sexta-feira, janeiro 27, 2006

Destino

Vamos nos casar em Paris?!
Se eu escorro então corro as mãos por entre os pêlos,
Escorro entre as pernas,
Vaza.
Vamos para Paris!
Sorriso aberto, destino incerto, desejo concreto.
Ah!, vadio grande sofredor,
No deleite da carne,
No embalo de passos largos e pesados, de um sorrir de corpo inteiro.
Vai mesmo! Vai à Paris!
Vaza. Vaza. Vaza. Recomeço. Vaza. Vaza.
Nosso destino é Paris, mas não deveria ser de todos os vazantes?
Sacana sambarana no emaranhar das coxas. Vaza.
Inquieto tretilheto dedilhar aos olhos dos trouxas. Vaza.
E não me dói? Não. Prefiro vazar em Paris a me entupir de certezas estagnadas.
Te espero e vazo.
E não deve ser assim, Paris?

terça-feira, janeiro 10, 2006

Ah, se

Se eu pedisse, recebesse um talvez não bem querece.

Se eu chorasse, talvez chovesse em tudo que vivesse.

Se eu pudesse, eu criasse criações tão minhas que se impregnasse no mundo.

Se eu soubesse, eu fizesse uma música pra você agora.

Se eu tiveesse, eu ligasse no volume mais alto pra que você escutasse.

Se você deixasse __AH__ / Ah se você deixasse.....

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Receita

Talvez pudesse dizer que conheço o indizível
Mas logo refreariam: "Os cães daqui são como os de lá, felizes e engraçados, baby..."
E de que adianta todo esse inglês se na língua que bate dentro de mim você é analfabeto?
Convenhamos, Cher bostinha.
Palavras soltas e embriagadas não calam mais sua boca.

Brota silêncio dos olhos/ das mãos/ da respiração. Algo desconexo = des con certo. Indizível.
Vontades caídas, escravo de um amontoado de átomos. Lugar indescritível.

Bebida que te tira de mim. Eu embebido em você. Ali no fogo brando. Por horas.
Cozinha do Diabo.
Mas os cachorros daqui me parecem tão mais cachorros, felizes e engraçados. Baby.
De onde quero ver e vejo. Com aqueles velhos óculos de lentes cor escarlate.

Para o indizível, fones de ouvido sujo.
Para a visão, pálpebras grandes grossas que escondam os segredos que só eu posso ter.
Para você, aulas particulares de língua que bate dentro de mim.

domingo, janeiro 08, 2006

Da carne

Olhos meus fervilham sobre ( ) ( )s/ A boca mordisca um gosto de desejo/ Bundas embaladas como em um movimento náutico animam ainda mais a música, nos deixam zonzos/ A bebida me dança/ Todo/ Palavras quentes ou assuntos culturalmente banais: ouço plenamente agitado, estou surdo/

Para todos aqueles que como eu

( Para ler ou viver ao som de Sin encontrarte, Tamasita Nuñez. )

Me assusta, eu-assim-tão-perto-de-mim. O som abafado vinha de longe. Eu descolado-de-mim na realidade presente, seguia a passos o longo corredor e ia aabrindo cada porta que se fazia pela frente. A mão direita seguia junto à parede, como quando se demonstra um prolongado carinho, já as unhas, essas secas e friccionantes, como quem quisesse que. A cada porta o som aumentado arrepiava minha pele agora não tão descolada, mas fui ensurdecendo. As luzes eram tais que azuis ou verde cintilante, não lembro bem. Por fim a última porta, de madeira escura e pesada. Abri. E dentro daquela sala estávam eu a e música alta. dançávamos nas pontas dos pés. Fui obrigado a me observar : era eu-descolado-de-mim. Talvez ali feliz ou sonhando ou talvez isso nem importe, pois naquele instante havia um abismo que me separava de mim. E há até hoje.

