se disperde
meus pêlos, as unhas, olhares
meus respiros,
o contato, o auto contato.
a linhapele.
o sabor franjo dum guaraná e
as tantas escadas duma cidade que me alucinam.
eu se me disperco.
rogado, acerca, suportado,
em tempos, dissabor.
no entanto
por outro lado
se me a faca.
se me habito,
cadê meu cada qual?
terça-feira, novembro 11, 2008
quinta-feira, outubro 16, 2008
sábado, setembro 27, 2008
sexta-feira, setembro 19, 2008
115
era eu tumultuado
tomado d'escuridão.
não saberia dizer
sublevado
das pedras filamentos
chão sujo
e derramado em mescla podre
eu via o singelo de uma telha.
quantos mexilhões!
nas noites seguintes
corri
consumindo lágrimas em externo,
voei organizado.
era eu divulgado
na beleza aparente das coisas.
mas a nota deve voltar
inchando a música com ascendentes e descendentes.
Alto grau meu bem, alto grau.
Quem se move frente a mim?
Ah!, entrega recorrente!
sofro palavras na sua nuca,
sofro salivas,
sofro translúcido,
sofro correr o infinito em brandos ventos no rosto
menino que corre sem pés.
sofro não sofro e pleno.
aquilo era apenas eu tumultuado
fazendo a entrega,
voltando à tona como um carteiro.
Depositando na caixa 115
um amor sem abreviaturas,
amor por extenso.
tomado d'escuridão.
não saberia dizer
sublevado
das pedras filamentos
chão sujo
e derramado em mescla podre
eu via o singelo de uma telha.
quantos mexilhões!
nas noites seguintes
corri
consumindo lágrimas em externo,
voei organizado.
era eu divulgado
na beleza aparente das coisas.
mas a nota deve voltar
inchando a música com ascendentes e descendentes.
Alto grau meu bem, alto grau.
Quem se move frente a mim?
Ah!, entrega recorrente!
sofro palavras na sua nuca,
sofro salivas,
sofro translúcido,
sofro correr o infinito em brandos ventos no rosto
menino que corre sem pés.
sofro não sofro e pleno.
aquilo era apenas eu tumultuado
fazendo a entrega,
voltando à tona como um carteiro.
Depositando na caixa 115
um amor sem abreviaturas,
amor por extenso.
terça-feira, setembro 09, 2008
minhas extensões
[ma memoire sale]
e vem AnaC, Mansfield, Plath, Pizarnik, Rimbaud, e tantos gestos quebradiços,
estruturas passageiras
no corpo dum poema
minha monocromania dispersa nas
flores tão pouco flores que insisto
no quarto.
Minhas extensões extremas derramam
vai bem devagarinho e psiu... delicadamente
deliberadamente tirando a febre,
os livros suicídio empilhados,
segurando o que dizem - olho no olho
rememorando todos os risos e sorrisos de uma vez...
os vinhos, as cervejas, os cigarros, os sons tão perversamente felizes
as vozes confusas, os apertados abraços, as texturas, pequenas coisas salgadas, vai, vai desfazendo, e haviam olhares, proximidades
nossas proximidades quentes
- o vício -
o fazer diário que me leva aos papéis de mentira
às pilhas imaginativamente altas
de onde eu um dia ei de pular.
e vem AnaC, Mansfield, Plath, Pizarnik, Rimbaud, e tantos gestos quebradiços,
estruturas passageiras
no corpo dum poema
minha monocromania dispersa nas
flores tão pouco flores que insisto
no quarto.
Minhas extensões extremas derramam
vai bem devagarinho e psiu... delicadamente
deliberadamente tirando a febre,
os livros suicídio empilhados,
segurando o que dizem - olho no olho
rememorando todos os risos e sorrisos de uma vez...
os vinhos, as cervejas, os cigarros, os sons tão perversamente felizes
as vozes confusas, os apertados abraços, as texturas, pequenas coisas salgadas, vai, vai desfazendo, e haviam olhares, proximidades
nossas proximidades quentes
- o vício -
o fazer diário que me leva aos papéis de mentira
às pilhas imaginativamente altas
de onde eu um dia ei de pular.
segunda-feira, setembro 01, 2008
sexta-feira, agosto 29, 2008
tudo está calmo e suspenso
aquilo molhando meu rosto
era o texto que não consegui lhe escrever
o rabisco e todas minhas calamidades
Freqüentemente as pombas deixam de existir
era o texto que não consegui lhe escrever
o rabisco e todas minhas calamidades
Freqüentemente as pombas deixam de existir
sábado, agosto 23, 2008
Reminiscências
brota do ventre da minha cama
seu cheiroflor
carcome em seguidas dores
minhas valas
manifestação violenta
broca de amor
amor de aço
amor odio e aço
amoraço
onde o teu verso?
o reverso
o dorso largo
o chão em que trabalho árduo em respirações sufocantes
abafadiças
hoje meu ventre escreve em vão.
seu cheiroflor
carcome em seguidas dores
minhas valas
manifestação violenta
broca de amor
amor de aço
amor odio e aço
amoraço
onde o teu verso?
o reverso
o dorso largo
o chão em que trabalho árduo em respirações sufocantes
abafadiças
hoje meu ventre escreve em vão.
segunda-feira, agosto 18, 2008
sábado, agosto 16, 2008
sexta-feira, agosto 15, 2008
domingo, agosto 10, 2008
epítome de quem sempre desejou o vôo
dá-se no meu ao longo
instantes entumecidos.
monomanias
de amor
a reicidência do meu reflexo
só me faz assusto
o afeto em casa parece estar
alojado
onde não se vê
a casador
.de mim para o outro.
No banho um flash,
ao entrelaçar dos braços, quatro, e um parabéns
olhos entumecidos e
aluo.
Até quando?
Quando o menino sairá do canto debaixo da mesa redonda?
e de lá um país novo
e quem são seus pais
e o que
.meus imprevistos tristes.
escritos internos
instantes entumecidos.
monomanias
de amor
a reicidência do meu reflexo
só me faz assusto
o afeto em casa parece estar
alojado
onde não se vê
a casador
.de mim para o outro.
No banho um flash,
ao entrelaçar dos braços, quatro, e um parabéns
olhos entumecidos e
aluo.
Até quando?
Quando o menino sairá do canto debaixo da mesa redonda?
e de lá um país novo
e quem são seus pais
e o que
.meus imprevistos tristes.
escritos internos
sexta-feira, agosto 01, 2008
Sobretudo aos temporais
sua chuva fina debastada
mantenho firme o pau da escrita, assim tosco, e
você a me rasurar.
lava! chuvisco teu
sou em tombos
um tropeço
de poça
estaca!
sobretudo aos temporais
que emprego minha escrita
suster com estacas um amor
mantenho firme o pau da escrita, assim tosco, e
você a me rasurar.
lava! chuvisco teu
sou em tombos
um tropeço
de poça
estaca!
sobretudo aos temporais
que emprego minha escrita
suster com estacas um amor
quarta-feira, julho 30, 2008
para que quando a chuva caia e sem meu regaço eu possa ao menos ter forças para ir além da cozinha
Expulsa!
Eu te debrucei meus líquidos,
os ossos laterais.
Quando você me vinha abrir portas - e era concreto armado o que eu mastigava com tão pouca clareza - eu me vestia toda a casa.
Esfarinho sentimentos pelo muro de espaldas!
Cascalha pelo chão remorso teus socorros
e esfrega amor pelas frestas
para que retorne sem esforço
aquilo de te ter não ter e ter.
Eu te debrucei meus líquidos,
os ossos laterais.
Quando você me vinha abrir portas - e era concreto armado o que eu mastigava com tão pouca clareza - eu me vestia toda a casa.
Esfarinho sentimentos pelo muro de espaldas!
Cascalha pelo chão remorso teus socorros
e esfrega amor pelas frestas
para que retorne sem esforço
aquilo de te ter não ter e ter.
sexta-feira, julho 25, 2008
do Lat. adorare
Ama-me longo
rabisca minhas costas mais
toda minha extensão
meus braços que duram muito
rabisca-me.
suja meus rios com tuas mãos
em negrito.
Roçaga-me o sol das tuas pernas
e brada noites.
ocorre que minhas águas
transtornam em abundância
e turvo fico eu.
Rabisca mais, que meu corpo é
muita página e quando chegares
ao homem debruçado
intacto em pleno silêncio
Beija! Beija!
Dê a si o direito a morte
Ama em extremo!
rabisca minhas costas mais
toda minha extensão
meus braços que duram muito
rabisca-me.
suja meus rios com tuas mãos
em negrito.
Roçaga-me o sol das tuas pernas
e brada noites.
ocorre que minhas águas
transtornam em abundância
e turvo fico eu.
Rabisca mais, que meu corpo é
muita página e quando chegares
ao homem debruçado
intacto em pleno silêncio
Beija! Beija!
Dê a si o direito a morte
Ama em extremo!
quinta-feira, julho 24, 2008
segunda-feira, julho 14, 2008
compondo
intempestuoso amor
e o sol queimando tarde
pergunto a mim se um dia tudo se tornará comum
e peço que não
que o adocicado do seu corpo,
didascália perversa,
neve no andino ponto da minha carne.
mas se por acaso enlutar
de toda a raiva e ódio
um grito seco
cu
pedaço de boca na bunda
estremecidos lábios e veias luminosas
esse amar em extremo
esse estiolar de si para o outro.
prelúdios infinitos
e o cerne no oposto
das suas costas
sempre a me implorar escaladas
a noite gélida a queimar
os dedos frágeis do amor
nada mais: poucas notas
acabo como os peixes estripados pelo amor humano
intempestuoso amor
e o sol queimando tarde
pergunto a mim se um dia tudo se tornará comum
e peço que não
que o adocicado do seu corpo,
didascália perversa,
neve no andino ponto da minha carne.
mas se por acaso enlutar
de toda a raiva e ódio
um grito seco
cu
pedaço de boca na bunda
estremecidos lábios e veias luminosas
esse amar em extremo
esse estiolar de si para o outro.
prelúdios infinitos
e o cerne no oposto
das suas costas
sempre a me implorar escaladas
a noite gélida a queimar
os dedos frágeis do amor
nada mais: poucas notas
acabo como os peixes estripados pelo amor humano
quinta-feira, junho 26, 2008
terça-feira, junho 17, 2008
me fura e fecha
Por onde andam os velhos? nossos mendigos? os desdentados, os depressivos, os cegos, os de boca torta, os mudos, onde os siameses? porque nascem siameses... os deformados, os amputados, ah! as putas, os deficientes, os estrangeiros, deus, e deus por onde anda? os perdidos, os paralíticos, os hermafroditas, os cancerosos, os talidomidas, os esquisofrênicos
o que te falta?
o que te falta?
o que te falta?
me fura! me fura com uma faca!
por onde andam?
estão escondidos dentro das casas? mas casa não é algo bonito? não é amor?
o que te falta?
já existiu beleza dentro de casa? qual é lugar da sujeira? onde eu escondo a dor? em casa? sob as unhas ruídas? onde eu guardo a vergonha?
quem te pede licença?
onde eu peço perdão?
Seu filho não te carinha porque não tem mãos. por onde ele anda? não faltam braços em seus abraços.
amor fábrica do inferno. quem te morde? quem te assopra?
o que te falta sobra em mim e mofa.
rútilo! rútilo! rútilo!
me fura e fecha!
o que te falta?
o que te falta?
o que te falta?
me fura! me fura com uma faca!
por onde andam?
estão escondidos dentro das casas? mas casa não é algo bonito? não é amor?
o que te falta?
já existiu beleza dentro de casa? qual é lugar da sujeira? onde eu escondo a dor? em casa? sob as unhas ruídas? onde eu guardo a vergonha?
quem te pede licença?
onde eu peço perdão?
Seu filho não te carinha porque não tem mãos. por onde ele anda? não faltam braços em seus abraços.
amor fábrica do inferno. quem te morde? quem te assopra?
o que te falta sobra em mim e mofa.
rútilo! rútilo! rútilo!
me fura e fecha!
domingo, junho 15, 2008
El intento del olvido
Meus dedos declinam em desparo.
