E se eu dissesse que te amo, hein? E se eu soltasse o verbo e nem pensasse nas palavras, no que elas fazem com o outro; então eu me esqueceria que uma dia tudo acaba e entregaria todos meus sentimentos, minhas armas; e então? será que seria o primeiro passo para que você me achasse imaturo e começasse a me querer só como um amigo?mas e se eu tentasse colocar dentro da sua cabeça que é tudo verdade e você pode me amar o mesmo tanto! e se me dissessem que no amor não há igualdade?
Não tem problemas, eu diria que eu sei, mas que sempre gosto de testar.
e então?
sexta-feira, abril 14, 2006
domingo, abril 09, 2006
[[[papel_amassado]]]
Como um escritor cansado, que desiste da sua obra incabada:
Ao me surpreender sentado em uma poltrona velha, como se ali estivese apenas deixando o tempo me passar, me ponho de pé, ando sem exitações até a janela e me lanço ao espaço, do 12 andar:
Nos 3 segundos seqüentes sou invadido por um turbilhão de sensações, um êxtase, uma falta total, um puro devir e
Ao me surpreender sentado em uma poltrona velha, como se ali estivese apenas deixando o tempo me passar, me ponho de pé, ando sem exitações até a janela e me lanço ao espaço, do 12 andar:
Nos 3 segundos seqüentes sou invadido por um turbilhão de sensações, um êxtase, uma falta total, um puro devir e
domingo, abril 02, 2006
_Felicidade_
De short e uma camiseta velha, o bigode de leite gelado, ao lado o copo duplo sujo de branco, rodopiando por sobre a cadeira giratória do computador, cantando uma música besta, imitando com as mãos o tocar de bateria, se pensando só no quarto, numa manhã fresca de domingo.
Pela greta da porta, eu vi.
Pela greta da porta, eu vi.
_O_Curso_da_Dor_
Escuta meu problema!
Escuta: Se fecho os olhos eu consigo ver, passear pela geografia do teu rosto, do teu corpo, do teu corpo nu, dos teus arrepios. As imagens, fotografias do seu jeito de ser.
Escuta: Se eu fecho os olhos eu sei sentir o cheiro, o teu cheiro exalado do amor, do sexo, do banho. Escuta?
Escuta meu problema: Se fecho os olhos posso sentir todos os gostos, nossos gostos.
Solta! solta! solta!
Como é que solta?
A cada entardecer me apaixono por ti novamente.
Solto. Começo. Vai despregando como quando a carne rasga e separa a fibra da fibra da pele da veia do líquido do calor da cor e cai abrindo um espaço no vermelho rugoso. Estranho, porquê se fecho os olhos, ainda eu...
Desprega de um e prega em outro. Antes um agora... é o curso normal?
A cada entardecer me apaixono por outros "ti" novamente.
Domínio? Difícil, muito difícil, por que se fecho os olhos, as lembranças.
Mas vai despregando...soltando...doendo...caindo...mas é preciso guardá-las...aonde elas caem?
Escuta meu problema: Até quando é preciso ter lembranças? Até quando sou capaz de ir guardando, JOGANDO FORA DENTRO DE MIM, os momentos, os tempos. E são tantos, tantas, todos. São lembranças demais, já disse, pessoas demais. Eu nisso tudo: de menos.
Escuta meu problema: Preciso ser uma lembrança só. É que passa rápido demais e não consigo acostumar com os eus tão diferentes dessas várias recordações.
Mas vai despregando...soltando...doendo...caindo...e dói mesmo...e vai pregando novamente...
............................
............................
............................
Escuta: Se fecho os olhos eu consigo ver, passear pela geografia do teu rosto, do teu corpo, do teu corpo nu, dos teus arrepios. As imagens, fotografias do seu jeito de ser.
Escuta: Se eu fecho os olhos eu sei sentir o cheiro, o teu cheiro exalado do amor, do sexo, do banho. Escuta?
Escuta meu problema: Se fecho os olhos posso sentir todos os gostos, nossos gostos.
Solta! solta! solta!
Como é que solta?
A cada entardecer me apaixono por ti novamente.
Solto. Começo. Vai despregando como quando a carne rasga e separa a fibra da fibra da pele da veia do líquido do calor da cor e cai abrindo um espaço no vermelho rugoso. Estranho, porquê se fecho os olhos, ainda eu...
Desprega de um e prega em outro. Antes um agora... é o curso normal?
A cada entardecer me apaixono por outros "ti" novamente.
Domínio? Difícil, muito difícil, por que se fecho os olhos, as lembranças.
Mas vai despregando...soltando...doendo...caindo...mas é preciso guardá-las...aonde elas caem?
Escuta meu problema: Até quando é preciso ter lembranças? Até quando sou capaz de ir guardando, JOGANDO FORA DENTRO DE MIM, os momentos, os tempos. E são tantos, tantas, todos. São lembranças demais, já disse, pessoas demais. Eu nisso tudo: de menos.