In_util

Inútil.
Não sei porque insisto.
As palmas já não emitem mais tanta energia.
Trazem outros ares.[escuros]
Mas insisto.
A borboleta amarela ameaça a voar.
E voa.
Como num dia triste de ventania,A brasa então brisa.
Agora persisto.
Os olhos secos não aspergem lágrimas, mas vontade.[pura]
Foi-se o tempo.
O tempo em que a criança via a borboleta amarela como brincadeira.[não tinha dimensão daquilo e até se esquecera]
Inútil esquecimento.
Persisto em mim, na criança, na força que a fez chorar.
Sim.
Em ti [também], na impossibilidade das coisas, nas palmas que hoje em dia me são outras.
Na brisa, este vento leve soprado de sua boca que me faz borboleta amarela em brasa na brisa.
Inútil.
[talvez eu]

...Tão...

É que eu achei tão bonito...Ele vinha com um vaso de planta verde nas mãos. Até tentava esconder, mas o seu desajeito. O meu desajeito
É que eu... A música simples feita a partir de um poema que foi feito a partir de idéias que vieram de palavras. E ela disponível pra mim. Ali no sofá, com olhar atencioso e pés inquietos esperando de mim não sei o que. E meus olhos cada vez mais cheios de água e meu olhar, agora, disfarçado querendo chorar.
Tão bonito...As ruas cheias de gente com suas roupas de frio. O meu nariz gelado, o passo apertado e o aperto dos olhos para que as lágrimas não caíssem ali, no meio de tudo aquilo. E pra que não caiam aqui, neste exato momento.Mas me lembro de dias diferentes em que exibia, sem preocupações, o rosto molhado, o inchaço dos olhos para qualquer um.
Eu achei tão... O horário marcado, ele chamando o garçom e pedindo mais uma porção de torradas, o silêncio, a mão no meu rosto e o susto, mas era apenas um cílio que acabara de se tornar livre. E a felicidade que tudo isso me proporcionava.
É que eu achei tão bonito...Andar a cidade inteira a pé só para rever você e me reencontrar. Ouvir seus medos e ver que não sou tão tolo quanto pensava ou até mesmo ficar calado porque sou o mais tolo de todos. Pensar que se existisse um concurso de tolices eu ganharia o troféu em primeiro lugar. Imaginar minha foto em todas revistas e jornais e uma roupinha ridícula, talvez até uma faixa ou uma coroa e eu perdendo toda minha privacidade, pois me tornara o campeão, o símbolo mundial de tolices. E você indo embora porque agora as pessoas não largavam do meu pé e eu no fundo sabendo que toda minha tolice era verdadeira
É que... Ele estalando os dedos para que eu acordasse de uma tolice, ou mesmo levantando os braços tentando me provocar para mais uma jornada de cócegas. Elas rindo de mim e tentando me enganar, mas eu sabia de tudo e fingia todo aquele momento. A outra levantando-se do sofá e também segurando as lágrimas nos olhos, mas falando alto que a carne estava sem sal e não havia ficado tão boa quanto àquela do aniversário passado. O tempo demorado dentro da cozinha, fingindo buscar alguma coisa na dispensa e eu, sem coragem de ir atrás, tentando chorar tudo que podia enquanto ela não voltava.É que eu achei tão bonito...Chorar não por tristezas, mas por essa felicidade calma, que me deixa meio mole, na qual estou mergulhado.Ver ela trocar o sal por açúcar e estragar a carne que estava deliciosa ao meu paladar. Ouvir a mãe dela trocando meu nome e sentir o constrangimento, já que ela sabe muito bem dos desprazeres da velhice. Ele levando um susto e ficando vermelho só porque eu entrei no quarto uns segundos antecipado e vi que a primeira peça de roupa que ele põe é a meia ( esquerda ).
É que...tão bonito... Passar o tempo dizendo que tudo isso é vontade de.

