domingo, março 01, 2009

Haveria traço minha ingenuidade.

Um dia passeava com sal dentro do olhar
e o sol queimando nas mãos.
Como um traçotudo.
Era meu projétil, o peito.
Uma valquíria aberta no canto.

Quase. Era quase.

Deitado nu, de lado,
coberto por estilhaços de unhas roídas.
Meu sol,
haveria traço minha ingenuidade?

[roo as unhas como se te planejasse]

Mãos de amor, manufatura.
Pensar com ferocidade. Agir com a delicadeza do fogo.
Amor ódio e aço.

É como o simples, o respirar.
Seria?

Haveria traço minha ingenuidade correndo solta.

Quase. Um dia quase. Passava.
Haveria quase traço. Quase ingenuidade.
Quase haveria.
Houve. Houve. Houve. Ouve essa valquíria aberta, a unha roendo no canto da sala.
Ouve esse som. Ouve esse som. Ouve esse som. Ouve esse som. Ouve esse som. Ouve esse som. Ouve esse som. Ouve esse som. Ouve esse som. Ouve esse som. Ouve esse som. Ouve esse som:
Respirar com ferocidade.

Um dia sem que chovesse e chovia.
Sem que andasse e movia.
Sem que respirasse e vivia.
Sem que amasse e quase.
Um dia e sempre:

Haveria traço minha ingenuidade.

3 comentários:

Anônimo disse...

:)

Carlos Renatto disse...

Gosto disso...

flávia disse...

Dedentro desangue dou risadas não vou lá, tá bom, são sorrisos ansiosos pra chegar e sentí-lo respirar com ferocidade salve assim em todas as idades. Nós que nos amamos sempre TantÔu.