Diário de quando eu carinhosamente ainda vivia:
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Uma pera sonha enquanto tento acordar.
O tempo conta rugas.
Quando, enfim, atravesso minhas pálpebras,
é PERASSONHA.
Paro e observo como um gatocão.
Não consigo distinguir se sonho ou se sou sonho, se a perassonha me sonha.
Esfrego o olhar e
a maçã sonha encostada.
Meus primos muito envelhecidos riem casos de infância.
Toca, a porta, pelas mãos da faxineira,
Um copo quebra tanto no chão,
correm com a mãe para o hospital,
ela a dizer cisco! cisco! cisco!
[gritocão] cisco! [gritocão] cisco!
Venta a família.
O que se move na casa é a própria casa.
Descuidam-se delicadamente.
Comeram a pera.
Agora, me pergunto, aonde a perassonha?
Meus primos morrem sorrindo casos,
equanto o almoço queima no fogão
prum lado o gato, pro outro o cão.
Sofro enquanto imagino.
Chego na janela e vejo uma cidade incandescente.
Olho dentro de mim,
beijo uma mulher.
A maçãssonha.
O gritocão.
Chora meu menino, grita: pelocanto! pelocanto! pelocanto!
Meus olhos enlouquecem, incham, embaço a vista, [gritocão].
Corro pela casa sem a mãe.
Arde meu filho muito envelhecido numa cadeira de rodas.
Seco o rosto, molha o chão.
Vejo que
a aguassonha secularmente parada numa pia.
o pratossonha empilhado.
a camassonha vazia.
O ossossonha no chão da sala e, na parede, uma fotografia dos antepassados.
Esfrego os olhos até pegarem fogo:
O olhossonha.