domingo, julho 26, 2026

perder o sono
pelas madrugadas
mudar incessantemente os
(poucos)
móveis da casa
reencontrar diariamente
(quando fecho os olhos no banho)
velhos medos
chegou o momento
(mais um)
em que alinhamentos
(de todas as ordens)
abrem uma espécie de portal
em que devo atravessar
(minha)
verdade terrível
Até mesmo a torneira
com sua linguagem
escreve um
conto
escreve dois
poemas
escreve três
romances
já meus canos
repletos de ar
com muito esforço
apenas borbotam
sentimentos
silenciados
invejo os pingos
e a coragem de
seguir dizendo
sim
sim
sim

segunda-feira, julho 20, 2026

as crianças choraram
ela chorou também
no quarto ao lado
avó e avô firmaram a
barreira dos olhos
para que não cedessem
- lagos antigos de águas turvas -
aos poucos, depois
como se os ruídos da irracionalidade
alcançassem o último estágio possível
onde sentimos uma espécie de vergonha
- ou de cansaço -
foi se fabricando um silêncio
comprido, vez ou outra adereçado
com sonzinhos despistados
fungadas, gavetas se abrindo,
portas rangendo, arfadas, torneiras,
sonidos cada vez mais baixos, distantes
e escassos
ninguém ousou sair de seus pequenos mundos
todos interligados por um temido corredor estreito
até quando bordaríamos aquele fio
invisível da linguagem?

domingo, dezembro 15, 2024

vou fugir 

assim começa

o poema

talvez apenas

fugi

assim começaria o verbo no

tempo

transporta para lá

lembro de uma foto dos anos 90

num estúdio com uma imagem 

do monte japonês atrás 

o mais longe já fui

agora rio e me arrependendo

o verbo

ou o tempo 

é besteira

se em nenhuma outra

língua faz sentido

é como se a terrível 

verdade morasse 

dentro da minha boca e agora

eu tivesse de engoli-la como

estratégia de fuga

penso melhor 

o poema:

vou fingir


acordei muito cedo como

de costume mesmo

sendo domingo fiz 

café e ovos e senti 

uma alegria há tanto

esquecida ao 

decidir que o meu 

compromisso seria dedicar

meu tempo para

trabalhar um poema - pensar 

melhor as palavras e

naquele instante - maravilhado - senti

a inutilidade 

das coisas que

quando invadem borram

o sentido de tudo como

nas maratonas em que 

parte-se da mesma linha em 

que se deve chegar

- o trajeto é o poema -

anoiteceu




terça-feira, fevereiro 15, 2022

os cadernos antigos
abrigam
o não
o mofo
a seca
rosa
risco
ranhuras
sentimentos em deformação
de palavras
agora as folhas
soltas no chão
o vento
espalha
e grita
cada um de nós

terça-feira, junho 19, 2018

Mudei de país
Para fugir de 
você                                     eu

Te levei comigo
Me deixei
contigo.

domingo, novembro 19, 2017

sábado, outubro 14, 2017




se fosse
se morresse
se falasse
se gritasse
se deixasse
ah
se você
deixasse




se você
deixasse
ah
se você 
deixasse
I hid.
It was my way of
appear.
In all
that I promised to read
to look like
more intelligent
in this dumb world.
all the drunken laughs,
my solitudes
in this boil
world.
I'm so lost
so lover I am
Why in this world?
This dark room.
I'm a kid. I wish I had been more pissed.
But that's it. There is no time for regrets.
Edith said.
But who is with me now?
Hands with whom, Joseph?
I fear I run.
No one will know what to say next.