossos corpos pontilhados
meus perigos diários
abortos espontâneos da contemporaneidade: pulo diariamente de prédios impressionantes do centro da cidade

caio brando: único vestígio nas elevadas janelas: não sofro

------------------------------

meu coração é um botaréu


cuidar de ti é zelar pelo mundo
cuidar de mim é amamentar o universo

[ sinto estar pronto frente ao desconhecido ]

não se morre a quem já se matou

segunda-feira, junho 09, 2008

desaparecer no ar

Quando do alto de um olhar te vi
sequei os lábios
ressumei o olhar
perdi meus pesadelos na rua.

você rabiscou minha visão


Hoje te choro todo por fora e
com os picotes das minhas unhas
te faço um ornamento simples.
Vivo com vontade de sair correndo
morro como se voasse.

quarta-feira, junho 04, 2008

....................seu som.....................
..........................................................................................................
......................................................
......................................................................................

[_______me invade em tumulto_______]

................................................................................................
.....................suas costas....................
................................................................................
...................
.......................................................................................................
[_______vejo com espanto_________]





[ transijo com amor ]

segunda-feira, junho 02, 2008

acordar de madrugada

Sua forma decaída sobre meus pedaços
sons extenuados
um arroubo de espírito.

seu conjunto é um encanto,
quedo assombrado e choroso.
Quanto amor por percorrer
e corro, corro denso,
vôo liso e
quanto ar!

Abrir os olhos é
um arrebatamento íntimo:
vibro forte, instrumento de corda.

Você se alastrou em mim.
Todas as vezes em que acordo ao teu lado
meu coração se ocupa violentamente.

quarta-feira, maio 28, 2008

Meu Eu-lembrança

Desde sempre.

No meu canto quando durmo
encostado padecido
destrilho seu corpo em mente
com monossílabos e silêncios.

Poli com habilidade nossa fuga
dedilhei voraz para que
seus sons viessem leves

nas suas garras, adormecido como um finco, um espinho reto cheio de opinião,

rendo carinhos em outras línguas
e câmbio pardo em cor.

é traçando seus declives que
descubro em mim amor.
....................ardor
....................................calor.
.........fulgor.
...............................................................................................................dor.

sexta-feira, maio 23, 2008

Espaldados nossos versos
onde a felicidade e tristeza
se anulam.

A lentidão derramada
dos nossos corpos
esparsos em qualquer cama.

Os esforços educados
dos membros trêmulos
para que o de sempre: novidade.

escalar seu corpo me custaria a vida toda
e do alto das suas costas,
no fim,
só um cair em consequências
.
.
.
.
.
. . . . . . . . . todas as cores

segunda-feira, maio 19, 2008

__meu peito de chão batido__


Ao seu lado desaprendo
todo dia o dia,
com a doença das palavras que
nos afundam os corpos
somos graves e doces.

Seria um deserto minhas costas
não fosse seus beijos
meu cimento queimado agora
reflete nossas noites brancas
e lentas:

o amor é para nós
suicidas vagarosos.

quarta-feira, maio 14, 2008

descalço em sua pele
onde já não adianta mais

me andei todo perdido:
a clareza dos dias me faltavam
a vagueza dos loucos me tomava,

de um tudo era eu o nó.
meu desperdício em outra gente
os vícios mais sofridos
eu lacônico.

um fio ácido fulgorante cortando o tempo.

E houve um cume de lucidez

era sua voz que me entrava quente

domingo, maio 11, 2008

Quando eu chorei no teu dorso esparso
foi pra dizer delicadezas

das intransigências dos nossos corpos
de todos medos e impossibilidades
do teu largo riso fácil.

Encabulados pensamentos
nossa agressiva ossatura
de todo meu barulho no silêncio do olhares.

Quando pedi uma parte tua
foi pra não brincar de amor.

quinta-feira, maio 08, 2008

De Ana para minha vida

"Se linha molhasse, ah!, se linha molhasse..."*

Nossas roupas inundariam o quarto,
os lençóis quentes escorrendo por debaixo da porta muda.
Se linha molhasse, minhas agulhas não te serviriam mais para a dor,
e que nunca sirvam!