Escuta meu problema: Preciso ser uma lembrança só. É que passa rápido demais e não consigo acostumar com os eus tão diferentes dessas várias recordações.
Mas vai despregando...soltando...doendo...caindo...e dói mesmo...e vai pregando novamente...
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domingo, março 19, 2006
__Primeiros__Sinais__
Ao olhar num relance, movimento rápido frações de milésimos de segundos, um parar exato no desespero da dor de coração, no instante do pisar em falso e estar no ar prestes a cair mas ainda se vendo vertical sobre os olhos secos dos outros, uma previsão da dor [anzol no olho do peixe] no momento certo que a lágrima se forma a partir da consciência da estreita solidão da vida, ínfimo sentimento, segurança perdida no cair de braços soltos da janela do quarto do prédio cinza, fino sentimento exposto o fio da teia de aranha.
Querido, querido, não me ponha contra a parede assim. Não me faça sentir novamente o estar de dedos frios na fronteira do precipício. Cuidado com as pistas, não as me dê assim de mãos beijadas. Não crie, tão na madrugada, no amanhecer da gente, as possibilidades do cair nos buracos infinitos do pedir [não me deixe jamais].
Deite seu rosto delicado em meu peito e escute o silêncio marcado que brota e se esvai do meu coração. Feche estes pequenos olhos embebidos, acalme o ritmo da sua bomba de amar e me aceite, mesmo sabendo que eu possuo um bêbado amor e assim sempre será.
quinta-feira, março 16, 2006
La__________Morte
Mots recortadas:
Tentação
Tent`ação
Tenta ação
Tenta, tenta e não consegue.
Persistência que persegue a existência.
Je me suis oublié_______________.
Porém, não m`envergonho
De ti, de mim, de ninguém.
Se omito é porque seria melhor que não soubessem
Omito
O mito
Minto
Soubessem o quanto o sofrer me alimenta,
Faz tão bem.
Sofrer
De ti, de mim, de alguém.
Tento a ação do mito, mas minto para mim mesmo.
Ando tão "sais pas" que em mim nem as lágrimas.
Oui, je me promettré le silence pour tous jours.
Silence,
C`est l`action que me reste________
____________________________
Tentação
Tent`ação
Tenta ação
Tenta, tenta e não consegue.
Persistência que persegue a existência.
Je me suis oublié_______________.
Porém, não m`envergonho
De ti, de mim, de ninguém.
Se omito é porque seria melhor que não soubessem
Omito
O mito
Minto
Soubessem o quanto o sofrer me alimenta,
Faz tão bem.
Sofrer
De ti, de mim, de alguém.
Tento a ação do mito, mas minto para mim mesmo.
Ando tão "sais pas" que em mim nem as lágrimas.
Oui, je me promettré le silence pour tous jours.
Silence,
C`est l`action que me reste________
____________________________
sábado, fevereiro 18, 2006
Para se morrer no meio fio________
______________________________________________
Pela calçada cor de lágrima
no meio fio, meio fim, meio de mim.
Para se morrer é preciso [ entendimento poético ]
Deve-se ser forte-fraco-forte-fraco- - - - - - - - assim - - - - - - -
E pela noite ficam pedaços de mim,
perdidos.
Desejo um apoio assim sabe desses que se quer
Então busco me encontrar em algum meio fio :
Aos prantos, num choro de morrer,
lavo a calçada, toda ela para você.
E morro.
Pela calçada cor de lágrima
no meio fio, meio fim, meio de mim.
Para se morrer é preciso [ entendimento poético ]
Deve-se ser forte-fraco-forte-fraco- - - - - - - - assim - - - - - - -
E pela noite ficam pedaços de mim,
perdidos.
Desejo um apoio assim sabe desses que se quer
Então busco me encontrar em algum meio fio :
Aos prantos, num choro de morrer,
lavo a calçada, toda ela para você.
E morro.
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
[ r e t i c ê n c i a s ]
Ana, minha filha, não mexa neste copo; esta água é da mamãe. Só da mamãe. Vamos querida...e Tom? Já disse que não quero saber de você de interesse nesta gaveta velha! Crianças, para o quarto! Olhem a Clara como dorme; quero vocês assim. Deitem. [ e deitaram caídos de sono. disse a eles que ] a mamãe vai contar uma coisa para vocês: hoje, não como o tempo vivente, mas como um tempo histórico; é porque já fazem 10 anos e eu___ olhem para a mamãe, tenho já 43 [ as crianças olharam como se ]. Há algo que é preciso dizer-lhes: demora-se mesmo aceitar as formas, até por conta disso que me perco [ me perdi entre quatro olhinhos sonolentos ] e até as palavras, elas me fogem todas. Perdoem mas agora mesmo não era isso que eu gostaria de falar. Preciso que ouçam e ainda são tão jovens. Oh! Quando não se consegue viver a brutalidade real diária, como o pão, este: o melhor exemplo! o pão que se compra todos os dias às 17:00 horas; assim meus filhos, vive-se de enganos como vivi. Eu: onde vai-se para a cama de coração quente, mas de pernas frias e com o tempo, um tempo talvez de 10 anos, assim, com o tempo crianças: o gelo das pernas irradia para o ventre de mulher. Pretrifica. Consome-lhe os seios: um câncer nas vísceras [ a cria já toda ela dormia ], a pele com o tempo vai sendo toda manchada e já não se pode chorar. Decide-se. E perdoem se abro os cantos da boca, mas esta mãe, que antes mulher, agora sêca. E de que serve uma mulher que não pode mais chorar? Icapaz de si.