A filha que me escorre baixo às mãos
todos os dias em pedir-me trocados:
emoção a memória curta
saio com
um piano cravado no tórax
um tapa de reviravolta
susto, mortes instantâneas:
não te enxergar mais,
você coberto de nuvens
a mesma cegueira
que me encobre
pinta meu país.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
"El presidente parecía sincero, pero hay sinceridades que tienen memoria corta, nacen de la emoción sin radicar en la ética. Duran el tiempo en que cae una lágrima. Y luego se olvidan." (César Brie, En un Sol Amarillo)
A filha que me escorre baixo às mãos
todos os dias em pedir-me trocados:
emoção a memória curta
saio com
um piano cravado no tórax
um tapa de reviravolta
susto, mortes instantâneas:
não te enxergar mais,
você coberto de nuvens
a mesma cegueira
que me encobre
pinta meu país.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
"El presidente parecía sincero, pero hay sinceridades que tienen memoria corta, nacen de la emoción sin radicar en la ética. Duran el tiempo en que cae una lágrima. Y luego se olvidan." (César Brie, En un Sol Amarillo)
quarta-feira, junho 11, 2008
Sentir seu espaço onde minhas pétalas frias se escondem na turbulência incompleta dos afazeres domésticos e os sonhos silêncios que te imponho em sorrisos alongados e memórias matutinas de nossos corpos nus pedindo afago e não a dor__ninguém seria capaz de deitar o mundo todo em prazeres tão tênues como tenho arriscado__
----------
nossos corpos pontilhados
meus perigos diários
abortos espontâneos da contemporaneidade: pulo diariamente de prédios impressionantes do centro da cidade
caio brando: único vestígio nas elevadas janelas: não sofro
------------------------------
meu coração é um botaréu
cuidar de ti é zelar pelo mundo
cuidar de mim é amamentar o universo
[ sinto estar pronto frente ao desconhecido ]
não se morre a quem já se matou
----------
nossos corpos pontilhados
meus perigos diários
abortos espontâneos da contemporaneidade: pulo diariamente de prédios impressionantes do centro da cidade
caio brando: único vestígio nas elevadas janelas: não sofro
------------------------------
meu coração é um botaréu
cuidar de ti é zelar pelo mundo
cuidar de mim é amamentar o universo
[ sinto estar pronto frente ao desconhecido ]
não se morre a quem já se matou
segunda-feira, junho 09, 2008
desaparecer no ar
Quando do alto de um olhar te vi
sequei os lábios
ressumei o olhar
perdi meus pesadelos na rua.
você rabiscou minha visão
Hoje te choro todo por fora e
com os picotes das minhas unhas
te faço um ornamento simples.
Vivo com vontade de sair correndo
morro como se voasse.
sequei os lábios
ressumei o olhar
perdi meus pesadelos na rua.
você rabiscou minha visão
Hoje te choro todo por fora e
com os picotes das minhas unhas
te faço um ornamento simples.
Vivo com vontade de sair correndo
morro como se voasse.
quarta-feira, junho 04, 2008
....................seu som.....................
..........................................................................................................
......................................................
......................................................................................
[_______me invade em tumulto_______]
................................................................................................
.....................suas costas....................
................................................................................
...................
.......................................................................................................
[_______vejo com espanto_________]
[ transijo com amor ]
..........................................................................................................
......................................................
......................................................................................
[_______me invade em tumulto_______]
................................................................................................
.....................suas costas....................
................................................................................
...................
.......................................................................................................
[_______vejo com espanto_________]
[ transijo com amor ]
segunda-feira, junho 02, 2008
acordar de madrugada
Sua forma decaída sobre meus pedaços
sons extenuados
um arroubo de espírito.
seu conjunto é um encanto,
quedo assombrado e choroso.
Quanto amor por percorrer
e corro, corro denso,
vôo liso e
quanto ar!
Abrir os olhos é
um arrebatamento íntimo:
vibro forte, instrumento de corda.
Você se alastrou em mim.
Todas as vezes em que acordo ao teu lado
meu coração se ocupa violentamente.
sons extenuados
um arroubo de espírito.
seu conjunto é um encanto,
quedo assombrado e choroso.
Quanto amor por percorrer
e corro, corro denso,
vôo liso e
quanto ar!
Abrir os olhos é
um arrebatamento íntimo:
vibro forte, instrumento de corda.
Você se alastrou em mim.
Todas as vezes em que acordo ao teu lado
meu coração se ocupa violentamente.
quarta-feira, maio 28, 2008
Meu Eu-lembrança
Desde sempre.
No meu canto quando durmo
encostado padecido
destrilho seu corpo em mente
com monossílabos e silêncios.
Poli com habilidade nossa fuga
dedilhei voraz para que
seus sons viessem leves
nas suas garras, adormecido como um finco, um espinho reto cheio de opinião,
rendo carinhos em outras línguas
e câmbio pardo em cor.
é traçando seus declives que
descubro em mim amor.
....................ardor
....................................calor.
.........fulgor.
...............................................................................................................dor.
No meu canto quando durmo
encostado padecido
destrilho seu corpo em mente
com monossílabos e silêncios.
Poli com habilidade nossa fuga
dedilhei voraz para que
seus sons viessem leves
nas suas garras, adormecido como um finco, um espinho reto cheio de opinião,
rendo carinhos em outras línguas
e câmbio pardo em cor.
é traçando seus declives que
descubro em mim amor.
....................ardor
....................................calor.
.........fulgor.
...............................................................................................................dor.
sexta-feira, maio 23, 2008
Espaldados nossos versos
onde a felicidade e tristeza
se anulam.
A lentidão derramada
dos nossos corpos
esparsos em qualquer cama.
Os esforços educados
dos membros trêmulos
para que o de sempre: novidade.
escalar seu corpo me custaria a vida toda
e do alto das suas costas,
no fim,
só um cair em consequências
.
.
.
.
.
. . . . . . . . . todas as cores
onde a felicidade e tristeza
se anulam.
A lentidão derramada
dos nossos corpos
esparsos em qualquer cama.
Os esforços educados
dos membros trêmulos
para que o de sempre: novidade.
escalar seu corpo me custaria a vida toda
e do alto das suas costas,
no fim,
só um cair em consequências
.
.
.
.
.
. . . . . . . . . todas as cores
segunda-feira, maio 19, 2008
quarta-feira, maio 14, 2008
descalço em sua pele
onde já não adianta mais
me andei todo perdido:
a clareza dos dias me faltavam
a vagueza dos loucos me tomava,
de um tudo era eu o nó.
meu desperdício em outra gente
os vícios mais sofridos
eu lacônico.
um fio ácido fulgorante cortando o tempo.
E houve um cume de lucidez
era sua voz que me entrava quente
onde já não adianta mais
me andei todo perdido:
a clareza dos dias me faltavam
a vagueza dos loucos me tomava,
de um tudo era eu o nó.
meu desperdício em outra gente
os vícios mais sofridos
eu lacônico.
um fio ácido fulgorante cortando o tempo.
E houve um cume de lucidez
era sua voz que me entrava quente
domingo, maio 11, 2008
quinta-feira, maio 08, 2008
De Ana para minha vida
"Se linha molhasse, ah!, se linha molhasse..."*
Nossas roupas inundariam o quarto,
os lençóis quentes escorrendo por debaixo da porta muda.
Se linha molhasse, minhas agulhas não te serviriam mais para a dor,
e que nunca sirvam!
Eu poderia viver no meu inferno,
mas a costura da sua pele,
as linhas dos seus cabelos,
o tecido da sua voz
enxarcam minha vida:
a brasa então brisa.
Se linha molhasse,
Ah,
domiríamos numa cachoeira plena,
meu amor.
* Este primeiro verso é de um texto da minha amiga (foda) Ana.
Obrigado pelas tuas palavras.
Nossas roupas inundariam o quarto,
os lençóis quentes escorrendo por debaixo da porta muda.
Se linha molhasse, minhas agulhas não te serviriam mais para a dor,
e que nunca sirvam!
Eu poderia viver no meu inferno,
mas a costura da sua pele,
as linhas dos seus cabelos,
o tecido da sua voz
enxarcam minha vida:
a brasa então brisa.
Se linha molhasse,
Ah,
domiríamos numa cachoeira plena,
meu amor.
* Este primeiro verso é de um texto da minha amiga (foda) Ana.
Obrigado pelas tuas palavras.
domingo, maio 04, 2008
Você é
Minha embriaguês
Minha polifonia
Minha contemporaneidade
Meu erro grave
Meu desastre
Meu solo firme
Minha redenção
Minha correnteza
Minha ventania
Meu extase
Meu ponto final
Meu gozo
Minha obra prima
Minha respiração ofegante
Minha velocidade
Meu silêncio
Meu rabisco
Meu traço
Minha poesia
Meu espetáculo
e ainda sim nada meu.
você será minha invenção___
Minha polifonia
Minha contemporaneidade
Meu erro grave
Meu desastre
Meu solo firme
Minha redenção
Minha correnteza
Minha ventania
Meu extase
Meu ponto final
Meu gozo
Minha obra prima
Minha respiração ofegante
Minha velocidade
Meu silêncio
Meu rabisco
Meu traço
Minha poesia
Meu espetáculo
e ainda sim nada meu.
você será minha invenção___
terça-feira, abril 29, 2008
Para ficar com você
Tirei minhas escamas e deixei de ser peixe
Tirei meus pêlos longos e deixei de ser cão
Virei gente e perdi meu olhar camaleão
Inventei de voar
Fui várias profissões
Dormi dias pelo chão
Larguei família
Inventei
Tive filhos
Matei um presidente
Percorri países
Trouxe muitos souvenirs
Quebrei espelhos
Me joguei de pontes
Perdi documentos
Então depois você me diz que não.
Tirei meus pêlos longos e deixei de ser cão
Virei gente e perdi meu olhar camaleão
Inventei de voar
Fui várias profissões
Dormi dias pelo chão
Larguei família
Inventei
Tive filhos
Matei um presidente
Percorri países
Trouxe muitos souvenirs
Quebrei espelhos
Me joguei de pontes
Perdi documentos
Então depois você me diz que não.
quinta-feira, abril 17, 2008
Minha Ventania
Meu consumo próprio,
corpos semblantes
revoada de pássaros
teus cabelos frescos desempedidos
nossas tecnologias pra falar de amor
tenho vivido no olho do furacão
e é tão bom perder-me nos teus
sopros.
corpos semblantes
revoada de pássaros
teus cabelos frescos desempedidos
nossas tecnologias pra falar de amor
tenho vivido no olho do furacão
e é tão bom perder-me nos teus
sopros.
segunda-feira, abril 14, 2008
te escrever
Não caibo mais em mim
e onde eram as tristezas dos suicidas
agora a delicadeza do teu corpo abrupto
as tuas montanhas
tuas gotas enxarcadas
pedacinhos de papel
te levo pra chuva
deito nos teus ouvidos
um texto de amor
escolho as palavras mais incondicionais e as despejo poro por poro, em cada área calculada pelas minhas mãos trêmulas pelo êxtase de ti e quando na luta de corpos eu chegar na sua fortaleza suas costas-cor eu te abraço e nossos longilíneos segmentos se encontram simples
Então te mostro o mundo
o chôro, os ventos,
a beleza que há em te ver dormindo
tentarei te escrever a vida pelo mundo ao
meu lado.
e onde eram as tristezas dos suicidas
agora a delicadeza do teu corpo abrupto
as tuas montanhas
tuas gotas enxarcadas
pedacinhos de papel
te levo pra chuva
deito nos teus ouvidos
um texto de amor
escolho as palavras mais incondicionais e as despejo poro por poro, em cada área calculada pelas minhas mãos trêmulas pelo êxtase de ti e quando na luta de corpos eu chegar na sua fortaleza suas costas-cor eu te abraço e nossos longilíneos segmentos se encontram simples
Então te mostro o mundo
o chôro, os ventos,
a beleza que há em te ver dormindo
tentarei te escrever a vida pelo mundo ao
meu lado.
