domingo, julho 26, 2026

perder o sono
pelas madrugadas
mudar incessantemente os
(poucos)
móveis da casa
reencontrar diariamente
(quando fecho os olhos no banho)
velhos medos
chegou o momento
(mais um)
em que alinhamentos
(de todas as ordens)
abrem uma espécie de portal
em que devo atravessar
(minha)
verdade terrível
Até mesmo a torneira
com sua linguagem
escreve um
conto
escreve dois
poemas
escreve três
romances
já meus canos
repletos de ar
com muito esforço
apenas borbotam
sentimentos
silenciados
invejo os pingos
e a coragem de
seguir dizendo
sim
sim
sim

segunda-feira, julho 20, 2026

as crianças choraram
ela chorou também
no quarto ao lado
avó e avô firmaram a
barreira dos olhos
para que não cedessem
- lagos antigos de águas turvas -
aos poucos, depois
como se os ruídos da irracionalidade
alcançassem o último estágio possível
onde sentimos uma espécie de vergonha
- ou de cansaço -
foi se fabricando um silêncio
comprido, vez ou outra adereçado
com sonzinhos despistados
fungadas, gavetas se abrindo,
portas rangendo, arfadas, torneiras,
sonidos cada vez mais baixos, distantes
e escassos
ninguém ousou sair de seus pequenos mundos
todos interligados por um temido corredor estreito
até quando bordaríamos aquele fio
invisível da linguagem?