Eu poderia viver no meu inferno,
mas a costura da sua pele,
as linhas dos seus cabelos,
o tecido da sua voz
enxarcam minha vida:

a brasa então brisa.

Se linha molhasse,
Ah,
domiríamos numa cachoeira plena,
meu amor.



* Este primeiro verso é de um texto da minha amiga (foda) Ana.
Obrigado pelas tuas palavras.

domingo, maio 04, 2008

Você é

Minha embriaguês
Minha polifonia
Minha contemporaneidade
Meu erro grave
Meu desastre
Meu solo firme
Minha redenção
Minha correnteza
Minha ventania
Meu extase
Meu ponto final
Meu gozo
Minha obra prima
Minha respiração ofegante
Minha velocidade
Meu silêncio
Meu rabisco
Meu traço
Minha poesia
Meu espetáculo

e ainda sim nada meu.


você será minha invenção___

terça-feira, abril 29, 2008

Para ficar com você

Tirei minhas escamas e deixei de ser peixe
Tirei meus pêlos longos e deixei de ser cão
Virei gente e perdi meu olhar camaleão

Inventei de voar
Fui várias profissões
Dormi dias pelo chão

Larguei família
Inventei
Tive filhos

Matei um presidente
Percorri países
Trouxe muitos souvenirs

Quebrei espelhos
Me joguei de pontes
Perdi documentos

Então depois você me diz que não.

quinta-feira, abril 17, 2008

Minha Ventania

Meu consumo próprio,
corpos semblantes
revoada de pássaros
teus cabelos frescos desempedidos
nossas tecnologias pra falar de amor

tenho vivido no olho do furacão


e é tão bom perder-me nos teus
sopros.

segunda-feira, abril 14, 2008

te escrever

Não caibo mais em mim
e onde eram as tristezas dos suicidas
agora a delicadeza do teu corpo abrupto

as tuas montanhas
tuas gotas enxarcadas
pedacinhos de papel

te levo pra chuva
deito nos teus ouvidos
um texto de amor

escolho as palavras mais incondicionais e as despejo poro por poro, em cada área calculada pelas minhas mãos trêmulas pelo êxtase de ti e quando na luta de corpos eu chegar na sua fortaleza suas costas-cor eu te abraço e nossos longilíneos segmentos se encontram simples

Então te mostro o mundo
o chôro, os ventos,
a beleza que há em te ver dormindo







tentarei te escrever a vida pelo mundo ao
meu lado.

sábado, abril 12, 2008

eu te desenhei flores
no corpo arisco
e hoje é minha
a tarefa de recolher as pétalas

e os botões que me florescem
pelos dias na confusão das nuvens

sim, e o largar-se gostoso do amor:

a manhã pedindo a tarde
a larva pedindo a borboleta
a gota pedindo a corredeira
a faca pedindo a carne
um beijo pedindo outro
os loucos pedindo o suicídio

e eu que te limpando as folhas mortas
desenhava um corpo agudo, a felicidade,
sobre seus pés pedindo o mundo

segunda-feira, abril 07, 2008

Estou no caminho
e as coisas mais bonitas quando
a vida me tirarem
__as lembranças__
seus cabelos ruidosos
as finas lágrimas e
todas as palavras em estado bruto das suas costas
mas a gente sempre existe pra dentro:
aquele absurdo poético

segunda-feira, março 31, 2008

As balas no meu corpo
ainda quente
lírios em vão.
Enquanto as paredes choravam
eu te caía sobre minha pele
num roseiral mirim roubado.

o poema sangrando.

o corpo em bala
as balas do meu corpo
em vão seu lírio chorava nas paredes
ainda quente minha pele caía.
te.
roubei o roseiral mirim

domingo, março 23, 2008

as coisas deitam sobre nós
as mães choram viejas
a matéria cresce no sentimento
e quando eu pedi de ir embora
a delicadeza confusa dos desenhos da madeira da porta
impediram que o filho fosse sua própria mãe
e sobre as coisas da casa
eu vi personagens da família
e os limpei
e troquei de lugar
mas havia toda aquela
lentidão.

segunda-feira, março 17, 2008

entraves

Eu dormi nos teus silêncios
e não percebi que
nosso amor
era de mel coado e
a casa
crua.

domingo, março 09, 2008

Eu me despeço da vida
como quem faz o poema.
Como você jantando e
minha vontade de estar nas tuas
imagens.
As flores semi-tons.