sábado, abril 12, 2008
eu te desenhei flores
no corpo arisco
e hoje é minha
a tarefa de recolher as pétalas
e os botões que me florescem
pelos dias na confusão das nuvens
sim, e o largar-se gostoso do amor:
a manhã pedindo a tarde
a larva pedindo a borboleta
a gota pedindo a corredeira
a faca pedindo a carne
um beijo pedindo outro
os loucos pedindo o suicídio
e eu que te limpando as folhas mortas
desenhava um corpo agudo, a felicidade,
sobre seus pés pedindo o mundo
no corpo arisco
e hoje é minha
a tarefa de recolher as pétalas
e os botões que me florescem
pelos dias na confusão das nuvens
sim, e o largar-se gostoso do amor:
a manhã pedindo a tarde
a larva pedindo a borboleta
a gota pedindo a corredeira
a faca pedindo a carne
um beijo pedindo outro
os loucos pedindo o suicídio
e eu que te limpando as folhas mortas
desenhava um corpo agudo, a felicidade,
sobre seus pés pedindo o mundo
segunda-feira, abril 07, 2008
segunda-feira, março 31, 2008
domingo, março 23, 2008
as coisas deitam sobre nós
as mães choram viejas
a matéria cresce no sentimento
e quando eu pedi de ir embora
a delicadeza confusa dos desenhos da madeira da porta
impediram que o filho fosse sua própria mãe
e sobre as coisas da casa
eu vi personagens da família
e os limpei
e troquei de lugar
mas havia toda aquela
lentidão.
as mães choram viejas
a matéria cresce no sentimento
e quando eu pedi de ir embora
a delicadeza confusa dos desenhos da madeira da porta
impediram que o filho fosse sua própria mãe
e sobre as coisas da casa
eu vi personagens da família
e os limpei
e troquei de lugar
mas havia toda aquela
lentidão.
segunda-feira, março 17, 2008
domingo, março 09, 2008
Eu me despeço da vida
como quem faz o poema.
Como você jantando e
minha vontade de estar nas tuas
imagens.
As flores semi-tons.
O final de tinta e nossa
desimportância
anunciam a eternidade
da memória
onde minhas rosas
tinham nosso amor
e tinham linhas amadurecidas
nossa colcha repleta de ternura
Mas os espaços e os furos
Eu me despeço da vida como
quem janta com ferocidade.
E suas mãos enfraquecidas forçando
o poema,
os talheres,
o silêncio,
nossa foto
antes nunca tirada.
como quem faz o poema.
Como você jantando e
minha vontade de estar nas tuas
imagens.
As flores semi-tons.
O final de tinta e nossa
desimportância
anunciam a eternidade
da memória
onde minhas rosas
tinham nosso amor
e tinham linhas amadurecidas
nossa colcha repleta de ternura
Mas os espaços e os furos
Eu me despeço da vida como
quem janta com ferocidade.
E suas mãos enfraquecidas forçando
o poema,
os talheres,
o silêncio,
nossa foto
antes nunca tirada.
terça-feira, março 04, 2008
Havia uma mulher e
suas paredes.
havia velocidade na decisão,
sons esparsos e
escuridão.
Um toque tosco de mãos alheias.
Era para si o acabamento da casa
e havia um lençol de tristezas.
Deus, tirar-me a vida agora me seria injusto.
Nunca haveria de mudar,
e era aceito,
de tudo só as coisas menores.
Entre toda a roupa suja da casa ela sentia:
Deus, entendi tudo e
talvez
devesse morrer.
suas paredes.
havia velocidade na decisão,
sons esparsos e
escuridão.
Um toque tosco de mãos alheias.
Era para si o acabamento da casa
e havia um lençol de tristezas.
Deus, tirar-me a vida agora me seria injusto.
Nunca haveria de mudar,
e era aceito,
de tudo só as coisas menores.
Entre toda a roupa suja da casa ela sentia:
Deus, entendi tudo e
talvez
devesse morrer.
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
terça-feira, fevereiro 26, 2008
Caio nas minhas gavetas
acordado estritamente pela tua voz
os panos molhados
minhas torções
todo o vidro pelo chão
estilhaços e douçuras
eu me teria salvado
mas seu sorriso e barulhos
/ eram dentes aquelas louças brancas? /
me jogam a quilômetros de distância
e novamente os vidros
o quebradiço
e tudo mais que eu poderia escrever nas suas
costas.
acordado estritamente pela tua voz
os panos molhados
minhas torções
todo o vidro pelo chão
estilhaços e douçuras
eu me teria salvado
mas seu sorriso e barulhos
/ eram dentes aquelas louças brancas? /
me jogam a quilômetros de distância
e novamente os vidros
o quebradiço
e tudo mais que eu poderia escrever nas suas
costas.
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
Meus Florais
nossas rugas espalhadas pelo chão
micro recados impregnados
de palavras russas o amor.
te concedo telefonemas e
a vida correndo como quem
a chegada do fim.
minhas xícaras o café
caído e as janelas abertas
como quem gritasse lá
de baixo
pula!
pula!
pula!
micro recados impregnados
de palavras russas o amor.
te concedo telefonemas e
a vida correndo como quem
a chegada do fim.
minhas xícaras o café
caído e as janelas abertas
como quem gritasse lá
de baixo
pula!
pula!
pula!
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
está paralizado como a velha sonata,
os loucos que se juntam sempre para
revivê-la.
Hoje ainda pela manhã
andava morta e assustadiça
com seus lustres empoeirados
e tinha sobreapego
mergulhos diários pelas paredes,
o olhar extremo da família
o cenho grave
a sala pronta
e o seu deusdeaço.
Queria não parar de tocar
com os seus ágeis dedosrefúgio.
sempre.
os loucos que se juntam sempre para
revivê-la.
Hoje ainda pela manhã
andava morta e assustadiça
com seus lustres empoeirados
e tinha sobreapego
mergulhos diários pelas paredes,
o olhar extremo da família
o cenho grave
a sala pronta
e o seu deusdeaço.
Queria não parar de tocar
com os seus ágeis dedosrefúgio.
sempre.
Para H.H.
Quebre-me os dedos,
e não adianta.
Corte-me a língua
e não adianta.
Tire-me o coração.
Acelerem os processos
e meus tacos soltos.
Tranque-me os cães.
Meus tanques
e o serviço diário de te amar,
Mas não adianta.
Há um sol dentro de mim:
Minhas cortinas ventiladas.
A garganta em frinchas
pelo direito de não estar.
e não adianta.
Corte-me a língua
e não adianta.
Tire-me o coração.
Acelerem os processos
e meus tacos soltos.
Tranque-me os cães.
Meus tanques
e o serviço diário de te amar,
Mas não adianta.
Há um sol dentro de mim:
Minhas cortinas ventiladas.
A garganta em frinchas
pelo direito de não estar.
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
segunda-feira, janeiro 21, 2008
quinta-feira, janeiro 17, 2008
pingo na pele
corro meu sangue
toda essa velocidade me espanta
nela vivo sôfrega e me atiro
me expando
viro música
a gente dança
nossos filhos caem,
nossos pais se vão,
a cada dia pinga no chão minha pele
a casa pinga toda em mim
a toda hora a gente se desfaz
nosso amor de perto fica longe
e da música só a velocidade.
corro meu sangue
toda essa velocidade me espanta
nela vivo sôfrega e me atiro
me expando
viro música
a gente dança
nossos filhos caem,
nossos pais se vão,
a cada dia pinga no chão minha pele
a casa pinga toda em mim
a toda hora a gente se desfaz
nosso amor de perto fica longe
e da música só a velocidade.
sexta-feira, dezembro 14, 2007
terça-feira, novembro 20, 2007
Fico no cimo das palavras.
que mãe é aquela ali parada?
há esperança na fotografia.
mas passa
ela sabe que passa.
Acolchoada de idades
o coração lhe explode
ficam as fotografias.
há esperança de um filho.
mas passa
ele sabe que passa.
A poltrona estática do dia esconde
meu dicionário memorialístico
Fixo no cimo do amor.
que mãe é aquela ali parada?
há esperança na fotografia.
mas passa
ela sabe que passa.
Acolchoada de idades
o coração lhe explode
ficam as fotografias.
há esperança de um filho.
mas passa
ele sabe que passa.
A poltrona estática do dia esconde
meu dicionário memorialístico
Fixo no cimo do amor.
sexta-feira, novembro 16, 2007
sexta-feira, novembro 09, 2007
Diário
Ó meu grande amor,
mando notícias de tristezas:
as pessoas andam se explodindo,
e parece que virou moda.
Cada dia é um que ganha o noticiário mais importante do país. E fico com medo. Já se vão quase 3 anos que não nos falamos. Por que? seria meu questionamento... as pessoas se explodem e a qualquer hora pode ser eu um desses estilhaços da perfumaria atômica; as pessoas lá de casa enlouqueceram, quero dizer: o resto daquelas que sobraram. Esta é a décima enésima carta que te escrevo; os correios foram sabotados pela ocupação e já faz tempo que não sei seu endereço. Internet só tem acesso os desgovernados do governo. Ontem teve cerimônia aqui na rua, caiu uma bomba na antiga casa de Ashraf. Sinto que estou ficando burro.
Fizemos um pacto na família, pode parecer estranho... não se faz mais amor entre os férteis, a gente não transa mais; que é pra não ter filhos. Mas meu filho está divido entre nossos corpos. Ah.
A cada clarão na cidade eu sinto que pode ser você, aí corro lá pra baixo e releio alguns escritos seus. Nessa confusão toda eu perdi sua única foto. Me dá pavor pensar que você pode sumir como fumaça memória. Sinto que estou ficando burro.
A mãe prostada num canto lendo aquele livro antigo... perguntei a ela pra que tanta dor e ela olhou pra mim paralisada. "Mãe", eu disse, "ter filhos dói"?
Mas a coitada tá louca.
A casa anda que é puro pó; e nem adianta limpeza. O pouco que sobrou da gente tenta se distrair ao longo longo longo longo do dia. O melhor é quando o corpo não suporta e dorme, mas é raro.
Tenho uma esperança: no dia em que for a nossa casa a que irá para os ares, todas minhas cartas cairão sobre a cidade. Se por aqui estiveres, ah!, se lembrará de mim. Mas se não, dois estilhaços irão se juntar e explodir em amor lá no céu. Amor, céu... Sinto que estou ficando burro.
Aqui é o centro de tudo e tudo está tão longe daqui.
Ó meu grande amor, quero escrever um livro de alegrias.
mando notícias de tristezas:
as pessoas andam se explodindo,
e parece que virou moda.
Cada dia é um que ganha o noticiário mais importante do país. E fico com medo. Já se vão quase 3 anos que não nos falamos. Por que? seria meu questionamento... as pessoas se explodem e a qualquer hora pode ser eu um desses estilhaços da perfumaria atômica; as pessoas lá de casa enlouqueceram, quero dizer: o resto daquelas que sobraram. Esta é a décima enésima carta que te escrevo; os correios foram sabotados pela ocupação e já faz tempo que não sei seu endereço. Internet só tem acesso os desgovernados do governo. Ontem teve cerimônia aqui na rua, caiu uma bomba na antiga casa de Ashraf. Sinto que estou ficando burro.
Fizemos um pacto na família, pode parecer estranho... não se faz mais amor entre os férteis, a gente não transa mais; que é pra não ter filhos. Mas meu filho está divido entre nossos corpos. Ah.
A cada clarão na cidade eu sinto que pode ser você, aí corro lá pra baixo e releio alguns escritos seus. Nessa confusão toda eu perdi sua única foto. Me dá pavor pensar que você pode sumir como fumaça memória. Sinto que estou ficando burro.
A mãe prostada num canto lendo aquele livro antigo... perguntei a ela pra que tanta dor e ela olhou pra mim paralisada. "Mãe", eu disse, "ter filhos dói"?
