segunda-feira, março 31, 2008

As balas no meu corpo
ainda quente
lírios em vão.
Enquanto as paredes choravam
eu te caía sobre minha pele
num roseiral mirim roubado.

o poema sangrando.

o corpo em bala
as balas do meu corpo
em vão seu lírio chorava nas paredes
ainda quente minha pele caía.
te.
roubei o roseiral mirim

domingo, março 23, 2008

as coisas deitam sobre nós
as mães choram viejas
a matéria cresce no sentimento
e quando eu pedi de ir embora
a delicadeza confusa dos desenhos da madeira da porta
impediram que o filho fosse sua própria mãe
e sobre as coisas da casa
eu vi personagens da família
e os limpei
e troquei de lugar
mas havia toda aquela
lentidão.

segunda-feira, março 17, 2008

entraves

Eu dormi nos teus silêncios
e não percebi que
nosso amor
era de mel coado e
a casa
crua.

domingo, março 09, 2008

Eu me despeço da vida
como quem faz o poema.
Como você jantando e
minha vontade de estar nas tuas
imagens.
As flores semi-tons.

O final de tinta e nossa
desimportância
anunciam a eternidade
da memória
onde minhas rosas
tinham nosso amor
e tinham linhas amadurecidas
nossa colcha repleta de ternura
Mas os espaços e os furos

Eu me despeço da vida como
quem janta com ferocidade.
E suas mãos enfraquecidas forçando
o poema,
os talheres,
o silêncio,
nossa foto
antes nunca tirada.

terça-feira, março 04, 2008

Havia uma mulher e
suas paredes.
havia velocidade na decisão,
sons esparsos e
escuridão.

Um toque tosco de mãos alheias.

Era para si o acabamento da casa
e havia um lençol de tristezas.

Deus, tirar-me a vida agora me seria injusto.
Nunca haveria de mudar,
e era aceito,
de tudo só as coisas menores.

Entre toda a roupa suja da casa ela sentia:
Deus, entendi tudo e
talvez
devesse morrer.