É que quando se nasce errado, faltando uma parte, não se deve procurar a outra. Deve-se aceitar, ouçam bem. Sabem o motivo? Corremos o risco diário de encontrar a outra parte até mesmo no trajeto da padaria e encontra-se; mas um dia, sem grandes motivos, esta metade vai embora, como se houvesse encontrado sua outra metade que não eu, então o que sobra não é a minha metade e sim talvez um quarto dela. Ora crianças, é a mamãe quem diz, um dia aprenderão a matemática de viver.
É por isso: hoje como história de minha vida, como chuva que troveja para se anunciar, hoje resolvo e caio como que do céu e sem medo da queda me caio toda de um alto e fecho os olhos, apenas aceito, ultrapasso minha velocidade e chovo no chão [ era melhor mesmo eles continuarem a dormir ].
Apenas ouçam: não deve-se viver por 10 anos numa mesma estação. Existe o mais além, como as viagens que só vão. Tom, querido, quando se tem 9 anos a gente se assusta mesmo com as mamães, mas quando no outro dia se acorda: não lembramos de nada passado e vive-se tão bem! Tão bem que até não damos conta. Amanhã a engrenagem desta casa há de funcionar. [ abracei o pequeno ] Ana, você dorme e parece sonhar com tantas coisas! E de boca aberta parece estar com sede, parece sonhar com o copo de água da mamãe. Só do mamãe. Minha querida, um dia econtrará o seu, mas esta água, meus filhos, é quem me pagará os 10 anos. Insuportáveis; mas insuportável sou eu. Perdão se estou sendo dura demais.
Tom, Ana e Clara, vocês são tão pequeninos, mas valerá a pena: é preciso morrer a cada segundo vivido e esquecer. Eu queria um tempo único do insntante milesimal, do vivo-morto; só assim conseguiria ser plena e 10 anos não seriam nada porque não se contaria o tempo. Não haveria tempo hábil para se criar juízos de valor, não haveria a felicidade mas também a tristeza. Apenas seríamos; não haveria memória, somente o agora já morto e então transcenderíamos.
Desculpem a mamãe se incomodo o sono de vocês [ não se mexiam, mas sabia q de alguma forma eu estava sendo útil ].
A água, Ana, é para matar minha sede; regar esta alma seca em que me tornei. Ao bebê-la também dormirei, o mais secreto sono, ao lado de vocês. Boa noites queridos. Boas vidas [ bebi e chorei como daquela vez em que despenquei dos céus; mas agora o fim parecia nunca chegar e eu despencava como quem não acha o fim entre dois espelhos, me desfacelava toda, desintegrava em partes de mim, úmidas pelo choro eterno; mergulhava feliz no puro vento; uma euforia não de quem encontra um ponto final, mas as [. . .]
É que quando se nasce errado, faltando uma parte, não se deve procurar a outra. Deve-se aceitar, ouçam bem. Sabem o motivo? Corremos o risco diário de encontrar a outra parte até mesmo no trajeto da padaria e encontra-se; mas um dia, sem grandes motivos, esta metade vai embora, como se houvesse encontrado sua outra metade que não eu, então o que sobra não é a minha metade e sim talvez um quarto dela. Ora crianças, é a mamãe quem diz, um dia aprenderão a matemática de viver.
É por isso: hoje como história de minha vida, como chuva que troveja para se anunciar, hoje resolvo e caio como que do céu e sem medo da queda me caio toda de um alto e fecho os olhos, apenas aceito, ultrapasso minha velocidade e chovo no chão [ era melhor mesmo eles continuarem a dormir ].
Apenas ouçam: não deve-se viver por 10 anos numa mesma estação. Existe o mais além, como as viagens que só vão. Tom, querido, quando se tem 9 anos a gente se assusta mesmo com as mamães, mas quando no outro dia se acorda: não lembramos de nada passado e vive-se tão bem! Tão bem que até não damos conta. Amanhã a engrenagem desta casa há de funcionar. [ abracei o pequeno ] Ana, você dorme e parece sonhar com tantas coisas! E de boca aberta parece estar com sede, parece sonhar com o copo de água da mamãe. Só do mamãe. Minha querida, um dia econtrará o seu, mas esta água, meus filhos, é quem me pagará os 10 anos. Insuportáveis; mas insuportável sou eu. Perdão se estou sendo dura demais.