Mas a coitada tá louca.
A casa anda que é puro pó; e nem adianta limpeza. O pouco que sobrou da gente tenta se distrair ao longo longo longo longo do dia. O melhor é quando o corpo não suporta e dorme, mas é raro.
Tenho uma esperança: no dia em que for a nossa casa a que irá para os ares, todas minhas cartas cairão sobre a cidade. Se por aqui estiveres, ah!, se lembrará de mim. Mas se não, dois estilhaços irão se juntar e explodir em amor lá no céu. Amor, céu... Sinto que estou ficando burro.
Aqui é o centro de tudo e tudo está tão longe daqui.
Ó meu grande amor, quero escrever um livro de alegrias.
Bem menos
- Mãe, ter filhos dói?
- Menos, muito menos.
Uma vez eu vi o buraco pelo furo da visão.
E é bem menos.
No mundo não existem necessidades,
só tempo e construção,
os gritos, os gemido de prazer,
se prazer.
Conte com a superfície do corpo.
É muito menos, como
substituir as palavras por
objetos outros.
- Menos, muito menos.
Uma vez eu vi o buraco pelo furo da visão.
E é bem menos.
No mundo não existem necessidades,
só tempo e construção,
os gritos, os gemido de prazer,
se prazer.
Conte com a superfície do corpo.
É muito menos, como
substituir as palavras por
objetos outros.
quarta-feira, outubro 24, 2007
pequenas confissões
É como no boxe,
Vivo sob a precisão de um soco.
Não tem erro.
o sono chega para todos
e lá terei meu respiro maternal
essa metade ancestral.
Pluie, tu peut pleurer sur moi?
Merci, t´est l´unique!
Et moi, laquelle que d´une forme ou d´autre aime et souffre mais aussi suis-je une petite rue qui n´a pas la fin.
A espiração.
Meu próprio traço. A inpiedade.
O calendário, meu auto-dia, meu auto-mês, essa via-expressa de amor.
e tudo mais
Vivo sob a precisão de um soco.
Não tem erro.
o sono chega para todos
e lá terei meu respiro maternal
essa metade ancestral.
Pluie, tu peut pleurer sur moi?
Merci, t´est l´unique!
Et moi, laquelle que d´une forme ou d´autre aime et souffre mais aussi suis-je une petite rue qui n´a pas la fin.
A espiração.
Meu próprio traço. A inpiedade.
O calendário, meu auto-dia, meu auto-mês, essa via-expressa de amor.
e tudo mais
segunda-feira, outubro 22, 2007
sexta-feira, outubro 19, 2007
Os objetos não se limpam sozinhos
e numa velocidade lentíssima
sobrepõe-se o pó.
Como faço a cada respiro,
em cada explosão me torno
na sujeira mais ínfima
e é uma faxina estética!,
suas mãos detalhadas
neste escombro amontoado
em que me tornei.
De que tecidos são feitos meus mamilos?
Se esta pele se estendesse por
todo o corpo. Ah!
e numa velocidade lentíssima
sobrepõe-se o pó.
Como faço a cada respiro,
em cada explosão me torno
na sujeira mais ínfima
e é uma faxina estética!,
suas mãos detalhadas
neste escombro amontoado
em que me tornei.
De que tecidos são feitos meus mamilos?
Se esta pele se estendesse por
todo o corpo. Ah!
segunda-feira, outubro 15, 2007
terça-feira, outubro 09, 2007
auto agradecimento
É pela experiência
que vivo o horror.
Encontro derivado de
todo o passado.
Descobrindo o cada
revelo-me. carrego.
Seja no meu multi-uso
no meu auto-estupro diário
nas pequenas mortes noturnas.
Eu quero sim palavras belas
Calma, não me culpo.
Inexata e insípida
como a minha chuva capilar
Desligado o dia mas
minha turbina transborda
amor.
E não me vale a imaginação
Quantos balões eu poderia ter enchido
com a minha respiração?
De onde virão minhas futuras?
É da experiência que vivo o horror.
Vivo minhas pausas.
__um expresso, por favor__
que vivo o horror.
Encontro derivado de
todo o passado.
Descobrindo o cada
revelo-me. carrego.
Seja no meu multi-uso
no meu auto-estupro diário
nas pequenas mortes noturnas.
Eu quero sim palavras belas
Calma, não me culpo.
Inexata e insípida
como a minha chuva capilar
Desligado o dia mas
minha turbina transborda
amor.
E não me vale a imaginação
Quantos balões eu poderia ter enchido
com a minha respiração?
De onde virão minhas futuras?
É da experiência que vivo o horror.
Vivo minhas pausas.
__um expresso, por favor__
domingo, outubro 07, 2007
Numa brecha-beira.
foi no descuido, no vão de ar inútil
que me perdeste o amor.
dictando minhas vitórias,
o sustento essencial,
que descobri um
amorborda.
E não é fácil,
nem quero dizer que superei.
e sem mais pensar em ti
me volto a mim em dobro,
esse buraco.
e o que é a mentira?
Vamos, não é uma pressão,
é autopiedade.
Antes saber da imundice
humana e ir até ao fim.
Estou viva e escrevo.
Mas estou seca. Sempre fui
e o processo acelera.
Busco ao máximo o mínimo.
odeio as preposições, os conectivos, os "Ahs", os "Ohs"...
escrever torna-se difícil,
porque busco uma linha ininterrupta
porque dizer horrores me seria mais legítimo
porque fechar os olhos me seria a exatidão
traduzir o transtorno, minha quebra da comunicabilidade,
esse estilhaço de amor não é com letra.
É espaçocor, o submundo da criação.
porque morrer todo mundo sabe, mas ninguém entende,
ninguém entende.
foi no descuido, no vão de ar inútil
que me perdeste o amor.
dictando minhas vitórias,
o sustento essencial,
que descobri um
amorborda.
E não é fácil,
nem quero dizer que superei.
e sem mais pensar em ti
me volto a mim em dobro,
esse buraco.
e o que é a mentira?
Vamos, não é uma pressão,
é autopiedade.
Antes saber da imundice
humana e ir até ao fim.
Estou viva e escrevo.
Mas estou seca. Sempre fui
e o processo acelera.
Busco ao máximo o mínimo.
odeio as preposições, os conectivos, os "Ahs", os "Ohs"...
escrever torna-se difícil,
porque busco uma linha ininterrupta
porque dizer horrores me seria mais legítimo
porque fechar os olhos me seria a exatidão
traduzir o transtorno, minha quebra da comunicabilidade,
esse estilhaço de amor não é com letra.
É espaçocor, o submundo da criação.
porque morrer todo mundo sabe, mas ninguém entende,
ninguém entende.
quarta-feira, outubro 03, 2007
domingo, setembro 30, 2007
Não tem jeito: a gente sempre dorme
volto à escrita
e eu que pensava dormir em sossego.
a ardência dos nomes
o resto da sobrevida de amor
minhas louças íntimas
empilhadas de dor
a soltura dessas dobradiças
oh! que frouxidão interna.
que sono dá não parar de pensar
qualquer coisa me chame,
estarei deitada sobre minha pele.
oh
volto à escrita
e eu que pensava dormir em sossego.
a ardência dos nomes
o resto da sobrevida de amor
minhas louças íntimas
empilhadas de dor
a soltura dessas dobradiças
oh! que frouxidão interna.
que sono dá não parar de pensar
qualquer coisa me chame,
estarei deitada sobre minha pele.
oh
sexta-feira, setembro 28, 2007
ligeiro
como se respira?
se eu fosse som do peito, ah!
minhas pedras doem meus pés
os cabelos crescem como se
como se
me chegassem aos postes.
corrente de ar os cabos de alta tensão
me venta, se eu fosse som do peito.
ligeiro pacto.
se eu fosse som do peito, ah!
minhas pedras doem meus pés
os cabelos crescem como se
como se
me chegassem aos postes.
corrente de ar os cabos de alta tensão
me venta, se eu fosse som do peito.
ligeiro pacto.
sexta-feira, setembro 14, 2007
quarta-feira, setembro 12, 2007
interminável
Não te assuste
porque as folhas caem
porque eu não me assusto
quando me caem as folhas enfileiradas das costelas
porque as folhas caem
porque eu não me assusto
quando me caem as folhas enfileiradas das costelas
domingo, agosto 26, 2007
Uma mulher certa vez perguntou ao seu marido:
"Por que me amarras todos os dias em teu punho?"
Ele disse: "para que não saibas o quão grande o mundo é. "
então tive de dizer a ele que eu sabia sim da grandeza da terra, e dos seus homens, e das suas guerras, e dos seus povos, e das diferenças, e dos possíveis certos grandes amores que a cada dia perdia por me querer estar ao teu lado.
Ele, assutado, quis me desatar das amarras, e disse: "Se já sabes tudo isso é porque não te deves estar presa a um homem. Triste é a confirmação da sabedoria. Vai. "
Eu, então, livre e perdida corri até o terreiro de nossa casa, também muito assustada, mas desejosa. Confusa como quando se solta passrinho criado em gaiola. O sol batia plenamente sobre a criação e sobre as árvores, num instante em que até o vento se quedou silencioso. Esperei, meio à espreita, certa de que ele viria bravo me resgatar. E nada. O caminho depois da porteira era sinuoso e comprido. E nada. Até que pude ouvir como um choro de um homem, coisa que jamais ouvira. O som dos animais e do vento reviveu. Era ele, chorando doído, talvez remuendo seus mistérios internos, ou mesmo já de dor de solidão; mas não solidão de minha parte, pois eu estava alí atrás da porta de madeira, no terreiro; devia de ser solidão de si mesmo, de sabedoria. Chorava como uma criança sufocada pela anca estreita da mãe. Meu coração então disparou, senti um troço no peito que nunca tinha sentido. Sabia que estava perdida e, chorando, atravessei a porteira da minha vida.
"Por que me amarras todos os dias em teu punho?"
Ele disse: "para que não saibas o quão grande o mundo é. "
então tive de dizer a ele que eu sabia sim da grandeza da terra, e dos seus homens, e das suas guerras, e dos seus povos, e das diferenças, e dos possíveis certos grandes amores que a cada dia perdia por me querer estar ao teu lado.
Ele, assutado, quis me desatar das amarras, e disse: "Se já sabes tudo isso é porque não te deves estar presa a um homem. Triste é a confirmação da sabedoria. Vai. "
Eu, então, livre e perdida corri até o terreiro de nossa casa, também muito assustada, mas desejosa. Confusa como quando se solta passrinho criado em gaiola. O sol batia plenamente sobre a criação e sobre as árvores, num instante em que até o vento se quedou silencioso. Esperei, meio à espreita, certa de que ele viria bravo me resgatar. E nada. O caminho depois da porteira era sinuoso e comprido. E nada. Até que pude ouvir como um choro de um homem, coisa que jamais ouvira. O som dos animais e do vento reviveu. Era ele, chorando doído, talvez remuendo seus mistérios internos, ou mesmo já de dor de solidão; mas não solidão de minha parte, pois eu estava alí atrás da porta de madeira, no terreiro; devia de ser solidão de si mesmo, de sabedoria. Chorava como uma criança sufocada pela anca estreita da mãe. Meu coração então disparou, senti um troço no peito que nunca tinha sentido. Sabia que estava perdida e, chorando, atravessei a porteira da minha vida.
domingo, agosto 05, 2007
Para Arnaldo
Ela sempre dizia:
Escrevo porque não sei lançar flechas,
e mordia o lado esquerdo dos lábios.
Eu sempre dizia a ela:
Mas você pode ter filhos, folhas a mais
e a beijava no canto direito da boca
para que o sangue nâo me contaminasse.
Escrevo porque não sei lançar flechas,
e mordia o lado esquerdo dos lábios.
