sexta-feira, outubro 20, 2006

Envelope Lacrado

Recebi um segredo ontem pela noite. De um alguém que nem sequer posso contar, não somente porque eu não tenho conhecimento, mas porque segredo é segredo e assim me foi ensinado.
Um bilhete me foi avisado. Penso, desde de muito cedo é verdade, que o segredo deve ser muito segredo mesmo, daqueles que a mãe só contava pro vigário. Mas como é que pode?
Recebo um bilhete e nem o tenho em mãos! Recebo um sentimento e nem bem sei seu genitor!
E agora como durmo? Não posso guardar algo que não saiba. Todos sabemos que a mulher engravida e lá dentro há um bebê.
O bilhete me atordoa.
Suba no ponto mais alto dessa cidade e grite seu segredo, escreva tudo em uma folha e após confeccionar um belo avião de papel lance-o aos ventos; lhe garanto: dormirei melhor.
Anuncio no abismo então, o amor que nos é escondido a cada bilhete ocultado-avisado.

3 comentários:

Anônimo disse...

Finalmente, a ventura de automobilista! O real é o que gasta. Então só nos resta a metáfora.

Anônimo disse...

Li as reticências, e também outros textos. Minha maior alegria é encontar pessoas vivas que realmente escrevem. Porque os textos amados de escritores mortos são de uma solidão, às vezes, difícil de suportar.
abraço

Thell Guerson disse...

Cada um segredo a seu tempo....
Como folhas, cada uma só cai...
E outra aguarda.. Ansiosamete..
Pronto. Ponto. Este chão final.

Vou te contar meu segredo bem baixinho: shhhhhhhhhhhhhhhhhhh