Tom, Ana e Clara, vocês são tão pequeninos, mas valerá a pena: é preciso morrer a cada segundo vivido e esquecer. Eu queria um tempo único do insntante milesimal, do vivo-morto; só assim conseguiria ser plena e 10 anos não seriam nada porque não se contaria o tempo. Não haveria tempo hábil para se criar juízos de valor, não haveria a felicidade mas também a tristeza. Apenas seríamos; não haveria memória, somente o agora já morto e então transcenderíamos.
Desculpem a mamãe se incomodo o sono de vocês [ não se mexiam, mas sabia q de alguma forma eu estava sendo útil ].
A água, Ana, é para matar minha sede; regar esta alma seca em que me tornei. Ao bebê-la também dormirei, o mais secreto sono, ao lado de vocês. Boa noites queridos. Boas vidas [ bebi e chorei como daquela vez em que despenquei dos céus; mas agora o fim parecia nunca chegar e eu despencava como quem não acha o fim entre dois espelhos, me desfacelava toda, desintegrava em partes de mim, úmidas pelo choro eterno; mergulhava feliz no puro vento; uma euforia não de quem encontra um ponto final, mas as [. . .]
quarta-feira, fevereiro 08, 2006
Quando
Quando Ela se for (...)
Mas isso só quando.
Não serei MAIS,
Pero si ahora soy:
Entrego-Esfrego
Expurgo prazer pelos poros
E você voicifera "vemvinhovermelho!"
Vou na taça,
Dissolvido em g o t a s .
.
.
.
.
Você me bebe todo__________
Eu te tonto!
Vazo, me entorno pelo canto do lábio
Escorro __ pelos seus pêlos, peito, barriga, coxas. . .
Me seco lá no quente friccionar do teu corpo.
E X P A N D O
Mas isso,
Só antes de quando,
Mí corazón.
Mas isso só quando.
Não serei MAIS,
Pero si ahora soy:
Entrego-Esfrego
Expurgo prazer pelos poros
E você voicifera "vemvinhovermelho!"
Vou na taça,
Dissolvido em g o t a s .
.
.
.
.
Você me bebe todo__________
Eu te tonto!
Vazo, me entorno pelo canto do lábio
Escorro __ pelos seus pêlos, peito, barriga, coxas. . .
Me seco lá no quente friccionar do teu corpo.
E X P A N D O
Mas isso,
Só antes de quando,
Mí corazón.
quarta-feira, fevereiro 01, 2006
Como um suspiro
A mulher e o menino. Assim, frente a frente, filho e mãe, um do outro, por entre os dois uma taça esguia lambusada de chocolate. Esta fazia barulho, mais do que, ou era invenção dos meus ouvidos? Era assim, neste silêncio, só dos dois, que a mulher cuidava e mostrava seu amor ao pequeno.
Grandes olhos verdes para pequenas amêndoas pretas. E o silêncio...que só. Mas era assim, como se nada fosse preciso dizer que acontecia. Apenas o necessário.
Havia uma certa inquietação ali: ele por querer se agitar, ser como se é quando se é assim novo; ela, talvez, por querer um amadurecer dele, por querer dizer ao filho que é assim mesmo; somos dessa fôrma, forma: as vezes é bom outras nem sempre; que se sofre mesmo, mas que se sofre menos quando reconhecemos tudo assim, do jeito que se é e que ela, na verdade, não é assim tão infeliz quanto lhe pareça, mas que a felicidade dela é diferente, pois tem uma certa melancolia já que quase nunca contém o choro por coisas banais; que pode soar estranho, mas que ela morre a cada pouquinho de vida, cada suspiro e que no fundo tudo isso é de uma beleza infindável que até chora. Que ele devesse se acostumar com essas coisas da vida, a taça suja de chocolate, por exemplo, e os dois ali tão de olhos nos olhos, era, para ela, um dos momentos mais felizes de mundo e que se não estivesse tanta gente ali, até choraria. E que nem por isso era preciso dizer alguma palavra.
Tentava dizer ao pequeno, quem sabe, que viver é muito bonito, mas quando se é calmo para as coisas da vida, quando se aceita viver a vida; que ela, no que chamam de rotina de vida: de filho, de homem, de casa, de roupa, de comida, de filho, de homem, de cama, de mulher, era feliz e não que fosse um pouco contentar-se, mas que era o troféu do seu tão singelo sonho de vida.
O filho, ainda de olhar brilhante como se quisesse explicar tanta coisa àquela mãe, ouvia o silêncio do instante como se compreendesse os ensinamentos da mãe; mas, talvez, ainda sem jeito, quisesse dizer: Mamãe, eu sei. Obrigado, mas ainda não é a minha hora de compreender tanto a vida quanto a senhora. Mas obrigado, nunca esquecerei. Quem sabe não pedir a conta fosse um bom começo para se viver? Enquanto posso levarei as coisas mais levemente: cama, comida, banho, brincadeira, comida, risadas, mãe, pai, casa, vida, cama.