Eu sempre dizia a ela:
Mas você pode ter filhos, folhas a mais
e a beijava no canto direito da boca
para que o sangue nâo me contaminasse.
quinta-feira, agosto 02, 2007
oh,
eu que me vi refletida nos olhos molhados de uma garota,
menina pequena mas sábia,
tenho que jurar a mim todos os dias tentar não decifrar aquele olhar
senão enlouqueço.
a pele das pálpebras vermelhas, vivas
a intimidade vermelha de um casal.
eu que sem teu amor volto a ser a menina de olhares perdidos
indecifrada no colo dos pais.
oh, se meus olhos agora te refletem,
te descrevem,
me soltam pluma no vendaval,
e me tiram de você.
Mas não aceite! Sou eu quem implora, mesmo sendo eu a desertora.
Me prenda logo, essa menina chorosa
e não deixe que eu morra,
escorra pelos olhos perdidos de menina pequena.
eu que me vi refletida nos olhos molhados de uma garota,
menina pequena mas sábia,
tenho que jurar a mim todos os dias tentar não decifrar aquele olhar
senão enlouqueço.
a pele das pálpebras vermelhas, vivas
a intimidade vermelha de um casal.
eu que sem teu amor volto a ser a menina de olhares perdidos
indecifrada no colo dos pais.
oh, se meus olhos agora te refletem,
te descrevem,
me soltam pluma no vendaval,
e me tiram de você.
Mas não aceite! Sou eu quem implora, mesmo sendo eu a desertora.
Me prenda logo, essa menina chorosa
e não deixe que eu morra,
escorra pelos olhos perdidos de menina pequena.
sexta-feira, julho 20, 2007
Clara quase clara
quase clara
sem vento algum
uns olhos gigantes para teu rosto
clara
jeito de quem sofrerá muito
mas clara
lendo um livro miúdo como o apertado coração
chorava manso
com aquelas palavras
claras
que a descortinavam
e o mundo
quase claro
que se perdia em seus cabelos
lisos
claros
sem vento algum
uns olhos gigantes para teu rosto
clara
jeito de quem sofrerá muito
mas clara
lendo um livro miúdo como o apertado coração
chorava manso
com aquelas palavras
claras
que a descortinavam
e o mundo
quase claro
que se perdia em seus cabelos
lisos
claros
quarta-feira, junho 20, 2007
Verdade
Com a casa interna vazia
hystérica
as mãos encharcadas de prazer
aos esganiços
ela envergonhou a família
na frente dos vizinhos.
hystérica
as mãos encharcadas de prazer
aos esganiços
ela envergonhou a família
na frente dos vizinhos.
quinta-feira, junho 14, 2007
Posição
Trocar de lugar é ranger os dentes como quando a chave da ignição. Uma duas três tentativas e intacto o espaço. Que é meu.
Morder uma flor é ranger. e o suco que escorre. ouvir uma nota contínua, outro dia vi um beija-flor semi morto e sobre minhas mãos seu coraçãosículo impulsionava__até que o peito inchasse um grão diar contínuo e fim.
Esqueci o que me trouxe a escrever e digo outras coisas para que não a espera.
A surpresa. Devo anotar minhas idéias: acho que lembro: uma fricção gostosa: um atravessar como quando a chave d´ignição: um preguiça d´utilizar as vogais ou sílabas.
Um langor.
O ponto zero da respiração me desperta curiosidade: é que o espaço intacto, mera questão d´ângulo.
De lugar.
Morder uma flor é ranger. e o suco que escorre. ouvir uma nota contínua, outro dia vi um beija-flor semi morto e sobre minhas mãos seu coraçãosículo impulsionava__até que o peito inchasse um grão diar contínuo e fim.
Esqueci o que me trouxe a escrever e digo outras coisas para que não a espera.
A surpresa. Devo anotar minhas idéias: acho que lembro: uma fricção gostosa: um atravessar como quando a chave d´ignição: um preguiça d´utilizar as vogais ou sílabas.
Um langor.
O ponto zero da respiração me desperta curiosidade: é que o espaço intacto, mera questão d´ângulo.
De lugar.
quarta-feira, maio 09, 2007
domingo, março 18, 2007
Sempre esperei surda__agitadamente inquieta, sentada sobre as pernas da Angústia, embalada em seu colo. Esperando por ele_
Achei que deus fosse um animal superior, muito grande. Não entendia.
Constante a sensação de suspense, parecia que a qualquer minuto ele poderia arrombar nossa casa e sem pedir licença castigar a todos. Todos sem exceção, mesmo. Talvez deva-se a isto tanta devoção, tanta desculpa, culpa. Tanto esforço de minha mãe.
Nada, ainda nao vi deus
Deus nunca chegou, mas espero aninhada nos seios da Angústia
O que diria ele?
Não posso ouvir, mas se pudesse! Pode ser que também fosse surdo, ou mudo, ou cego, ou até mesmo que falasse numa língua muito estrangeira.
Venta muito.
Tenho os olhos abertos, mas cobertos, ando assustada. Uma velocidade! Oh!
Como correm da chuva essas pessoas. Gritos da correria.
Como eu gostaria de saber o segredo que sai desses aparelhos com fones para os ouvidos que as pessoas tanto escutam, todas elas! Todos os dias! O tempo todo! Será, enfim, a voz de Deus? E se então ele já houver me chamado?
Surda. Absurda. Surda.
a_b_solutamente_a_b_surda
Adormecida, acariciada pelas mão finas da Angústia
Achei que deus fosse um animal superior, muito grande. Não entendia.
Constante a sensação de suspense, parecia que a qualquer minuto ele poderia arrombar nossa casa e sem pedir licença castigar a todos. Todos sem exceção, mesmo. Talvez deva-se a isto tanta devoção, tanta desculpa, culpa. Tanto esforço de minha mãe.
Nada, ainda nao vi deus
Deus nunca chegou, mas espero aninhada nos seios da Angústia
O que diria ele?
Não posso ouvir, mas se pudesse! Pode ser que também fosse surdo, ou mudo, ou cego, ou até mesmo que falasse numa língua muito estrangeira.
Venta muito.
Tenho os olhos abertos, mas cobertos, ando assustada. Uma velocidade! Oh!
Como correm da chuva essas pessoas. Gritos da correria.
Como eu gostaria de saber o segredo que sai desses aparelhos com fones para os ouvidos que as pessoas tanto escutam, todas elas! Todos os dias! O tempo todo! Será, enfim, a voz de Deus? E se então ele já houver me chamado?
Surda. Absurda. Surda.
a_b_solutamente_a_b_surda
Adormecida, acariciada pelas mão finas da Angústia
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
Decisão
andar sobre o chão aberto de tristezas
sempre por volta das cinco da tarde
quando me lembro de quando era feliz
tento recordar o caminho.
Essa minha estrada que nao anda pra trás.
Como se acha o caminho de volta?
Eu queria estar seguro como quando era parte materna
sair significa caminhar dentro a angústia
voltar pode me ser fatal
"Vai, meu filho, para que a gente possa pegar a flor, temos que pisar na grama"
andar sobre o chão aberto de tristezas
sempre por volta das cinco da tarde
quando me lembro de quando era feliz
tento recordar o caminho.
Essa minha estrada que nao anda pra trás.
Como se acha o caminho de volta?
Eu queria estar seguro como quando era parte materna
sair significa caminhar dentro a angústia
voltar pode me ser fatal
"Vai, meu filho, para que a gente possa pegar a flor, temos que pisar na grama"
domingo, fevereiro 04, 2007
Rejunte
Pegue pedaços meus
Reorganize, vai!
Tente repor ponta a ponta
Rejunte cole
Recorte recheie de amor
Agora é polir!
Polir polir polir
Polir é a ação mais bonita que um verbo pode ter
Reponha, me vista
Me ponha a vista
Me venda à vista
Embrulhe, não chore!
Entregue o embrulho,
Embrulho de estômago,
Amor de passado
Passado ao outro
Estás livre da dor
Da dor de amor
A loja vazia
Sem nenhuma peça
A placa na porta:
“Emprega-se gente
De bom coração”
Aqui se faz gente
Juntando pedaços
Eu sofro, não minto
Mas só assim sinto
Que terei o perdão
Amor me desculpa
Nunca tive culpa
De ter só um dono
Ser preso no aço
Escravo da paixão.
Pegue pedaços meus
Reorganize, vai!
Tente repor ponta a ponta
Rejunte cole
Recorte recheie de amor
Agora é polir!
Polir polir polir
Polir é a ação mais bonita que um verbo pode ter
Reponha, me vista
Me ponha a vista
Me venda à vista
Embrulhe, não chore!
Entregue o embrulho,
Embrulho de estômago,
Amor de passado
Passado ao outro
Estás livre da dor
Da dor de amor
A loja vazia
Sem nenhuma peça
A placa na porta:
“Emprega-se gente
De bom coração”
Aqui se faz gente
Juntando pedaços
Eu sofro, não minto
Mas só assim sinto
Que terei o perdão
Amor me desculpa
Nunca tive culpa
De ter só um dono
Ser preso no aço
Escravo da paixão.
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
São pelos olhos mesmo que a gente chora?
olhos...
eu consigo ver a vida por uma realidade de câmera de cinema. mas também poderia estar estagnado, assim, em um plano só e então eu veria outras coisas nas mesmas coisas...
os olhos...
a toxina dos olhos escorre ardido. ardendo.
piano.
longo som de piano.
Mas é mesmo com os olhos?
como se chora em outra língua?
fico pensando que deve haver uma outra língua em que chorar seja menos dolorido; mas dolorido para quem? para os olhos...
prefiro nao me ver no espelho por esta tarde até que eu descubra.
olhos...
eu consigo ver a vida por uma realidade de câmera de cinema. mas também poderia estar estagnado, assim, em um plano só e então eu veria outras coisas nas mesmas coisas...
os olhos...
a toxina dos olhos escorre ardido. ardendo.
piano.
longo som de piano.
Mas é mesmo com os olhos?
como se chora em outra língua?
fico pensando que deve haver uma outra língua em que chorar seja menos dolorido; mas dolorido para quem? para os olhos...
prefiro nao me ver no espelho por esta tarde até que eu descubra.
quarta-feira, janeiro 31, 2007
suco de mim
Eu quero um pouco de ilusão
“você precisa de amor”
Há!
É insuportavelmente intenso que preciso me esconder
Em alguma fresta da noite
Se tivesse uma música agora, um canto,
Eu choraria.
Para isso a ilusão.
“você precisa de amor”
Mas não dá, já me disse por vezes, a você também:
Cresce tanto por dentro a ilusão
Que a realidade entristece:
Não dá, pois o amor tem lá suas tristezas,
Não é a toa que a noite e o dia não se encontram,
Digo encontram mesmo, coexistem um ao lado do outro, penetrando ao outro,
Mas nem por isso deixam de insistir, dia após dia e noite após noite,
Um ciclo infindável de busca de ilusão de amor
e sofrem.
Será que você não teria um bocado de ilusão para me dar?
Eu juro que aceitaria na maior ilusão.
Só isso poderia me salvar
Há!
“você precisa de amor”
Há!
É insuportavelmente intenso que preciso me esconder
Em alguma fresta da noite
Se tivesse uma música agora, um canto,
Eu choraria.
Para isso a ilusão.
“você precisa de amor”
Mas não dá, já me disse por vezes, a você também:
Cresce tanto por dentro a ilusão
Que a realidade entristece:
Não dá, pois o amor tem lá suas tristezas,
Não é a toa que a noite e o dia não se encontram,
Digo encontram mesmo, coexistem um ao lado do outro, penetrando ao outro,
Mas nem por isso deixam de insistir, dia após dia e noite após noite,
Um ciclo infindável de busca de ilusão de amor
e sofrem.
Será que você não teria um bocado de ilusão para me dar?
Eu juro que aceitaria na maior ilusão.
Só isso poderia me salvar
Há!
quinta-feira, janeiro 25, 2007
Qual teu refùgio nas cicatrizes da noite?
Ha tempos nao via essa multidao de velhos
maltrapilhos e velhos
escorados em si mesmos e velhos
pelas pracas das madrugadas e velhos
Fui ser som nessas infindas "noches"
Vim ser o que, Alejandra?
Como è mesmo o nome?
Como è mesmo o nome?