O final de tinta e nossa
desimportância
anunciam a eternidade
da memória
onde minhas rosas
tinham nosso amor
e tinham linhas amadurecidas
nossa colcha repleta de ternura
Mas os espaços e os furos

Eu me despeço da vida como
quem janta com ferocidade.
E suas mãos enfraquecidas forçando
o poema,
os talheres,
o silêncio,
nossa foto
antes nunca tirada.

terça-feira, março 04, 2008

Havia uma mulher e
suas paredes.
havia velocidade na decisão,
sons esparsos e
escuridão.

Um toque tosco de mãos alheias.

Era para si o acabamento da casa
e havia um lençol de tristezas.

Deus, tirar-me a vida agora me seria injusto.
Nunca haveria de mudar,
e era aceito,
de tudo só as coisas menores.

Entre toda a roupa suja da casa ela sentia:
Deus, entendi tudo e
talvez
devesse morrer.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Havia fuga nos olhares.
era de vermelho, meu amor.
seus pés tão
Finos,
eram ossos,
e sobre que ossos eu te ergui?

Seus ângulos agudos,
rasgados,
eu sempre nos fôra,
mas o tempo
/ ______ /

a noite seria a gente
sereia.

Te daria meu espaço
pois seus ossos tão finos
me construiam

_______________________

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Caio nas minhas gavetas
acordado estritamente pela tua voz

os panos molhados
minhas torções
todo o vidro pelo chão

estilhaços e douçuras

eu me teria salvado
mas seu sorriso e barulhos
/ eram dentes aquelas louças brancas? /
me jogam a quilômetros de distância

e novamente os vidros
o quebradiço
e tudo mais que eu poderia escrever nas suas
costas.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Meus Florais

nossas rugas espalhadas pelo chão
micro recados impregnados
de palavras russas o amor.
te concedo telefonemas e
a vida correndo como quem
a chegada do fim.

minhas xícaras o café
caído e as janelas abertas
como quem gritasse lá
de baixo
pula!

pula!

pula!

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

está paralizado como a velha sonata,
os loucos que se juntam sempre para
revivê-la.
Hoje ainda pela manhã
andava morta e assustadiça
com seus lustres empoeirados
e tinha sobreapego
mergulhos diários pelas paredes,
o olhar extremo da família
o cenho grave
a sala pronta
e o seu deusdeaço.

Queria não parar de tocar
com os seus ágeis dedosrefúgio.

sempre.

Para H.H.

Quebre-me os dedos,
e não adianta.
Corte-me a língua
e não adianta.
Tire-me o coração.
Acelerem os processos
e meus tacos soltos.
Tranque-me os cães.
Meus tanques
e o serviço diário de te amar,
Mas não adianta.
Há um sol dentro de mim:
Minhas cortinas ventiladas.
A garganta em frinchas
pelo direito de não estar.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

entre os ângulos da minha garganta estava você, honey.
pelo caminho
ali bem na beleza.
o nosso plexo minúsculo e
a vida impressa num guardanapo.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

A casa me presume.
Persegue. As minhas janelas
e todos os números.
Quanta imobilidade a dos lares.
Toda arquitetura inútil. Em
tantos pressupostos
é que se resume o lar, o par.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

pingo na pele
corro meu sangue
toda essa velocidade me espanta
nela vivo sôfrega e me atiro
me expando
viro música
a gente dança
nossos filhos caem,
nossos pais se vão,
a cada dia pinga no chão minha pele
a casa pinga toda em mim
a toda hora a gente se desfaz
nosso amor de perto fica longe
e da música só a velocidade.