Os dois se olharam por mais um bom tempo. A conta veio sem que pedissem, como se o garçon adivinhasse o momento certo. Ela sorriu, pagou e com o cantinho da boca sujo de chocolate saiu com o menino, risonho por ver a mãe assim como que lambusada e tão doce agora. Andaram alguns metros até que a esquina os escondesse.
Grandes olhos verdes para pequenas amêndoas pretas. E o silêncio...que só. Mas era assim, como se nada fosse preciso dizer que acontecia. Apenas o necessário.
Havia uma certa inquietação ali: ele por querer se agitar, ser como se é quando se é assim novo; ela, talvez, por querer um amadurecer dele, por querer dizer ao filho que é assim mesmo; somos dessa fôrma, forma: as vezes é bom outras nem sempre; que se sofre mesmo, mas que se sofre menos quando reconhecemos tudo assim, do jeito que se é e que ela, na verdade, não é assim tão infeliz quanto lhe pareça, mas que a felicidade dela é diferente, pois tem uma certa melancolia já que quase nunca contém o choro por coisas banais; que pode soar estranho, mas que ela morre a cada pouquinho de vida, cada suspiro e que no fundo tudo isso é de uma beleza infindável que até chora. Que ele devesse se acostumar com essas coisas da vida, a taça suja de chocolate, por exemplo, e os dois ali tão de olhos nos olhos, era, para ela, um dos momentos mais felizes de mundo e que se não estivesse tanta gente ali, até choraria. E que nem por isso era preciso dizer alguma palavra.
Tentava dizer ao pequeno, quem sabe, que viver é muito bonito, mas quando se é calmo para as coisas da vida, quando se aceita viver a vida; que ela, no que chamam de rotina de vida: de filho, de homem, de casa, de roupa, de comida, de filho, de homem, de cama, de mulher, era feliz e não que fosse um pouco contentar-se, mas que era o troféu do seu tão singelo sonho de vida.
O filho, ainda de olhar brilhante como se quisesse explicar tanta coisa àquela mãe, ouvia o silêncio do instante como se compreendesse os ensinamentos da mãe; mas, talvez, ainda sem jeito, quisesse dizer: Mamãe, eu sei. Obrigado, mas ainda não é a minha hora de compreender tanto a vida quanto a senhora. Mas obrigado, nunca esquecerei. Quem sabe não pedir a conta fosse um bom começo para se viver? Enquanto posso levarei as coisas mais levemente: cama, comida, banho, brincadeira, comida, risadas, mãe, pai, casa, vida, cama.
Os dois se olharam por mais um bom tempo. A conta veio sem que pedissem, como se o garçon adivinhasse o momento certo. Ela sorriu, pagou e com o cantinho da boca sujo de chocolate saiu com o menino, risonho por ver a mãe assim como que lambusada e tão doce agora. Andaram alguns metros até que a esquina os escondesse.
sexta-feira, janeiro 27, 2006
Destino
Vamos nos casar em Paris?!
Se eu escorro então corro as mãos por entre os pêlos,
Escorro entre as pernas,
Vaza.
Vamos para Paris!
Sorriso aberto, destino incerto, desejo concreto.
Ah!, vadio grande sofredor,
No deleite da carne,
No embalo de passos largos e pesados, de um sorrir de corpo inteiro.
Vai mesmo! Vai à Paris!
Vaza. Vaza. Vaza. Recomeço. Vaza. Vaza.
Nosso destino é Paris, mas não deveria ser de todos os vazantes?
Sacana sambarana no emaranhar das coxas. Vaza.
Inquieto tretilheto dedilhar aos olhos dos trouxas. Vaza.
E não me dói? Não. Prefiro vazar em Paris a me entupir de certezas estagnadas.
Te espero e vazo.
E não deve ser assim, Paris?
Se eu escorro então corro as mãos por entre os pêlos,
Escorro entre as pernas,
Vaza.
Vamos para Paris!
Sorriso aberto, destino incerto, desejo concreto.
Ah!, vadio grande sofredor,
No deleite da carne,
No embalo de passos largos e pesados, de um sorrir de corpo inteiro.
Vai mesmo! Vai à Paris!
Vaza. Vaza. Vaza. Recomeço. Vaza. Vaza.
Nosso destino é Paris, mas não deveria ser de todos os vazantes?
Sacana sambarana no emaranhar das coxas. Vaza.
Inquieto tretilheto dedilhar aos olhos dos trouxas. Vaza.
E não me dói? Não. Prefiro vazar em Paris a me entupir de certezas estagnadas.
Te espero e vazo.
E não deve ser assim, Paris?
terça-feira, janeiro 10, 2006
Ah, se
Se eu pedisse, recebesse um talvez não bem querece.
Se eu chorasse, talvez chovesse em tudo que vivesse.
Se eu pudesse, eu criasse criações tão minhas que se impregnasse no mundo.
Se eu soubesse, eu fizesse uma música pra você agora.
Se eu tiveesse, eu ligasse no volume mais alto pra que você escutasse.
Se você deixasse __AH__ / Ah se você deixasse.....
Se eu chorasse, talvez chovesse em tudo que vivesse.