Estes velhos sao os mesmos de antigamente? essas estrelas
encontro de poetas,
falta daquilo que me è cerne
falta de ar,
Pizarnik.
falta de som
maltrapilhos e velhos
escorados em si mesmos e velhos
pelas pracas das madrugadas e velhos
Fui ser som nessas infindas "noches"
Vim ser o que, Alejandra?
Como è mesmo o nome?
Como è mesmo o nome?
Estes velhos sao os mesmos de antigamente? essas estrelas
encontro de poetas,
falta daquilo que me è cerne
falta de ar,
Pizarnik.
falta de som
terça-feira, dezembro 19, 2006
Forma
Eu queria tirar
Estar descalço. Não tendo ____ pisar. Preciso escrever de um lugar. Não exatamente estar nele, mas a partir dele.
Apartado de mim. Porque é difícil estar num lugar___ para mim só as notas longas do piano. A cadencia o embalo a melodia. Para mim o concreto ressoa_ressente. Basta o som invisível para os ouvidos de quem só sabe ver. Sentir é mais preciso, por isso tire dos meus pés apertados essas sandálias sujas
____Levo dias para escrever poucas palavras, prefiro ouvi-las____
Gosto quando fica grave. Essa melancolia rasga os papéis de parede do meu lar.
Será possível? Dizia minha mãe num descontrole emocional... será possível? Essa sua música que ninguém entende mofa os cômodos do nosso lar. Já não te suportamos mais. É o que mais doído pode sentir uma mãe. Mas você infiltra nossos corações_____
Segurei. Porque a música pesa mais. Mas essas sandálias, nunca as tirei dos pés.
Talvez, elas ---> o lugar. Mas se ao menos fossem som. Sinto que estou ficando cego e quando nada puder ver, serei música. Uma porção de letras diferentes combinadas traduzidas em ar_____
Vento_________Shuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
Vento, antes de ficar cego tu eras quem? Se eu tivesse tua coragem____
“Essa sua música embola meus cabelos brancos. Sai! Sai!! Sai!”
Sinto que poderia ser mais direto, mais leve, mas minha música é grave. Gosto quando fica grave porque meus sentimentos são revestidos de papel de parede. Ao longo disso tudo perceberás quando a pontuação for se esvaindo e os espaços ficarem como pausas melódicas e uma potência em forma de som que irá ventar em você será porque estou ficando cego me desfazendo em rasgos largos
Indecentes
Inaudíveis
Som
restarão minhas sandálias.
Estar descalço. Não tendo ____ pisar. Preciso escrever de um lugar. Não exatamente estar nele, mas a partir dele.
Apartado de mim. Porque é difícil estar num lugar___ para mim só as notas longas do piano. A cadencia o embalo a melodia. Para mim o concreto ressoa_ressente. Basta o som invisível para os ouvidos de quem só sabe ver. Sentir é mais preciso, por isso tire dos meus pés apertados essas sandálias sujas
____Levo dias para escrever poucas palavras, prefiro ouvi-las____
Gosto quando fica grave. Essa melancolia rasga os papéis de parede do meu lar.
Será possível? Dizia minha mãe num descontrole emocional... será possível? Essa sua música que ninguém entende mofa os cômodos do nosso lar. Já não te suportamos mais. É o que mais doído pode sentir uma mãe. Mas você infiltra nossos corações_____
Segurei. Porque a música pesa mais. Mas essas sandálias, nunca as tirei dos pés.
Talvez, elas ---> o lugar. Mas se ao menos fossem som. Sinto que estou ficando cego e quando nada puder ver, serei música. Uma porção de letras diferentes combinadas traduzidas em ar_____
Vento_________Shuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
Vento, antes de ficar cego tu eras quem? Se eu tivesse tua coragem____
“Essa sua música embola meus cabelos brancos. Sai! Sai!! Sai!”
Sinto que poderia ser mais direto, mais leve, mas minha música é grave. Gosto quando fica grave porque meus sentimentos são revestidos de papel de parede. Ao longo disso tudo perceberás quando a pontuação for se esvaindo e os espaços ficarem como pausas melódicas e uma potência em forma de som que irá ventar em você será porque estou ficando cego me desfazendo em rasgos largos
Indecentes
Inaudíveis
Som
restarão minhas sandálias.
sexta-feira, dezembro 01, 2006
Palavras para a eternindade
domingo, novembro 26, 2006
Um Romance
Talvez devesse morrer. É difícil. Toda saída sempre fora escrever um romance. Mas um romance de que?
A música solta branca invadia a casa que tão pequena não lhe cabia sequer os sentimentos.
Só isso me basta. Um homem para ter dignidade: um trabalho, mesmo que sujo ou mal pago, um quarto onde possa criar e descriar, e um radio, mesmo que seja a pilha. De certo que dos três eu tenho todos.
Então já é o fim. Por onde se começa a andar?
Olhou para o lado no meio da madrugada. A cama suada. Tinha ouvido barulhos das chaves abrindo-lhe as portas. Imaginou ser as portas de casa e então seria um assalto? Não havia mais ninguém que as possuísse, as chaves. Fraquejou porque teve medo e não se levantou. Deixou por segundos o perigo correr e crescer pelos corredores da imaginação. A porta do quarto estava aberta. Então teria ele medo ou coragem? Atordoado, deixou o curso correr livre. o máximo seria morrer.
Olhou para o lado no meio da madrugada e não viu o corpo ao lado. Remexeu.
Eu percebi ali que poderia ter sido um sonho. Mas quando olhei, ele, havia saído de perto. Por pequeno tempo me vi só, ameaçado pelo sonho que quis enfrentar. Mas pensei que poderia ter se levantado para uma água e por isso o barulho das chaves nas portas que se seguiam até a cozinha, logo tudo estava bem. tudo fazia sentido.
Queria ocultar as informações de mim mesmo. Não por mistério. Por não dar conta de tê-las, seja de inveja ou medo. Talvez eu nunca deixe um sonho ganhar força pela madrugada.
Como que dá nome as coisas?
Na cama suada estava o outro entrecoberto. O som de uma chave é amedrontador.
Lembrei-me de minha mãe dizendo que um dia ouviu pela manhã o barulho do chaveiro de meu pai e foi só tempo de dizer: “já tem pão, sobrou de ontem”. Nunca mais. Não se sabe. Mas ali apalpei aquele corpo quente como se fosse da primeira vez.
Mas quando se acorda a mente está limpa. Tenho medo de escrever. Novamente a música cinza cresce no quarto e me agita. O sol que lá de fora já esquenta. Sempre quis escrever sobre mim. Dos momentos que me tomam a consciência, mas os perco com facilidade. Já não sei da ordem e me torno inverossímil. Dia de gente comum é trabalho. Despeço-me com a certeza de encontrar a casa vazia na noite. Sempre fui assim. Assim sempre é. Um trabalho sujo é o que tenho. Um descanso da existência.
Escrever é música. Eu quero viver numa escrita melódica infinita e leve. A música pode dar medo mas ela não tem medo das chaves ou se estará só quando chegar em casa.
Tenho um rádio velho, mas ele toca discos. Ainda não quis nada melhor porque ele me basta. Saio de casa e sigo direto minha rua, atravesso 3 sinais e torno a esquerda, mais duas ruas e chego na empresa de tecidos. Trabalho de “segurança” até cindo da tarde quando termina o expediente. Segurança é o nome que dão, mas é porteiro.Volto. Um banho, uma comida, uma ligação. Tenho um disco clássico. De sonatas, me orgulho de ter um disco desses de sonatas. Meu amigo diz que um dia o disco fura porque eu ponho todos os dias nas mesmas músicas. Um dia eu vou escrever um livro. Mas tenho medo. Não sou de dar às coisas seus nomes, talvez por medo ou inveja que elas tenham lá suas particularidades ou vergonha.
Não tenho paciência suficiente. Por isso acabo matando as histórias. Mesmo as que já nascem mortas. Faço, quando muito, duas páginas. Tenho medo.
É certo que eu possa transpor meus medos a um personagem; sei que tenho esse direito e o fiz. Qual é o direito de um personagem? Ele nunca nasce. Eu deixo sempre o fio se escapar. Como se a parede lodenta lisa. Mas um romance de que?
Naquela noite voltei como de hábito. A casa estava vazia e pus meu disco de sonatas tocar. Resolvi escrever, mas só me vinha falar de um escritor com medo. E não existe nada mais terrível que um escritor com medo. A gente não entende nada. Ele se perde e assim também seus leitores.
Pensei que preciso me apegar a coisas mais fáceis: como a dor de chegar em casa e encontrá-la vazia; como as chaves que abriram não as portas de casa, mas as outras. Talvez assim eu pudesse entender aquilo que escrevia e então me viesse a cabeça uma solução menos dolorida para se criar histórias e viver um pouco delas a cada vez que lidas.
Olho para minha casa nesta noite. Na minha cama está entrecoberto um corpo quente que me alivia, por que só assim sei que era um sonho e que meus personagens são imaginários. No contato da pele. Para o contato da pele ponho uma sonata. Mas a música tem o poder de me fazer perder, como se a parede lodenta lisa. Os personagens revivem dentro de mim. Talvez devessem morrer.
A música solta branca invadia a casa que tão pequena não lhe cabia sequer os sentimentos.
Só isso me basta. Um homem para ter dignidade: um trabalho, mesmo que sujo ou mal pago, um quarto onde possa criar e descriar, e um radio, mesmo que seja a pilha. De certo que dos três eu tenho todos.
Então já é o fim. Por onde se começa a andar?
Olhou para o lado no meio da madrugada. A cama suada. Tinha ouvido barulhos das chaves abrindo-lhe as portas. Imaginou ser as portas de casa e então seria um assalto? Não havia mais ninguém que as possuísse, as chaves. Fraquejou porque teve medo e não se levantou. Deixou por segundos o perigo correr e crescer pelos corredores da imaginação. A porta do quarto estava aberta. Então teria ele medo ou coragem? Atordoado, deixou o curso correr livre. o máximo seria morrer.
Olhou para o lado no meio da madrugada e não viu o corpo ao lado. Remexeu.
Eu percebi ali que poderia ter sido um sonho. Mas quando olhei, ele, havia saído de perto. Por pequeno tempo me vi só, ameaçado pelo sonho que quis enfrentar. Mas pensei que poderia ter se levantado para uma água e por isso o barulho das chaves nas portas que se seguiam até a cozinha, logo tudo estava bem. tudo fazia sentido.
Queria ocultar as informações de mim mesmo. Não por mistério. Por não dar conta de tê-las, seja de inveja ou medo. Talvez eu nunca deixe um sonho ganhar força pela madrugada.
Como que dá nome as coisas?
Na cama suada estava o outro entrecoberto. O som de uma chave é amedrontador.
Lembrei-me de minha mãe dizendo que um dia ouviu pela manhã o barulho do chaveiro de meu pai e foi só tempo de dizer: “já tem pão, sobrou de ontem”. Nunca mais. Não se sabe. Mas ali apalpei aquele corpo quente como se fosse da primeira vez.
Mas quando se acorda a mente está limpa. Tenho medo de escrever. Novamente a música cinza cresce no quarto e me agita. O sol que lá de fora já esquenta. Sempre quis escrever sobre mim. Dos momentos que me tomam a consciência, mas os perco com facilidade. Já não sei da ordem e me torno inverossímil. Dia de gente comum é trabalho. Despeço-me com a certeza de encontrar a casa vazia na noite. Sempre fui assim. Assim sempre é. Um trabalho sujo é o que tenho. Um descanso da existência.
Escrever é música. Eu quero viver numa escrita melódica infinita e leve. A música pode dar medo mas ela não tem medo das chaves ou se estará só quando chegar em casa.
