segunda-feira, outubro 09, 2006

___Choro profundo___


Desculpa, eu chorar. Eu chorar assim tão invasivamente, olha o que eu estou te impondo!, meu Deus e eu nem sei de onde mesmo que viestes, eu não sei o que carregas contigo, das tuas angústias, do que se trata esse vaso de flores rutilantes em teus braços.
Sei que não existe um culpado e que não tenho o domínio.
É que eu preciso. Ainda não me conheces bem, e de certo que nunca irá, mas tentarei te acalmar dizendo que a gente acostuma-se com tudo. Mas sinto que comigo é diferente. Eu choro só de imaginar, de ver, há vezes em que um sopro mais gelado me deixa em prantos. Não sei o que é isso que está em mim que não seguro. Às vezes apenas acordar é o suficiente para meus olhos se afogarem num choro compriiiido e baixinho. Quase sem som.
Mas olha eu, dizendo essas coisas. Eu te assustei... é como uma bola de neve sabe, não, eu nunca vi neve na minha vida. Já até cheguei a duvidar que neve realmente existisse... Se me calo eu choro mais, preciso ir dizendo aos montes essas coisas que vão saindo assim, às vezes um pouco estranhas outras até mesmo convenientes mas em todos os casos sem muito controle meu porque nessas horas desconheço os significado de controle e de tudo e pra te dizer o bem da verdade me desculpe. Pareço uma folha seca. Calma, eu vou respirar e ficarei em silencio____________
Eu queria chorar todo choro que existe no mundo de uma vez só.
O choro ninguém explica. Quem nunca ouviu o barulho indecente de um ser que chorou. O choro é a voz do inconsciente. Choro é desespero. Contração. De onde vem o choro? O choro é a língua de Deus, a salvação. No fim, se a Torre de Babel tivesse sido construída, veriam que todos, sem exceção, chorariam e se entenderiam mesmo os das nacionalidades mais distintas. Deus virá nos salvar no exato momento em que todos nós chorarmos ao mesmo tempo; não está longe. Todos chorariam, o mundo entraria em contração e então talvez um novo Big-Bang surgisse, Deus choveria junto e inundaria o mundo por 40 anos.
Eu preciso chorar todo o choro do mundo de uma só vez.
Eu caí na armadilha. É sabido que nunca se deve começar qualquer coisa, não existe volta. O segundo é o que basta para se estar preso a toda eternidade. Meu erro foi ter chorado uma primeira vez. Quem ensina o choro? Não... Querido, choro não se ensina. Choro sai. Foi um susto tão grande sentir o choro: aquilo que saindo de mim me invadia toda, me transbordava de mim mesma. Eu chorei por quê? Chora-se por tanta coisa e eu nem sei. Não devia ter lhe dirigido sequer um oi, sequer devia ter pensado em lhe construir, em imaginar, sonhar é um erro. Agora estamos aqui presos a algo que nunca existiu; já até criamos uma relação, talvez até apelidos. Já temos memória: um do outro. E você vai chegar em casa e contar à sua família que durante o seu dia sufocante se deparou com uma mulher que sobre ti despejou todo o peso do que é um dia, pela primeira vez, ter chorado. E eu chegarei em casa com você na minha cabeça e não direi nada a ninguém porque ninguém...(choro profundo).

7 comentários:

Daniel Carfa disse...

Nossa, Juninhoo (hehehe) é pra encher os olhos d'água mesmo? Hehehe... Ai ai... Nuu!

Anônimo disse...

lindo, lindo lindo. Gostaria de te mostrar um texto meu que se chama "lágrimas e início". se vc se interessar, fica no meu blog que se chama amenos.
ah
prazer em conhecer-te

Anônimo disse...

escrevi um bilhete para você.

Arnaldo Delgado disse...

"Eu queria ler toda a ficção que não existe. De uma vez."
Mais ou menos como o choro.
Sublime.

Fred Bottrel disse...

choro

Fabiano Rabelo disse...

Escreveu pensando em mim? (choro profundo)

na fortaleza furta-cor disse...

nossa.


nossa.