Se eu pudesse, eu criasse criações tão minhas que se impregnasse no mundo.
Se eu soubesse, eu fizesse uma música pra você agora.
Se eu tiveesse, eu ligasse no volume mais alto pra que você escutasse.
Se você deixasse __AH__ / Ah se você deixasse.....
segunda-feira, janeiro 09, 2006
Receita
Talvez pudesse dizer que conheço o indizível
Mas logo refreariam: "Os cães daqui são como os de lá, felizes e engraçados, baby..."
E de que adianta todo esse inglês se na língua que bate dentro de mim você é analfabeto?
Convenhamos, Cher bostinha.
Palavras soltas e embriagadas não calam mais sua boca.
Brota silêncio dos olhos/ das mãos/ da respiração. Algo desconexo = des con certo. Indizível.
Vontades caídas, escravo de um amontoado de átomos. Lugar indescritível.
Bebida que te tira de mim. Eu embebido em você. Ali no fogo brando. Por horas.
Cozinha do Diabo.
Mas os cachorros daqui me parecem tão mais cachorros, felizes e engraçados. Baby.
De onde quero ver e vejo. Com aqueles velhos óculos de lentes cor escarlate.
Para o indizível, fones de ouvido sujo.
Para a visão, pálpebras grandes grossas que escondam os segredos que só eu posso ter.
Para você, aulas particulares de língua que bate dentro de mim.
Mas logo refreariam: "Os cães daqui são como os de lá, felizes e engraçados, baby..."
E de que adianta todo esse inglês se na língua que bate dentro de mim você é analfabeto?
Convenhamos, Cher bostinha.
Palavras soltas e embriagadas não calam mais sua boca.
Brota silêncio dos olhos/ das mãos/ da respiração. Algo desconexo = des con certo. Indizível.
Vontades caídas, escravo de um amontoado de átomos. Lugar indescritível.
Bebida que te tira de mim. Eu embebido em você. Ali no fogo brando. Por horas.
Cozinha do Diabo.
Mas os cachorros daqui me parecem tão mais cachorros, felizes e engraçados. Baby.
De onde quero ver e vejo. Com aqueles velhos óculos de lentes cor escarlate.
Para o indizível, fones de ouvido sujo.
Para a visão, pálpebras grandes grossas que escondam os segredos que só eu posso ter.
Para você, aulas particulares de língua que bate dentro de mim.
domingo, janeiro 08, 2006
Da carne
Olhos meus fervilham sobre ( ) ( )s/ A boca mordisca um gosto de desejo/ Bundas embaladas como em um movimento náutico animam ainda mais a música, nos deixam zonzos/ A bebida me dança/ Todo/ Palavras quentes ou assuntos culturalmente banais: ouço plenamente agitado, estou surdo/
Para todos aqueles que como eu
( Para ler ou viver ao som de Sin encontrarte, Tamasita Nuñez. )
Me assusta, eu-assim-tão-perto-de-mim. O som abafado vinha de longe. Eu descolado-de-mim na realidade presente, seguia a passos o longo corredor e ia aabrindo cada porta que se fazia pela frente. A mão direita seguia junto à parede, como quando se demonstra um prolongado carinho, já as unhas, essas secas e friccionantes, como quem quisesse que. A cada porta o som aumentado arrepiava minha pele agora não tão descolada, mas fui ensurdecendo. As luzes eram tais que azuis ou verde cintilante, não lembro bem. Por fim a última porta, de madeira escura e pesada. Abri. E dentro daquela sala estávam eu a e música alta. dançávamos nas pontas dos pés. Fui obrigado a me observar : era eu-descolado-de-mim. Talvez ali feliz ou sonhando ou talvez isso nem importe, pois naquele instante havia um abismo que me separava de mim. E há até hoje.
Me assusta, eu-assim-tão-perto-de-mim. O som abafado vinha de longe. Eu descolado-de-mim na realidade presente, seguia a passos o longo corredor e ia aabrindo cada porta que se fazia pela frente. A mão direita seguia junto à parede, como quando se demonstra um prolongado carinho, já as unhas, essas secas e friccionantes, como quem quisesse que. A cada porta o som aumentado arrepiava minha pele agora não tão descolada, mas fui ensurdecendo. As luzes eram tais que azuis ou verde cintilante, não lembro bem. Por fim a última porta, de madeira escura e pesada. Abri. E dentro daquela sala estávam eu a e música alta. dançávamos nas pontas dos pés. Fui obrigado a me observar : era eu-descolado-de-mim. Talvez ali feliz ou sonhando ou talvez isso nem importe, pois naquele instante havia um abismo que me separava de mim. E há até hoje.
In_util
Inútil.
Não sei porque insisto.
As palmas já não emitem mais tanta energia.
Trazem outros ares.[escuros]
Mas insisto.
A borboleta amarela ameaça a voar.
E voa.
Como num dia triste de ventania,A brasa então brisa.
Agora persisto.