Tenho um rádio velho, mas ele toca discos. Ainda não quis nada melhor porque ele me basta. Saio de casa e sigo direto minha rua, atravesso 3 sinais e torno a esquerda, mais duas ruas e chego na empresa de tecidos. Trabalho de “segurança” até cindo da tarde quando termina o expediente. Segurança é o nome que dão, mas é porteiro.Volto. Um banho, uma comida, uma ligação. Tenho um disco clássico. De sonatas, me orgulho de ter um disco desses de sonatas. Meu amigo diz que um dia o disco fura porque eu ponho todos os dias nas mesmas músicas. Um dia eu vou escrever um livro. Mas tenho medo. Não sou de dar às coisas seus nomes, talvez por medo ou inveja que elas tenham lá suas particularidades ou vergonha.
Não tenho paciência suficiente. Por isso acabo matando as histórias. Mesmo as que já nascem mortas. Faço, quando muito, duas páginas. Tenho medo.
É certo que eu possa transpor meus medos a um personagem; sei que tenho esse direito e o fiz. Qual é o direito de um personagem? Ele nunca nasce. Eu deixo sempre o fio se escapar. Como se a parede lodenta lisa. Mas um romance de que?
Naquela noite voltei como de hábito. A casa estava vazia e pus meu disco de sonatas tocar. Resolvi escrever, mas só me vinha falar de um escritor com medo. E não existe nada mais terrível que um escritor com medo. A gente não entende nada. Ele se perde e assim também seus leitores.
Pensei que preciso me apegar a coisas mais fáceis: como a dor de chegar em casa e encontrá-la vazia; como as chaves que abriram não as portas de casa, mas as outras. Talvez assim eu pudesse entender aquilo que escrevia e então me viesse a cabeça uma solução menos dolorida para se criar histórias e viver um pouco delas a cada vez que lidas.
Olho para minha casa nesta noite. Na minha cama está entrecoberto um corpo quente que me alivia, por que só assim sei que era um sonho e que meus personagens são imaginários. No contato da pele. Para o contato da pele ponho uma sonata. Mas a música tem o poder de me fazer perder, como se a parede lodenta lisa. Os personagens revivem dentro de mim. Talvez devessem morrer.
sexta-feira, novembro 24, 2006
Para ler ao som de Yann Tiersen ou Beethoven
Chega de estórias
Expreme sai
Te.
No respiro
Doce quente
A lágrima
Escorre
Essssssssssssssssssssssssssssssssssssssss
Corre ! ! !
Vento brando
Olhos cheios
Atravessada a rua
Através da
música
Expreme sai
Te.
No respiro
Doce quente
A lágrima
Escorre
Essssssssssssssssssssssssssssssssssssssss
Corre ! ! !
Vento brando
Olhos cheios
Atravessada a rua
Através da
música
quarta-feira, novembro 22, 2006
nada
eu quero uma imagem fixa.
talvez um som
a pele lisa rompe e jorra sangue
o concreto abre e nao sai nada
talvez um som
a pele lisa rompe e jorra sangue
o concreto abre e nao sai nada
domingo, novembro 12, 2006
Horror
____no momento da descoberta, eu vi o Horror; tornei-me a mim mesmo. O Horror era de olhos grandes esbugalhados, de um corpo magro esguio sem forma
O Horror se mostrou para mim atrás da porta, de respiração aflita [ eu não desviei os olhos e naquele instante eu permiti, não tive medo ] ele quis algo de mim
Sem saber meu olhar publicou a entrada, então o Horror se fez atrás dos vitrais, das janelas, dos móveis, ele estava sob minha cama, frequentava por baixo dos panos [ a cada encontro o Horror me torna um pouco inexistente ] ele sai de dentro dos armários com aqueles olhos.
...ter visto o Horror foi trazer a existência para o peito, é não ter nascido e respirar.
O Horror s'esconde pela casa, está nos detalhes imperceptíveis que só eu posso enxergar
[ Ele me fecha a alma.
O Horror se mostrou para mim atrás da porta, de respiração aflita [ eu não desviei os olhos e naquele instante eu permiti, não tive medo ] ele quis algo de mim
Sem saber meu olhar publicou a entrada, então o Horror se fez atrás dos vitrais, das janelas, dos móveis, ele estava sob minha cama, frequentava por baixo dos panos [ a cada encontro o Horror me torna um pouco inexistente ] ele sai de dentro dos armários com aqueles olhos.
...ter visto o Horror foi trazer a existência para o peito, é não ter nascido e respirar.
O Horror s'esconde pela casa, está nos detalhes imperceptíveis que só eu posso enxergar
[ Ele me fecha a alma.
domingo, novembro 05, 2006
Interstício
Se eu pudesse eu apagaria os sonhos. Eu apegaria aos sonhos, eu a pé ganharia os sonhos, eu a pá agarraria os sonhos. Eu, do pó gozaria os sonhos. Eu cantaria uma música muda e voaria num som infinito e lá o espaço físico estaria fora de questão. Eu pegaria um novelo e desnovelaria o tempo, desfiaria todos os sonhos de todas as avós e então choveria sobre um chão que nunca chegasse e a água se depositaria naquilo que não tem fim_______ que não tem ponto e a cada ponto desfeito da lã uma lágrima cairia de uma avó
Eu cresceria e m´abriria m´expandiria, do sonho apegado um punhado d´ar que do céu sendo eu despejaria avós encantadoras e a cada choque contra o chão inexistente um grito eu iria querer dar, mas não consigo, não consigo, e eu quero, sentir, mas não posso porque se eu gritar o sonho acaba
Eu cresceria e m´abriria m´expandiria, do sonho apegado um punhado d´ar que do céu sendo eu despejaria avós encantadoras e a cada choque contra o chão inexistente um grito eu iria querer dar, mas não consigo, não consigo, e eu quero, sentir, mas não posso porque se eu gritar o sonho acaba
__pressa__
Está chovendo. Estou todo molhado. O trânsito está insuportável. Larguei carro. Cheguei. Toma meu coração. Desculpe te entregá-lo assim, ainda sujo de sangue.
segunda-feira, outubro 30, 2006
____________
Folha branca invisível que me espera naquilo que ainda não existe e que logo quando nasce morre. Natimorto.
Ouçamos a música!!!
É a solução. Porque o mundo gira como um vinil. Tudo não passa de som. Mesmo no vácuo.
Procuro nos recortes, meus recortes, cortes, pedaços de mim, uma logicidade. Quero contar uma história. Disseram-me que ela já esta contada, mas insisto.
Ela é tão linda. Nua.
Hoje estou visivelmente impossível.
Ouçamos a música!!!
É a solução. Porque o mundo gira como um vinil. Tudo não passa de som. Mesmo no vácuo.
Procuro nos recortes, meus recortes, cortes, pedaços de mim, uma logicidade. Quero contar uma história. Disseram-me que ela já esta contada, mas insisto.
Ela é tão linda. Nua.
Hoje estou visivelmente impossível.
sexta-feira, outubro 20, 2006
Envelope Lacrado
Recebi um segredo ontem pela noite. De um alguém que nem sequer posso contar, não somente porque eu não tenho conhecimento, mas porque segredo é segredo e assim me foi ensinado.
Um bilhete me foi avisado. Penso, desde de muito cedo é verdade, que o segredo deve ser muito segredo mesmo, daqueles que a mãe só contava pro vigário. Mas como é que pode?
Recebo um bilhete e nem o tenho em mãos! Recebo um sentimento e nem bem sei seu genitor!
E agora como durmo? Não posso guardar algo que não saiba. Todos sabemos que a mulher engravida e lá dentro há um bebê.
O bilhete me atordoa.
Suba no ponto mais alto dessa cidade e grite seu segredo, escreva tudo em uma folha e após confeccionar um belo avião de papel lance-o aos ventos; lhe garanto: dormirei melhor.
Anuncio no abismo então, o amor que nos é escondido a cada bilhete ocultado-avisado.
Um bilhete me foi avisado. Penso, desde de muito cedo é verdade, que o segredo deve ser muito segredo mesmo, daqueles que a mãe só contava pro vigário. Mas como é que pode?
Recebo um bilhete e nem o tenho em mãos! Recebo um sentimento e nem bem sei seu genitor!
E agora como durmo? Não posso guardar algo que não saiba. Todos sabemos que a mulher engravida e lá dentro há um bebê.
O bilhete me atordoa.
Suba no ponto mais alto dessa cidade e grite seu segredo, escreva tudo em uma folha e após confeccionar um belo avião de papel lance-o aos ventos; lhe garanto: dormirei melhor.
Anuncio no abismo então, o amor que nos é escondido a cada bilhete ocultado-avisado.
segunda-feira, outubro 09, 2006
___Choro profundo___

Desculpa, eu chorar. Eu chorar assim tão invasivamente, olha o que eu estou te impondo!, meu Deus e eu nem sei de onde mesmo que viestes, eu não sei o que carregas contigo, das tuas angústias, do que se trata esse vaso de flores rutilantes em teus braços.
Sei que não existe um culpado e que não tenho o domínio.
É que eu preciso. Ainda não me conheces bem, e de certo que nunca irá, mas tentarei te acalmar dizendo que a gente acostuma-se com tudo. Mas sinto que comigo é diferente. Eu choro só de imaginar, de ver, há vezes em que um sopro mais gelado me deixa em prantos. Não sei o que é isso que está em mim que não seguro. Às vezes apenas acordar é o suficiente para meus olhos se afogarem num choro compriiiido e baixinho. Quase sem som.
Mas olha eu, dizendo essas coisas. Eu te assustei... é como uma bola de neve sabe, não, eu nunca vi neve na minha vida. Já até cheguei a duvidar que neve realmente existisse... Se me calo eu choro mais, preciso ir dizendo aos montes essas coisas que vão saindo assim, às vezes um pouco estranhas outras até mesmo convenientes mas em todos os casos sem muito controle meu porque nessas horas desconheço os significado de controle e de tudo e pra te dizer o bem da verdade me desculpe. Pareço uma folha seca. Calma, eu vou respirar e ficarei em silencio____________
Eu queria chorar todo choro que existe no mundo de uma vez só.
O choro ninguém explica. Quem nunca ouviu o barulho indecente de um ser que chorou. O choro é a voz do inconsciente. Choro é desespero. Contração. De onde vem o choro? O choro é a língua de Deus, a salvação. No fim, se a Torre de Babel tivesse sido construída, veriam que todos, sem exceção, chorariam e se entenderiam mesmo os das nacionalidades mais distintas. Deus virá nos salvar no exato momento em que todos nós chorarmos ao mesmo tempo; não está longe. Todos chorariam, o mundo entraria em contração e então talvez um novo Big-Bang surgisse, Deus choveria junto e inundaria o mundo por 40 anos.
Eu preciso chorar todo o choro do mundo de uma só vez.
Eu caí na armadilha. É sabido que nunca se deve começar qualquer coisa, não existe volta. O segundo é o que basta para se estar preso a toda eternidade. Meu erro foi ter chorado uma primeira vez. Quem ensina o choro? Não... Querido, choro não se ensina. Choro sai. Foi um susto tão grande sentir o choro: aquilo que saindo de mim me invadia toda, me transbordava de mim mesma. Eu chorei por quê? Chora-se por tanta coisa e eu nem sei. Não devia ter lhe dirigido sequer um oi, sequer devia ter pensado em lhe construir, em imaginar, sonhar é um erro. Agora estamos aqui presos a algo que nunca existiu; já até criamos uma relação, talvez até apelidos. Já temos memória: um do outro. E você vai chegar em casa e contar à sua família que durante o seu dia sufocante se deparou com uma mulher que sobre ti despejou todo o peso do que é um dia, pela primeira vez, ter chorado. E eu chegarei em casa com você na minha cabeça e não direi nada a ninguém porque ninguém...(choro profundo).
terça-feira, outubro 03, 2006
Partida-Chegada
Sou uma corrente de ar e deslizo por-entre-sobre tudo.
Minha vontade é infinita;
Sou as estradas invisíveis dos aviões.
Minha força é atômica e desenho no espaço aberto sem deixar escrituras
Só podem me sentir, mas se ver é um sentido por que não me vêem?
Minha cor é não-colorido, mas tenho coração.
Se anoitecer, sou tão rápido que fujo
Meu legado é não ter intenção.