Filete

Com a gilete corto/Essas cartas em construção/O ruído/Aquele olhar que me desnuda/E a menina que roça o batom vermelho entre as pernas/Inocente/Indecente/Mas roça com prazer a menina de dois anos/Luzia trouxe-me um copo com água/E você?/O que traz?/Esta criança?/ Esta maquininha de prazer?/Posso ouvir o cortar da gilete/E sinto um filete de sangue nas gengivas/É você/

Segredos

então te conto as minhas intimidades. Os meus mais profundos segredos. Aqueles que quando chego a dizer, me fazem pensar que dentro de mim há um outro alguém, pois EU não seria capaz de guardar tais coisas aqui dentro. Tudo. Falo tudo e você se faz de um jeito que. Que me conforta. E sai andando em volta da minha cadeira dizendo pensamentos de grandes filósofos e até elogia e me compara com eles. Eu ali, nu, quase do avesso e mesmo assim ainda insisto. Você vem para me esquentar com as mãos, mas elas estão geladas e finjo. Perdi o domínio. Está em suas mãos. Geladas. Eu procurava entender o que tanto segurava em seus bolsos e agora, sem intimidades, já do avesso e gelado como eram suas mãos, arrisco até dizer que era o relógio que pesava nas calças. Este que marcaria o fim premeditado. Nesta tarde procuro meus óculos de lentes cor escarlate. Tento fingir como daquela vez. Assim como se fosse literatura ou mesmo artigos de perfumaria, quase sempre dispostos na prateleira da estante. Estante marrom com três gavetas e nosso retrato. E uma caixa velha onde guardo parte dos meus segredos. Mas já não vale de nada porque então te contei as minhas intimidades e a caixa já é lixo, perdeu a função. Assim como eu.As frases dos filósofos, as mãos não quentes, a cadeira rodeada, o desnudamento, a minha inútil sensação de importância, a vã segurança de um dia voltar a ter segredos só para poder contá-los novamente a você e. Essas são coisas que, mesmo se soubesse o antigo futuro que é hoje, fariam eu voltar atrás e reviver todas as ilusões e desilusões só para meu deleite de estar ao seu lado.

Artigos de perfumaria ou oculos

Coisas de pura cor escarlate. O melhor seria tudo dessa mesma cor. Menos o sangue, esse deveria ser verde. A luvas, o travisseiro, você, nosso retrato colocado em cima do criado mudo, suas meias, meu xampu, o vaso de planta cactus florescido, as lágrimas, o colchão, o leite gelado no início da manhã, aquele meu bilhete dizendo para que você almoce bem e coma coisas saudáveis porque te quero sempre assim, entre outros artigos.E por fim, seria bom tirar os óculos com as lentes cor escarlate e voltar a ser aquilo tudo que quase sempre eu não sei.

Do lado de fora

Quero pedir desculpas por aquele bilhete que coloquei do lado de fora da casa, atrás da porta. Olha, o sangue acabou entrando por de baixo da porta e molhou meus distraídos pés frios. Foi um susto e sujou toda a casa. Eu mesmo lavei as janelas do nosso quarto e o chão ; troquei também nossos lençóis. Coloquei aquele. O copo que você sempre tomava leite gelado pela manhã quebrou. Ontem mesmo comprei um outro. Igual. Sabe, você nunca notaria diferença se eu não falasse. Copo duplo com a borda branca. Deixei no lugar de sempre. Está esperando todo seu ritual novamente. A casa está um cheiro e faz um sol que. Ah! O leite te espera na geleira que está a geladeira. Não só o leite. A cozinha está nova; acabei trocando algumas coisas, mas falta limpar a geladeira. fiz compras pela manhã e você iria adorar. Os móveis da sala estão em outra disposição. Daquele primeiro jeito que você dizia que gostava. Com tudo isso acabei mudando um pouco também. Me matriculei em um curso. Começou anteontem. Ou foi...? Foi antes de anteontem! hum, a memória continua a mesma, mas tomara que goste. As terças e quintas não estarei em casa pela manhã. Emprego novo! As fechaduras ainda não mandei trocar, mas o cara do chaveiro disse que é simples e que em "dois tempos" pode fazer o serviço. "Dois tempos"... é o que basta para tudo nesta vida... Durante as tardes você sabe que dou aulas. Qualquer coisa deixe um bilhete por baixo da porta. Ah, o peixe dourado morreu! Sei que é triste e você gostava tanto dele, mas foi pela falta que se foi. Já estou atrasado novamente! Nem tudo mudou. Ah, tenho deixado o rádio ligado que é para quando eu estiver em casa não me sentir tão só. Mesmo quando saio deixo ligado que é para. Ah, bobagens. Se eu não estiver em casa e você ouvir vozes não se assuste.Espero que leia este bilhete, tão diferente do outro, que deixo aqui no lugar de sempre, atrás da porta do lado de fora da casa.Aqui dentro está tudo perfeito, mas parece que eu é que estou do lado de fora, pregado como um bilhete na porta, exposto a quem quiser me ler.Eu...eu...Aguardo.