Os olhos secos não aspergem lágrimas, mas vontade.[pura]
Foi-se o tempo.
O tempo em que a criança via a borboleta amarela como brincadeira.[não tinha dimensão daquilo e até se esquecera]
Inútil esquecimento.
Persisto em mim, na criança, na força que a fez chorar.
Sim.
Em ti [também], na impossibilidade das coisas, nas palmas que hoje em dia me são outras.
Na brisa, este vento leve soprado de sua boca que me faz borboleta amarela em brasa na brisa.
Inútil.
[talvez eu]
Não sei porque insisto.
As palmas já não emitem mais tanta energia.
Trazem outros ares.[escuros]
Mas insisto.
A borboleta amarela ameaça a voar.
E voa.
Como num dia triste de ventania,A brasa então brisa.
Agora persisto.
Os olhos secos não aspergem lágrimas, mas vontade.[pura]
Foi-se o tempo.
O tempo em que a criança via a borboleta amarela como brincadeira.[não tinha dimensão daquilo e até se esquecera]
Inútil esquecimento.
Persisto em mim, na criança, na força que a fez chorar.
Sim.
Em ti [também], na impossibilidade das coisas, nas palmas que hoje em dia me são outras.
Na brisa, este vento leve soprado de sua boca que me faz borboleta amarela em brasa na brisa.
Inútil.
[talvez eu]
...Tão...
É que eu achei tão bonito...Ele vinha com um vaso de planta verde nas mãos. Até tentava esconder, mas o seu desajeito. O meu desajeito
É que eu... A música simples feita a partir de um poema que foi feito a partir de idéias que vieram de palavras. E ela disponível pra mim. Ali no sofá, com olhar atencioso e pés inquietos esperando de mim não sei o que. E meus olhos cada vez mais cheios de água e meu olhar, agora, disfarçado querendo chorar.
Tão bonito...As ruas cheias de gente com suas roupas de frio. O meu nariz gelado, o passo apertado e o aperto dos olhos para que as lágrimas não caíssem ali, no meio de tudo aquilo. E pra que não caiam aqui, neste exato momento.Mas me lembro de dias diferentes em que exibia, sem preocupações, o rosto molhado, o inchaço dos olhos para qualquer um.
Eu achei tão... O horário marcado, ele chamando o garçom e pedindo mais uma porção de torradas, o silêncio, a mão no meu rosto e o susto, mas era apenas um cílio que acabara de se tornar livre. E a felicidade que tudo isso me proporcionava.
É que eu achei tão bonito...Andar a cidade inteira a pé só para rever você e me reencontrar. Ouvir seus medos e ver que não sou tão tolo quanto pensava ou até mesmo ficar calado porque sou o mais tolo de todos. Pensar que se existisse um concurso de tolices eu ganharia o troféu em primeiro lugar. Imaginar minha foto em todas revistas e jornais e uma roupinha ridícula, talvez até uma faixa ou uma coroa e eu perdendo toda minha privacidade, pois me tornara o campeão, o símbolo mundial de tolices. E você indo embora porque agora as pessoas não largavam do meu pé e eu no fundo sabendo que toda minha tolice era verdadeira
É que... Ele estalando os dedos para que eu acordasse de uma tolice, ou mesmo levantando os braços tentando me provocar para mais uma jornada de cócegas. Elas rindo de mim e tentando me enganar, mas eu sabia de tudo e fingia todo aquele momento. A outra levantando-se do sofá e também segurando as lágrimas nos olhos, mas falando alto que a carne estava sem sal e não havia ficado tão boa quanto àquela do aniversário passado. O tempo demorado dentro da cozinha, fingindo buscar alguma coisa na dispensa e eu, sem coragem de ir atrás, tentando chorar tudo que podia enquanto ela não voltava.É que eu achei tão bonito...Chorar não por tristezas, mas por essa felicidade calma, que me deixa meio mole, na qual estou mergulhado.Ver ela trocar o sal por açúcar e estragar a carne que estava deliciosa ao meu paladar. Ouvir a mãe dela trocando meu nome e sentir o constrangimento, já que ela sabe muito bem dos desprazeres da velhice. Ele levando um susto e ficando vermelho só porque eu entrei no quarto uns segundos antecipado e vi que a primeira peça de roupa que ele põe é a meia ( esquerda ).
É que...tão bonito... Passar o tempo dizendo que tudo isso é vontade de.
É que eu... A música simples feita a partir de um poema que foi feito a partir de idéias que vieram de palavras. E ela disponível pra mim. Ali no sofá, com olhar atencioso e pés inquietos esperando de mim não sei o que. E meus olhos cada vez mais cheios de água e meu olhar, agora, disfarçado querendo chorar.
Tão bonito...As ruas cheias de gente com suas roupas de frio. O meu nariz gelado, o passo apertado e o aperto dos olhos para que as lágrimas não caíssem ali, no meio de tudo aquilo. E pra que não caiam aqui, neste exato momento.Mas me lembro de dias diferentes em que exibia, sem preocupações, o rosto molhado, o inchaço dos olhos para qualquer um.