Será? Até finjo me acreditar...Preenchido de uma paz que inunda
Meu quarto novo.
Sou solto demais, bóio numa gelatina prazerosa e amoleço as paredes [com o]
Movimento natural da respiração.
Sou o ar comprimido da contração-dilatação, diafragma do universo.
Me incrusto nas vias cimentais, sentimentais, da estrutura forte que [chamamos “concreto”]
Sumo
Misturo
Saio
Medito
Sigo, pois minha vontade é infinita
Meu ciclo é infindável
Sou as estradas invisíveis nos céus dos aviões, e
Meu coração é
Seu.
Minha vontade é infinita;
Sou as estradas invisíveis dos aviões.
Minha força é atômica e desenho no espaço aberto sem deixar escrituras
Só podem me sentir, mas se ver é um sentido por que não me vêem?
Minha cor é não-colorido, mas tenho coração.
Se anoitecer, sou tão rápido que fujo
Meu legado é não ter intenção.
Será? Até finjo me acreditar...Preenchido de uma paz que inunda
Meu quarto novo.
Sou solto demais, bóio numa gelatina prazerosa e amoleço as paredes [com o]
Movimento natural da respiração.
Sou o ar comprimido da contração-dilatação, diafragma do universo.
Me incrusto nas vias cimentais, sentimentais, da estrutura forte que [chamamos “concreto”]
Sumo
Misturo
Saio
Medito
Sigo, pois minha vontade é infinita
Meu ciclo é infindável
Sou as estradas invisíveis nos céus dos aviões, e
Meu coração é
Seu.
quarta-feira, setembro 06, 2006
____Procuro o quê?____
Meus pés amputados. Os meus cabelos tortos. Procuro por entre as mãos emaranhadas de fios soltos de cabelos. Procuro o quê? O que busco não existe. E meus cabelos só me caem. Soltam pelos dias infinitos sem razão. Porque não há razão. Nunca houve. Na essência da coisa não existe razão. O motivo nos foi escondido. A salvação é não encontrá-lo. Mas procuro de todas as formas. Minha última fixação é por cabelos e árvores. Ando tramando não-sei-o-que com as árvores. Elas já me perceberam. Eu me percebi. Nos meus trajetos diários confisco cada árvore da rua, classifico, estudo suas folhas, escolho um dia do ano, tento analisá-las, guardo as sementes, faço um projeto. Nunca me interessei tanto pelas sementes das árvores. Somente das árvores certas, já existem imitações e seria um erro fatal gastar o tempo infindável com as não-árvores. Para tudo existe um tempo útil. Eu tenho um tempo, o tempo que me é dado pelo cair dos cabelos. O tempo é a metáfora. A semente que é o tempo. Essas sementes que tenho aprisionado. Elas me olham gritando. Ditando-me o tempo. Há nas sementes a urgência. Em todas, mas nem todas___
Busco fora de mim o que não tem direção. Já a semente tem direção, ela cai reta como um fio de cabelo vai ao chão. O cabelo é metáfora: as folhas são os cabelos. As folhas me ditam o tempo. Folha é a semente evoluída. Eu procuro a evolução. Tenho o tempo cronometrado como o das árvores. As folhas que caem entre as mãos emaranhadas. As árvores também procuram. Eu procuro o quê meu Deus? Diga seu caminho árvore, a saída é te seguir. Minha cabeça está careca. O meu mapa se perdeu. Eu me.
Os meus projetos____minha soberania. Ter as sementes em mãos me torna pronto. Emancipo da questão, é tudo que um ser humano por almejar [ e as árvores já me sabem ]. De posse das sementes eu me torno pai e mãe, eu sou o dom da criação, eu sou Deus___eu seria mais que Deus se___se deus fosse___Eu é que sou. Planto as sementes, posso executá-las ainda proto-seres e ver o fio da vida, onde as respostas escondidas estão. Descubro puxando a frágil proto-planta da terra e expondo sua ainda proto-raiz à morte. Por sobre a mesa infértil eu deixo a proto-vida agonizar. Eu crio e descrio. Eu procuro o quê?
Todo o resto é metáfora, todo texto, a raiz é a metáfora, todo o resto. A salvação é a metáfora, é a raiz [ _____ e meus pés amputados ______ ]
Busco fora de mim o que não tem direção. Já a semente tem direção, ela cai reta como um fio de cabelo vai ao chão. O cabelo é metáfora: as folhas são os cabelos. As folhas me ditam o tempo. Folha é a semente evoluída. Eu procuro a evolução. Tenho o tempo cronometrado como o das árvores. As folhas que caem entre as mãos emaranhadas. As árvores também procuram. Eu procuro o quê meu Deus? Diga seu caminho árvore, a saída é te seguir. Minha cabeça está careca. O meu mapa se perdeu. Eu me.
Os meus projetos____minha soberania. Ter as sementes em mãos me torna pronto. Emancipo da questão, é tudo que um ser humano por almejar [ e as árvores já me sabem ]. De posse das sementes eu me torno pai e mãe, eu sou o dom da criação, eu sou Deus___eu seria mais que Deus se___se deus fosse___Eu é que sou. Planto as sementes, posso executá-las ainda proto-seres e ver o fio da vida, onde as respostas escondidas estão. Descubro puxando a frágil proto-planta da terra e expondo sua ainda proto-raiz à morte. Por sobre a mesa infértil eu deixo a proto-vida agonizar. Eu crio e descrio. Eu procuro o quê?
Todo o resto é metáfora, todo texto, a raiz é a metáfora, todo o resto. A salvação é a metáfora, é a raiz [ _____ e meus pés amputados ______ ]
sexta-feira, agosto 11, 2006
Ritmo
Posso ouvir sua respiração. A cada silêncio cortado uma música lenta e triste intercalada. O peito incha e murcha, como se dissesse: “veja quanto trabalho para continuar do teu lado, não paro nunca, não posso”. Guarda estas coisas na cabeça amor. Não precisa me dizer porque eu vou esquecer, ouve só a música lenta-triste, ouve só, sozinho no descansar do sono, lá onde nem eu nem você pode entrar. Sozinho no amanha sem nós. Posso ouvir sua respiração mais forte. O peito parece que vai explodir, já nem murcha, quase suicida, como se dissesse: “Nãoooooo, Nãooooo, Nãooooo...”. A música agora tá urgente. Aperta no ouvido, me desarmoniza. Mas ouço o estacato do seu peito só. Máquina potente. Só ouço ele. Como se sonhasse lá no impenetrável dos sonhos uma coisa que nem sei o nome. Que de tão feio é inimaginável. Só dói.
Posso ouvir sua respiração lenta-calma porque você acordou e me sorriu um sorriso lindo-acolhedor.
Posso ouvir sua respiração lenta-calma porque você acordou e me sorriu um sorriso lindo-acolhedor.
Ritmo
Posso ouvir sua respiração. A cada silêncio cortado uma música lenta e triste intercalada. O peito incha e murcha, como se dissesse: “veja quanto trabalho para continuar do teu lado, não paro nunca, não posso”. Guarda estas coisas na cabeça amor. Não precisa me dizer porque eu vou esquecer, ouve só a música lenta-triste, ouve só, sozinho no descansar do sono, lá onde nem eu nem você pode entrar. Sozinho no amanha sem nós. Posso ouvir sua respiração mais forte. O peito parece que vai explodir, já nem murcha, quase suicida, como se dissesse: “Nãoooooo, Nãooooo, Nãooooo...”. A música agora tá urgente. Aperta no ouvido, me desarmoniza. Mas ouço o estacato do seu peito só. Máquina potente. Só ouço ele. Como se sonhasse lá no impenetrável dos sonhos uma coisa que nem sei o nome. Que de tão feio é inimaginável. Só dói.
Posso ouvir sua respiração lenta-calma porque você acordou e me sorriu um sorriso lindo-acolhedor.
Posso ouvir sua respiração lenta-calma porque você acordou e me sorriu um sorriso lindo-acolhedor.
domingo, agosto 06, 2006
Uma Possibilidade
Está difícil fechar os olhos.
Ou o coração.
E isso aqui é apenas um retrato dessa minha vida polaroide.
Um retrato e eu não posso parar por conta disso, não posso mais ficar pensando nessas coisas, coisas tão do umbigo, tão que apenas me emocionam e não fazem nada pelo resto, que é muito mais que esse todo torto que escreve.
Isso é um retrato muito pequeno. Olha só, tenho 23 anos, já não posso mais chorar com essas coisas tão insignificantes já que eu sei de tanta merda que está acontecendo agora, neste exato momento.
Sinto que a casca está ficando mais dura, é uma contra-ecdise de sentimentos que tenho, algo que aprisiona mais ainda meu ser. É doído, mas preciso. Olha eu de novo, doído; eu nunca soube o que realmente é algo doído.
Um bando de besteiras inúteis para os fracos.
Assim fica difícil até de mostrar a cara. Dá vergonha.
É que quando penso que tenho certeza de algo vejo que estava enganado e que minhas afirmações foram realmente infundadas.
É que a cada momento de segurança que tenho na vida eu vejo que me afasto rapidamente de mim mesmo. Vejo que a cada direito que me dou eu me afasto completamente daquilo que pensava ser; a cada comentário sobre alguém eu me vejo como espelho fiel às atitues repreendidas.
Então não há saídas, somente uma lacuna enorme com cor de vazio.
Não quero que falem nada sobre isso aqui. Nenhum comentário.
Obrigado.
Ou o coração.
E isso aqui é apenas um retrato dessa minha vida polaroide.
Um retrato e eu não posso parar por conta disso, não posso mais ficar pensando nessas coisas, coisas tão do umbigo, tão que apenas me emocionam e não fazem nada pelo resto, que é muito mais que esse todo torto que escreve.
Isso é um retrato muito pequeno. Olha só, tenho 23 anos, já não posso mais chorar com essas coisas tão insignificantes já que eu sei de tanta merda que está acontecendo agora, neste exato momento.
Sinto que a casca está ficando mais dura, é uma contra-ecdise de sentimentos que tenho, algo que aprisiona mais ainda meu ser. É doído, mas preciso. Olha eu de novo, doído; eu nunca soube o que realmente é algo doído.
Um bando de besteiras inúteis para os fracos.
Assim fica difícil até de mostrar a cara. Dá vergonha.
É que quando penso que tenho certeza de algo vejo que estava enganado e que minhas afirmações foram realmente infundadas.
É que a cada momento de segurança que tenho na vida eu vejo que me afasto rapidamente de mim mesmo. Vejo que a cada direito que me dou eu me afasto completamente daquilo que pensava ser; a cada comentário sobre alguém eu me vejo como espelho fiel às atitues repreendidas.
Então não há saídas, somente uma lacuna enorme com cor de vazio.
Não quero que falem nada sobre isso aqui. Nenhum comentário.
Obrigado.
domingo, julho 16, 2006
sexta-feira, julho 14, 2006
[ Um Presente: Peixe meu para você ]
Eu te dei um peixe e ele voltou. Voltou pelas mãos de outro. Um outro. Só que o peixe não era apenas um peixe; era amor. Amor com o qual você não soube o que fazer, por isso deixou para um outro. Para que o bicho vivo respirasse, sofresse lá em um outro. Um alguém. É que o peixe é assim, é de uma natureza, um amor difícil, solitário, quase frio. E quando não se dá conta a gente ou joga no vaso e dá descarga, ou passa o amor para frente. Mas um outro alguém não suportou o peixe e por coincidência fez com que o amor chegasse até a mim. Eu reconheci. Eu sei das coisas que são minhas. Aquele amor, aquele peixe, era meu. Meu que dei para você, que você deu para alguém. Você foi incapaz. É, acho que realmente só os peixes sabem, na solidão fria de peixe, o que é o amor.
A João Cabral de Melo Neto
O amor comeu meus momentos mais felizes,
E eu permiti.
O amor me afastou das coisas
Que eu acreditava mais amar,
E eu permiti.
E eu permiti.
O amor me afastou das coisas
Que eu acreditava mais amar,
E eu permiti.
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