Cotidiano

...tenho me tornado menor/A cada dia/Que encontro uma sequência de palavras/Que me mata/Frases que me enchem los ojos/Entopem la garganta/E perco os movimentos só de imaginá-las/E deixo o eco ir e vir ir e vir/enfraqueço/A cada ônibus perdido, a cada prédio velho que descubro novo/Pílulas de filigrana/Doses de morfina/Vício por palavras robustas/Morro sempre um pouco/Tenho me tornado menor/

Janela Fechada

Boa noite meu bem!Quantas surpresas...Hoje choveu sangue! A rua está repleta de corações encarquilhados pululando pelos paralelepípedos.Levantei muito cedo e fechei as janelas do nosso quarto. Na mesa da sala, um copo de vidro, esbranquiçado de leite, ainda conservava gotículas de água. Era recente sua saída. Arrumei nossa cama e fiz uma prece para que o sangue da chuva não te atingisse e manchasse as roupas. Tornei a encher o copo com leite gelado. Procurei as marcas de sua boca no copo e tomei o leite beijando aquela superfície lisa da borda que se fazia você. O primeiro beijo do dia. Tomei um banho demorado, daqueles que enfumaçam todo o banheiro. Estava pronta. Liguei a televisão e o telejornal mostrava uma matéria sobre o fenômeno meteorológico que assolara a cidade. Na tela, imagens de pessoas resgatando os corações murchos, guardando-os nos bolsos, sacolas, pastas, carros, até mesmo embrulhando nos casacos e levando-os para si. As pessoas corriam muito, trombavam, brigavam pelos corações. Era confuso. Pelas imagens, para o meu espanto, também te vi recolhendo corações.Espanto.Espanto.Silêncio.Transcorreram algumas horas no relógio da cozinha. O resquício de leite secara no fundo do copo. Deu nata. Liguei para o chaveiro e troquei o segredo da fechadura da porta. Meu segredo.Este bilhete deixo pregado do lado de fora da casa.Aqui só há lugar para dois corações: o seu e o meu. Será que fiz certo?Será que eu não teria feito o mesmo no seu lugar?Não sei. A chuva de sangue acabou de recomeçar e mancha as janelas do nosso quarto.

Tratado biologico

Habitat natural/Coração plasmolisado/Peixe fora d'água/Quero desplasmólise/O sol que me seca/Sou assim anfíbio/Bicho em transição/Liso grosso/Fases da lua? Inferno astral?Tudo tão árido que sou réptil/Coração tricavitário sofre menos/ECDISE de amor/Casca de corpo minha deixada como imagem plástica da exposição sofremos por amor que fomos juntos naquela quinta-feira que já não quero lembrar porque você/Adaptação evolutiva/Coração crocodiliano/Dentes fortes um couro que só e de dar medo/Proteção intensa armadura da estação vivente que guarda um frágil falso coração tetracavitário recoberto por um bicho pele de fina seda/Músculo de pelúcia/Frágil miocárdio dupla circulação/Já não corre sangue/São lágrimas/E o horóscopo ainda insiste em dizer "novos amores"....