Eu achei tão... O horário marcado, ele chamando o garçom e pedindo mais uma porção de torradas, o silêncio, a mão no meu rosto e o susto, mas era apenas um cílio que acabara de se tornar livre. E a felicidade que tudo isso me proporcionava.
É que eu achei tão bonito...Andar a cidade inteira a pé só para rever você e me reencontrar. Ouvir seus medos e ver que não sou tão tolo quanto pensava ou até mesmo ficar calado porque sou o mais tolo de todos. Pensar que se existisse um concurso de tolices eu ganharia o troféu em primeiro lugar. Imaginar minha foto em todas revistas e jornais e uma roupinha ridícula, talvez até uma faixa ou uma coroa e eu perdendo toda minha privacidade, pois me tornara o campeão, o símbolo mundial de tolices. E você indo embora porque agora as pessoas não largavam do meu pé e eu no fundo sabendo que toda minha tolice era verdadeira
É que... Ele estalando os dedos para que eu acordasse de uma tolice, ou mesmo levantando os braços tentando me provocar para mais uma jornada de cócegas. Elas rindo de mim e tentando me enganar, mas eu sabia de tudo e fingia todo aquele momento. A outra levantando-se do sofá e também segurando as lágrimas nos olhos, mas falando alto que a carne estava sem sal e não havia ficado tão boa quanto àquela do aniversário passado. O tempo demorado dentro da cozinha, fingindo buscar alguma coisa na dispensa e eu, sem coragem de ir atrás, tentando chorar tudo que podia enquanto ela não voltava.É que eu achei tão bonito...Chorar não por tristezas, mas por essa felicidade calma, que me deixa meio mole, na qual estou mergulhado.Ver ela trocar o sal por açúcar e estragar a carne que estava deliciosa ao meu paladar. Ouvir a mãe dela trocando meu nome e sentir o constrangimento, já que ela sabe muito bem dos desprazeres da velhice. Ele levando um susto e ficando vermelho só porque eu entrei no quarto uns segundos antecipado e vi que a primeira peça de roupa que ele põe é a meia ( esquerda ).
É que...tão bonito... Passar o tempo dizendo que tudo isso é vontade de.
Filete
Com a gilete corto/Essas cartas em construção/O ruído/Aquele olhar que me desnuda/E a menina que roça o batom vermelho entre as pernas/Inocente/Indecente/Mas roça com prazer a menina de dois anos/Luzia trouxe-me um copo com água/E você?/O que traz?/Esta criança?/ Esta maquininha de prazer?/Posso ouvir o cortar da gilete/E sinto um filete de sangue nas gengivas/É você/
Segredos
então te conto as minhas intimidades. Os meus mais profundos segredos. Aqueles que quando chego a dizer, me fazem pensar que dentro de mim há um outro alguém, pois EU não seria capaz de guardar tais coisas aqui dentro. Tudo. Falo tudo e você se faz de um jeito que. Que me conforta. E sai andando em volta da minha cadeira dizendo pensamentos de grandes filósofos e até elogia e me compara com eles. Eu ali, nu, quase do avesso e mesmo assim ainda insisto. Você vem para me esquentar com as mãos, mas elas estão geladas e finjo. Perdi o domínio. Está em suas mãos. Geladas. Eu procurava entender o que tanto segurava em seus bolsos e agora, sem intimidades, já do avesso e gelado como eram suas mãos, arrisco até dizer que era o relógio que pesava nas calças. Este que marcaria o fim premeditado. Nesta tarde procuro meus óculos de lentes cor escarlate. Tento fingir como daquela vez. Assim como se fosse literatura ou mesmo artigos de perfumaria, quase sempre dispostos na prateleira da estante. Estante marrom com três gavetas e nosso retrato. E uma caixa velha onde guardo parte dos meus segredos. Mas já não vale de nada porque então te contei as minhas intimidades e a caixa já é lixo, perdeu a função. Assim como eu.As frases dos filósofos, as mãos não quentes, a cadeira rodeada, o desnudamento, a minha inútil sensação de importância, a vã segurança de um dia voltar a ter segredos só para poder contá-los novamente a você e. Essas são coisas que, mesmo se soubesse o antigo futuro que é hoje, fariam eu voltar atrás e reviver todas as ilusões e desilusões só para meu deleite de estar ao seu lado.
Artigos de perfumaria ou oculos
Coisas de pura cor escarlate. O melhor seria tudo dessa mesma cor. Menos o sangue, esse deveria ser verde. A luvas, o travisseiro, você, nosso retrato colocado em cima do criado mudo, suas meias, meu xampu, o vaso de planta cactus florescido, as lágrimas, o colchão, o leite gelado no início da manhã, aquele meu bilhete dizendo para que você almoce bem e coma coisas saudáveis porque te quero sempre assim, entre outros artigos.E por fim, seria bom tirar os óculos com as lentes cor escarlate e voltar a ser aquilo tudo que quase sempre eu não sei.
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