as crianças choraram
ela chorou também
no quarto ao lado
avó e avô firmaram a
barreira dos olhos
para que não cedessem
- lagos antigos de águas turvas -
aos poucos, depois
como se os ruídos da irracionalidade
alcançassem o último estágio possível
onde sentimos uma espécie de vergonha
- ou de cansaço -
foi se fabricando um silêncio
comprido, vez ou outra adereçado
com sonzinhos despistados
fungadas, gavetas se abrindo,
portas rangendo, arfadas, torneiras,
sonidos cada vez mais baixos, distantes
e escassos
ninguém ousou sair de seus pequenos mundos
todos interligados por um temido corredor estreito
até quando bordaríamos aquele fio
invisível da linguagem?
Nenhum comentário:
Postar um comentário