terça-feira, dezembro 19, 2006

Forma

Eu queria tirar
Estar descalço. Não tendo ____ pisar. Preciso escrever de um lugar. Não exatamente estar nele, mas a partir dele.
Apartado de mim. Porque é difícil estar num lugar___ para mim só as notas longas do piano. A cadencia o embalo a melodia. Para mim o concreto ressoa_ressente. Basta o som invisível para os ouvidos de quem só sabe ver. Sentir é mais preciso, por isso tire dos meus pés apertados essas sandálias sujas

____Levo dias para escrever poucas palavras, prefiro ouvi-las____


Gosto quando fica grave. Essa melancolia rasga os papéis de parede do meu lar.
Será possível? Dizia minha mãe num descontrole emocional... será possível? Essa sua música que ninguém entende mofa os cômodos do nosso lar. Já não te suportamos mais. É o que mais doído pode sentir uma mãe. Mas você infiltra nossos corações_____
Segurei. Porque a música pesa mais. Mas essas sandálias, nunca as tirei dos pés.
Talvez, elas ---> o lugar. Mas se ao menos fossem som. Sinto que estou ficando cego e quando nada puder ver, serei música. Uma porção de letras diferentes combinadas traduzidas em ar_____

Vento_________Shuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu

Vento, antes de ficar cego tu eras quem? Se eu tivesse tua coragem____
“Essa sua música embola meus cabelos brancos. Sai! Sai!! Sai!”
Sinto que poderia ser mais direto, mais leve, mas minha música é grave. Gosto quando fica grave porque meus sentimentos são revestidos de papel de parede. Ao longo disso tudo perceberás quando a pontuação for se esvaindo e os espaços ficarem como pausas melódicas e uma potência em forma de som que irá ventar em você será porque estou ficando cego me desfazendo em rasgos largos

Indecentes

Inaudíveis




Som



restarão minhas sandálias.

6 comentários:

Guilherme Côrtes disse...

rolou aquele lance de identificação, sabe? e pá.
tiro coisas valiosas daqui, obrigado...

draupadi disse...

"sai sai sai"
tem vento q ás vezes entra dentro da gente! de manhã a gente percebe que era alguém de verdade!

alice disse...

lindo demais

Lúcia Vulcano disse...

Olá Assis!
Fico feliz com sua e vista e com seu comentário. Seja sempre bem vindo na Casa da Rata Gorda! hahaha

Já conhecia seu blog e acho ele sensacional, mas tinha vergonha de comentar... =P hehehe

Bai! ;**

Valquiria Boo disse...

Nossa...seus textos são encantadores...Desculpe a invasão mas precisava fazer um elogio...T+

Fabiano Rabelo disse...

agora quase posso ouvir a forma do vento...

quase posso...

aff...

________
agora estou ouvindo música.. fecho os olhos... ela continua.. é chico.. (não faz diferença) ela é forte no meu quarto, paredes próximas, quarto pequeno.. e eu não preciso de mais nada...
"que desacata a gente, que é revelia
que é feito uma água ardente que não sacia
que feito estar doente de uma folia..."
só das paredes e do chico...
.
.
.
.
.
.
.
__________
(como não?! faz diferença, faz sim)... o chico me entende... são 2:38h... talvez só o chico...
há música, sempre haverá..